Após três dias de greve combativa, os trabalhadores da limpeza urbana de Belo Horizonte, empregados da terceirizada Sistemma, obtiveram uma vitória significativa. O jornal A Verdade esteve em todo o processo, documentando a realidade da exploração e a força da auto-organização operária, conversando diretamente com os garis nos portões da empresa.
Reinilson Câmara Filho e Mateus Teixeira | Belo Horizonte (MG)
A paralisação, deflagrada pela base no dia 19/01, segunda-feira, foi a resposta inevitável a meses de ataques brutais. Laender, coletor há anos no serviço, relatou a situação degradante: “Os caminhões estão tudo estragado, não tem peças… é uma falta de respeito com nós trabalhadores. O FGTS realmente não estava caindo, tem gari com três meses atrasado. A gente não tem convênio médico, um trabalho que você fica muito exposto a vários riscos”. A superexploração se expressava na imposição de três garis por caminhão, violando o contrato e sobrecarregando os trabalhadores, que ainda eram forçados a fazer rotas dobradas. Diante disso, a decisão foi coletiva e firme: “A gente não vai aceitar isso mais cara… Nós, garis, não vamos mais abaixar a cabeça”, afirmou Laender.
A Base Decide, a Burocracia Atrasa
A greve explodiu através da iniciativa direta dos trabalhadores, evidenciando o distanciamento entre a base e a direção do Sindeac, sidicato que representa a categoria. Enquanto os garis mantinham a firmeza no portão, o sindicato se manteve ausente. Laender destacou a importância da ação independente e da unidade: “Em 2017 as firmas queria diminuir os coletores, querendo forçar a todos a trabalhar de três [garis por caminhão]. Todo mundo parou, não aceitou, bateu o pé e conseguiram voltar a trabalhar de quatro [garis por caminhão]… Só que tá voltando a acontecer isso tudo de novo. Agora a gente entende que, como dizia aquele ditado, ‘o povo unido jamais será vencido’. É a nossa união que faz a força”. Apenas sob a pressão da luta é que a direção sindical apareceu, tentando capitalizar uma vitória que não construiu.
Vitória Concretizada e Alerta Permanente
A pressão dos trabalhadores unidos obrigou os patrões a recuar. O acordo garante a recomposição das equipes para quatro garis por caminhão, a regularização do FGTS, o pagamento dos dias parados, vale transporte em dinheiro e melhorias na manutenção.
Contudo, a vitória é parcial. O acordo prevê uma frágil estabilidade de 45 dias. A burguesia, ferida em seus lucros, buscará retaliações. A presença de A Verdade nos três dias de conflito reforça o dever da imprensa operária: não apenas noticiar, mas participar, impulsionar a organização de classe e desmascarar a exploração. A luta dos garis de BH é a prova viva de que apenas a ação direta e a unidade combativa conquistam direitos. O recado está dado: a organização no local de trabalho é a trincheira irrevogável da classe operária.
Todo apoio à luta dos garis!
Pelo fim da terceirização! Fortalecer a organização nos locais de trabalho!
O povo unido jamais será vencido!