“Faz diferença prezar pela ligação de cada militante com a massa, para que ele sinta e veja com seus próprios olhos a força e a vontade de lutar que o nosso povo tem.”
Coordenação Nacional da UJR
JUVENTUDE – A União da Juventude Rebelião foi criada em 1995 com a tarefa histórica de organizar a indignação da juventude, vanguardear o processo de formação de quadros para a revolução, desgastar o capitalismo, tirar o poder das mãos dos ricos e construir o socialismo. Nesses 30 anos, a UJR se tornou uma organização nacional, inserida em centenas de bairros, escolas e universidades, organizando e participando ativamente das principais lutas pela educação e pelos direitos sociais da juventude e dos trabalhadores.
Porém, não é sem obstáculos que avançamos. Inclusive, uma das maiores barreiras que precisamos superar é o número de afastamentos de companheiros e companheiras. Existe uma parcela que se distancia da organização pela falta de assistência política cotidiana aos núcleos. Outra que não leu nossos documentos com a profundidade necessária, e há até mesmo os que não vão sequer a sua primeira reunião. Essas situações não podem ser tratadas com se não acontecessem e precisam ser solucionadas.
No entanto, outra questão vivenciada é de camaradas que ingressam na UJR, participam ativamente das reuniões e tarefas, mas também acabam, depois de um certo tempo, afastando-se de nós. Dizem: “eu concordo com a linha política, com as lutas que a juventude faz, mas particularmente não dou conta, não tenho tempo, estou triste e sobrecarregado”.
De fato, ouvir ou até pensar isso não é nenhuma surpresa, pois rotineiramente, quase sem percebermos, a máquina de propaganda dos ricos nos convence de que “é preciso cuidar primeiro de si antes de cuidar dos outros”, ou que “não vale a pena se preocupar com os problemas do mundo porque nós já temos os nossos próprios”, e mais: que “o capitalismo é forte demais para ser derrotado, e que lutar, portanto, é uma ação infrutífera, um trabalho cansativo, que não leva a lugar nenhum”.
Pois bem, não estamos organizando nossa juventude longe dos problemas da sociedade capitalista. Pelo contrário, estamos fazendo isso em pleno campo de batalha da luta de classes. Portanto, as opiniões e decisões aparentemente individuais não aparecem espontaneamente na personalidade de cada um de nós. Existe uma disputa feroz de nossas consciências para nos sentirmos impotentes e permanecermos apáticos e inertes à exploração. Existe uma disputa feroz sobre o que fazer com a vida que se tem, se é correto dedicar-se à luta revolucionária ou não.
Por isso, enquanto militantes da UJR, precisamos fortalecer nossa unidade e garantir que nem nós nem nossos camaradas se afastem ou desistam da luta. Para alcançar esse objetivo, é fundamental cuidar constantemente da nossa formação ideológica.
Ideologia proletária
Os chamados “problemas pessoais” apenas aparentam ser exclusivamente seus ou do seu grupo familiar. Na verdade, em todos os casos, os problemas que a classe trabalhadora enfrenta são problemas sociais e, portanto, só serão solucionados socialmente, e não individualmente. Isso significa que a melhor forma de cuidar da própria vida é estar reunido e organizado coletivamente, dividindo suas dores e suas revoltas com o mesmo dolorido e revoltado povo trabalhador. Cuidar-se é ligar-se às massas que passam exatamente pelos mesmos problemas do desemprego e do baixo salário, da falta de tempo e de más condições de saúde física e mental, chamando-as para a lutar contigo e com nosso partido.
Posto isso, é necessário combater a falsa ideia de que “cuidar da própria vida” é sinônimo de abandonar a luta e a UJR. Afinal de contas, o que propaga a burguesia quando entoa essa palavra de ordem? Fundamentalmente, o objetivo deles sempre é desunir e desorganizar o povo, isolar os jovens e os trabalhadores em seu suposto “próprio mundo”, inclusive, de maneira rasteira e perversa, por meio das nada imparciais redes digitais.
