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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A verdade sobre a violência nas periferias de Santa Catarina

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Enquanto a extrema direita que governa Santa Catarina se vangloria das posições que o estado ocupa nos rankings nacionais, como o “estado mais seguro do Brasil”, a realidade de violência nas periferias é outra.

Gab Bala e Wilson Májè | São José (SC)


BRASIL – Os moradores das comunidades catarinenses sabem que não há segurança para seus filhos. No ano de 2024, a polícia de Santa Catarina matou 79 pessoas, e em 2025 tirou mais 100 vidas.

Um desses casos ocorreu em 26 de outubro no bairro do Monte Cristo, região continental de Florianópolis, quando a polícia invadiu a casa de Diego, de 16 anos, e de seus avós, e o assassinou, com um tiro de fuzil no peito.

A família, que preferiu não se identificar, relatou o ocorrido. Diego viu uma movimentação na rua e avisou aos avós que tinham alguém na calçada, eles seguiram dentro de casa, mas não imaginavam que teriam sua residência invadida por cerca de 10 policiais.

Arrombaram a porta da casa de madeira e se enfileiram da porta de entrada até o quarto do rapaz, que estava fechada. Bateram na porta do quarto, o menino abriu já de mãos para o alto, rendido, imaginou que os policiais o levariam preso. A avó estava logo atrás do policial, que bloqueava a entrada do quarto do rapaz. Sem hesitar, ele disparou. O tiro atingiu o peito do menino, atravessando-lhe o pulmão, segundo apontou a autópsia. O avô, depois, mostrou as marcas da bala na janela do quarto.

O rapaz foi assassinado em seu próprio quarto, na frente dos avós e de sua namorada, que a princípio se escondia atrás da porta, o avô mostrou o local, e relatou que só via o sangue se espalhar pela cômoda, contou ainda que depois o policial pisou no pescoço do menino para se certificar de sua morte.

Polícia agrediu familiares de jovem assassinado

Depois do tiro, os policiais expulsaram a família de dentro da própria casa. A avó relatou que a imobilizaram e a obrigaram a sair. Enquanto a família ficou lá fora, disseram que a polícia passou de 20 a 30 minutos revirando o quarto do rapaz “eles jogaram tudo ‘as roupas’ dele pela janela, não ficou nenhuma melhorzinha pra gente vestir nele para o enterro”, contou a avó.

A polícia alegou que o menino portava arma, e houve troca de tiros, mas os avós afirmaram que sempre olhavam o quarto do menino e sabiam que ele não levaria isso pra lá pela segurança dos avós. “A gente ficava com medo quando ele saía, pedia pra Deus pra cuidar dele, aí esses vermes vieram e entraram na casa da gente” a avó conclui, em meio a lágrimas.

Os jovens da ocupação Anita Garibaldi, no bairro vizinho ao que ocorreu o assassinato, relataram o susto ao saber do caso, pois costumavam jogar bola na quadra do bairro com Diego, vítima da violência policial “eles não perdoam ninguém, e eles tão por aqui o tempo todo” afirmou um dos jovens sobre a polícia, filhos da companheira coordenadora do MLB em Santa Catarina.

Uma das camaradas do núcleo do MLB do bairro onde Diego morava também nos relatou sobre o caso. “Ele era um menino bom, brincava com meus filhos na praça aqui, a polícia que é covarde” e completou concordando com a necessidade de crescer as lutas do MLB e da UP para mostrar que aquele é um bairro de luta e de trabalhadores.

“Nossas crianças temem os policiais mais violentos da comunidade citando seus apelidos – dados pela comunidade, ‘zoio azul e bigodinho’. Somos chamados de ‘acolhedores de bandidinhos’” relata funcionários do CEDEP, instituição religiosa que acolhe a comunidade com oficinas e formação de Jovens Aprendiz.

Violência em Itajaí

Em Itajaí, as famílias que vivem na comunidade do Matadouro também sofrem com ações truculentas da polícia, desde que a operação “Recomeço” ocorreu na comunidade trabalhadores não têm tranquilidade: sofrem esculachos e ofensas constantemente nas portas de suas residência e os trabalhadores temem por suas vidas e de seus familiares.

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), além de disseminar discursos de ódio em suas redes sociais e investir na compra de armamentos israelenses para equipar a Polícia Civil e Militar, agora demonstra apoio ao massacre eleitoreiro promovido por Cláudio Castro (PL), que resultou em mais de 130 mortes sob a justificativa de combate ao crime organizado.

A violência contra o povo e a resistência popular

Se o real objetivo fosse combater o crime organizado, as investigações começariam pelos episódios que envolvem grandes apreensões, como as drogas encontradas em aeronaves da FAB, no governo Bolsonaro e no “helicóca” – apelido dado ao helicóptero apreendido – associado Aécio Neves e a família Perrela, e pelas operações nas áreas de alto poder aquisitivo, como a Faria Lima e no setores financeiros.

Não existem refinarias de drogas nas favelas nem fábricas de armamentos nas comunidades: a violência e o tráfico em larga escala têm outras raízes e responsabilidades. Essa encenação busca, na verdade, pautar as eleições de 2026, alimentando uma agenda fascista de extrema-direita que pretende aterrorizar nosso povo e impedir nossa organização coletiva.

Só com organização do povo trabalhador e morador de comunidade libertaremos nossos povo. Palmares nos mostrou o caminho: devemos construir o Socialismo e acabar com a burguesia e sua cúpula de criminosos.

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