Mais de 300 funcionários ocupam portões da fábrica em resposta à demissões em massa em São José dos Pinhais (PR).
Lohan Cota e Willian Araki | Redação PR
TRABALHADOR UNIDO – O ano de 2026 começou com luta para quase 330 funcionários da fábrica de condutores elétricos Dipro do Brasil: Localizada em São José dos Pinhais (PR), a empresa surgiu em 2024, quando a antiga Conduspar foi comprada pelo Grupo Connect Global, um conglomerado brasileiro que reúne diversas empresas do setor, garantindo monopólio do mercado. Após a virada do ano, os funcionários da empresa foram comunicados que as atividades, previstas para retornarem no dia 05 de janeiro, seriam retomadas apenas no dia 07 de janeiro. A alteração chamou a atenção dos funcionários, que ao se reunirem nos portões da fábrica, descobriram que a empresa havia encerrado suas operações e não haveria garantia de seus empregos. Além disso, o grupo não pretende garantir os direitos dos funcionários, como no caso de trabalhadores que receberão a rescisão de apenas 1 ano e meio de contrato, período da aquisição da fábrica pelo conglomerado, apesar de terem 20 anos de trabalho na empresa.
Funcionários se mobilizam para garantir direitos
A decisão da empresa de fechar suas portas de forma sorrateira, supostamente, tinha um objetivo: esvaziar a fábrica de seus componentes e matérias-primas que estavam armazenadas na planta. Vendo essa situação, os trabalhadores da linha de produção e do setor administrativo da empresa impediram a saída dos caminhões de dentro do pátio da empresa, lutando para garantir seus direitos. Elton Vale, funcionário há 15 anos, relata sobre a situação: “A gente se mobilizou com o pessoal do Sindicato dos Metalúrgicos e fomos pra cima da empresa e paramos qualquer operação que estava ocorrendo aqui. Mesmo com os funcionários fora da fábrica, estavam retirando tudo que eles podiam da fábrica, o pessoal barrou tudo isso até ter uma resposta sobre os nossos direitos”. Adilson dos Santos da Costa, que em março completaria 26 anos de empresa, declarou: “Nós estamos na luta, estamos na briga para alcançar todos os nossos direitos.”Após o início das mobilizações, a empresa realizou o pagamento do Vale-Alimentação que estava atrasado e iniciaram as negociações para o pagamento das rescisões.
Apenas a luta garante os direitos
A mobilização dos funcionários da Dipro demonstra a força da classe trabalhadora frente ao grande capital. Em agosto de 2024, os operários da linha de produção deflagraram uma greve em função do não pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) da empresa. Após semanas de greve, os trabalhadores conquistaram seus direitos e se fortaleceram nessa luta. Agora, os mesmos funcionários, se unem para garantir que ninguém seja lesado pela empresa novamente. Essa união é reflexo da consciência de classe da classe trabalhadora, como relata Willian Barbosa de 28 anos: “A pessoa tem que entender que o direito trabalhista quem faz é o trabalhador. Antes tínhamos uma divisão da parte administrativa e o chão de fábrica, mas agora que a luta está feita todos se lembram que somos trabalhadores. Se você vive do seu salário, você é trabalhador.”
Trabalho do Jornal A Verdade é reconhecido entre os funcionários
A Unidade Popular tem realizado as brigadas do Jornal A Verdade na fábrica Dipro, de forma semanal e nos dois turnos da noite, algo que não foi esquecido pelos operários que hoje estão em luta. Ezequiel Gomes, de 44 anos, falou sobre sua relação com os brigadistas do jornal: “Sempre encontro com vocês aqui na porta da empresa, mesmo com chuva, e acho um belíssimo trabalho, inclusive vocês estão aqui fazendo a cobertura e prestando apoio. Estão de parabéns pelo trabalho”.
Este é apenas mais um exemplo da necessidade de organização da classe trabalhadora na luta por seus direitos e o papel de agitação diária do Jornal A Verdade nas fábricas, denunciando as mazelas do capitalismo e convocando os operários para a luta, através da greve e na construção do Socialismo.