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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Trabalhadores se organizam com MLC para retomar Sindpd/SC para a luta

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Trabalhadores de tecnologia de Santa Catarina se organizam para debater o futuro da categoria e construir um sindicato combativo que enfrente as demissões em massa e o adoecimento dos trabalhadores.

MLC Santa Catarina 


TRABALHADOR UNIDO – Por anos, o setor de tecnologia foi propagandeado como “profissão do futuro”. A verdade é que dentro do capitalismo, nós, trabalhadores de TI somos extremamente explorados. Enquanto as empresas reportam lucros bilionários e investem rios de dinheiro em Inteligência Artificial, os trabalhadores enfrentam demissões em massa, redução salarial, terceirização e PJotização

No início de 2024 e ao longo de 2025, houve grandes ondas de demissões nas chamadas “Big Techs”, como Google, Microsoft, Amazon e Meta, e em outras empresas do setor. Apenas nos primeiros meses de 2025, mais de 22 mil pessoas foram demitidas no setor em todo o mundo, indicando uma das maiores ondas de cortes já registradas.

Uma das empresas que promoveram demissões no último período é TOTVS, uma empresa de software. Apesar de ter reportado lucro líquido de R$ 248,7 milhões, um aumento de 10,2% sobre o resultado do ano passado, ela paga uma média de R$ 2.800 aos seus trabalhadores, segundo o site  de empregos Glassdoor.

Marcos Blanco, ex-trabalhador da empresa, denunciou em sua página na rede Linkedin que foi demitido em meio à uma reunião com um cliente. “Pensei que tivesse acontecido algo grave com meus filhos na escola, então pedi licença ao cliente e saí. Mas, por sorte, não era nada com meus filhos ou familiares: era “apenas” para me avisar que eu fui desligado. Sem mais”, denunciou.

Trabalhadores do Mercado Livre sofrem burnout e perseguição

Em 2025, o lucro do Mercado Livre chegou a US$ 7,4 bilhões em receita. A quantia representa um aumento de 40% em receita e volume de vendas, impulsionada principalmente pelo local de maior operação: o Brasil. Enquanto os donos da empresa ficam mais ricos, os trabalhadores estão doentes, como relataram diversos funcionários à página “Trabalhadores Meli” no Instagram.

“A pressão por resultados e a falta de compreensão e humanidade do RH causaram danos psicológicos, que me afetaram a me recolocar no mercado. Sinto que fui demitida por questionar, não pela minha  performance”, disse uma trabalhadora. Outro trabalhador também demitido, denuncia a censura a que estão submetidos os trabalhadores de TI que hoje estão no regime de home office. “Fui desligado no dia em que me coloquei contra a ida ao presencial arcando com os custos, após me manifestar em reunião aberta com o time”, relatou.

Outro absurdo foi a demissão de uma trabalhadora que foi demitida após prestar solidariedade ao povo palestino em um canal de comunicação interno da empresa. A manifestação veio depois que um diretor executivo defendeu o estado de Israel e rechaçou o “terrorismo”, conforme denunciou o Jornal A Verdade.

Em 2024, os trabalhadores de tecnologia do Mercado Livre de Santa Catarina se organizaram e procuraram seu novo sindicato, o Sindicato dos Empregados em Empresas de Processamento de Dados de Santa Catarina (Sindpd/SC) para debater um novo acordo coletivo. Entre as principais reivindicações estava a redução da jornada de trabalho para 40 horas e a garantia do home office.

A empresa não apenas ignorou as reivindicações dos empregados, como tentou dissuadir e silenciar a Assembleia convocada pelo Sindpd/SC. “Os gerentes faziam chacota com quem acreditava que o sindicato faria o melhor acordo coletivo, e que era para todos votarem na proposta da empresa”, denunciou um trabalhador ao The Intercept Brasil.

Trabalhadores em luta por um sindicato combativo

Diante do acirramento da luta de classes na categoria, trabalhadores de tecnologia organizados no Movimento Luta de Classes promoveram diversas plenárias para debater o futuro de suas lutas com a base. A participação nas eleições do Sindpd/SC surgiu como uma proposta de acompanhar mais de perto a situação do Mercado Livre e do setor privado, além de levantar as bandeiras da redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 em toda a categoria.

Por isso, o Movimento Luta de Classes procurou o sindicato para apresentar a necessidade de construção da unidade de luta. Porém, a atual direção restringiu a participação da base, conduzindo o processo de forma antidemocrática, inscrevendo a chapa sem qualquer diálogo. Desta forma, contribuiu para que uma chapa de oposição oportunista (“Revolution”) surgisse aproveitando-se da situação para ocupar o sindicato.

Apesar de criticar o imobilismo da atual gestão, a chapa Revolution já faz parte da atual gestão do Sindpd em São Paulo e se elegeu com base no golpismo, quando, em agosto de 2024, impediu o Movimento Luta de Classes de entregar os quase 50 documentos para a inscrição de chapa, tornando-se chapa única.

Esta mesma chapa agora quer disputar as eleições em Santa Catarina e está disposta a qualquer coisa para chegar ao poder. Recentemente, entraram com um pedido questionando o processo de eleição que foi acatado pelo Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina. A ação culminou em uma nova assembleia, que confirmou a data da eleição para o dia 12 de fevereiro. O MPT-SC e TRT 12 SC irão acompanhar as eleições.

Diante disso, o MLC propõe ser a alternativa necessária para que os trabalhadores de TI possam construir um sindicato que lute e traga conquistas para sua categoria, com coragem e sem oportunismos. Vamos lutar por um sindicato classista e revolucionário de fato, que tenha a sua frente dirigentes que representam a categoria e não se pautem pela vontade dos patrões!

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