A justiça tinha suspenso o aumento das passagens na região metropolitana, aprovada de forma antidemocrática no último 15 de janeiro por irregularidades. Agora, o Tribunal de Justiça de Pernambuco, indo na contramão da realidade da maioria dos recifenses, retomou o aumento, que vai atingir diretamente o bolso dos mais pobres.
Redação Pernambuco
SOCIEDADE- Na última sexta-feira (23) a juíza Nicole de Faria Neves, do 5º Juizado Especial da Fazenda da Capital, suspendeu o reajuste da passagem na região metropolitana do Recife. O aumento tinha sido aprovado em reunião do Conselho Superior de Transporte Público em 15 de janeiro, mesmo com os movimentos sociais ocupando a sede da Grande Recife Consórcio de Transporte, empresa responsável pelo gerenciamento do transporte na região metropolitana. Com o ajuste, a passagem passaria de R$ 4,30 para R$ 4,50 e entraria em vigor dia 1 de fevereiro. Acontece que o Presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco, o desembargador Ricardo Paes Barreto, decidiu revogar a suspensão, mantendo o aumento, com a justificativa de que “a suspensão traria prejuízo ao governo do estado”.
Esse aumento da passagem é mais um ataque ao nosso bolso e uma mostra de qual lado está a justiça e pra quem governa as autoridades do estado. Enquanto isso um trabalhador, que gasta cerca de 30% de seu salário com transporte e amarga com o alto custo de vida na região metropolitana do Recife, uma das maiores do Nordeste.
Do lado de quem?
Os subsídios para as empresas do transporte estão estimados em mais de R$ 400 milhões para 2025/2026. A governadora Raquel Lyra (PSD) opta por mais benefícios para as empresas em pleno ano de eleição, além da proposta de privatização do metrô, com o vergonhoso apoio do governo Lula. Segundo Maria Santos, presidente da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP), “nem o conselho que aprovou o aumento nem o governo estadual ouviram os estudantes e os trabalhadores. O governo não dialoga com quem usa o transporte cotidianamente”.
Essa série de aumentos de passagens voltou com força. Ao menos 8 capitais anunciaram o reajuste em janeiro de 2026, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza. Isso mostra que a ofensiva dos empresários do transporte, os patrocinadores das campanhas dos atuais governadores e prefeitos dessas cidades, precisa ser enfrentada e combatida nas ruas.
Com o segundo pior índice de congestionamento e o quarto pior tempo de deslocamento das capitais do país (dados da pesquisa mundial do Moovit) o aumento das passagens vai atingir diretamente a classe mais humilde, os estudantes e as periferias, que dependem do transporte coletivo. É urgente continuar nas ruas e ampliar as denuncias do que está sendo feito pelas autoridades. Segundo Maria, “defendemos um transporte público de verdade, com passe livre para estudantes, trabalhadores e desempregados. Um transporte organizado diz respeito a qualidade de vida, e isso não pode ser visto como um gasto, muito menos uma mercadoria. Nós iremos continuar nas ruas contra esse atraso”, afirma.