É necessário desmascarar as mentiras e ilusões propagadas por influenciadores, artistas, programas de TV, filmes, músicas e outros veículos culturais utilizados pela ideologia burguesa. Em especial, devemos questionar a ideia de um autocuidado individualista e as falsas definições de sucesso e felicidade que essa sociedade de consumismo e ostentação insiste em nos impor.
De modo geral, a realização e a vontade de viver de uma pessoa não se medem pelos bens materiais que ela acumula, mas sim pela sua capacidade de compartilhar bons momentos com companheiros, amigos e familiares, cultivar valores como honestidade, solidariedade, humildade, coerência e simplicidade. Acima de tudo, para estar bem é essencial preservar a perspectiva revolucionária – a convicção de que é possível construir e viver em um mundo melhor. Posto isso, ser um verdadeiro comunista significa ter um propósito que dá sentido à vida.
Não é à toa que nos entusiasmamos com a experiência de conquistar uma nova escola no bairro ou um novo bandejão para alimentar os estudantes que mais precisam, conquistar a abertura e ampliação de bolsas e moradias estudantis, pois é justamente essa a prova de que coletivamente avançamos para alcançar o direito de cada um! E continua: quanto mais consciência adquirimos, também nos enchemos de felicidade ao apoiar uma ocupação de moradia, dando função social a uma propriedade privada abandonada e construindo um conjunto habitacional com centenas de famílias.
Comemoramos também a união dos trabalhadores em luta, em greve, vencendo a ganância dos patrões, parando as máquinas e só assim conquistando o aumento salarial. Em momentos de repressão, nos preenchemos de coragem, de honra, ao ver nossas camaradas enfrentando a violência do Estado de cabeça erguida, defendendo nossas bandeiras de luta. Da mesma forma, saímos de brigadas do jornal A Verdade com mais energia do que entramos, porque conversamos com pessoas simples que apostam e confiam muito em nós.
Pois bem, é essa vida que o capitalismo quer esconder de milhões de pessoas, fingindo que a culpa da pobreza e os seus reflexos são individuais, enquanto apenas meia dúzia de parasitas bilionários não trabalha, não passa sufoco, não passa fome, esbanja, é gananciosa, é preguiçosa, hostil e odeia trabalhador.
Dessa maneira, precisamos travar uma luta decidida contra o individualismo pequeno-burguês que nos atinge, assimilando a ciência marxista-leninista, se quisermos garantir que toda a nossa militância persista e resista aos ataques ideológicos contra a organização da nossa classe.
Para fazer essa luta, faz diferença na hora do recrutamento ler junto os documentos da juventude, explicando e discutindo profundamente as ideias do socialismo que ali expomos. Faz diferença encontrar os camaradas no dia a dia para além das reuniões, para almoçar, ir ao teatro assistir a uma peça combativa, praticar alguma modalidade esportiva, conhecer-se melhor, conversar!
Também faz diferença, novamente, prezar pela ligação de cada militante com a massa, para que ele sinta e veja com seus próprios olhos a força e a vontade de lutar que o nosso povo tem. Acompanhar e compartilhar os aprendizados que temos com nossos estudos individuais. Fazer reuniões formativas, em que estudamos e debatemos lutas econômicas, políticas e ideológicas, e não apenas tiramos listas de tarefas de maneira burocrática.
Por fim, principalmente, faz diferença decidir não desistir quando um camarada, aos poucos, afasta-se da nossa organização. Não podemos nos dar ao luxo de abandonar um combatente, muito menos de atrasar a tarefa histórica que cabe a nossa geração cumprir. Precisamos formar nosso grande exército revolucionário para enterrar de vez o capitalismo e viver, enfim, felizes como a futura classe operária, produtora e usufruidora de todas as riquezas da terra.
Reafirmamos, camaradas, que nossa palavra de ordem deve ser: uma vez comunista, cada vez mais comunista! Devemos dedicar nossos esforços a reencontrar todos os companheiros que, temporariamente, tenham sido capturados pela ideologia burguesa, assim como aqueles que hoje vacilam. É nosso dever trazê-los novamente ao nosso lado, ao lado do coletivo e do socialismo!