Este texto corresponde ao capítulo VI do documento “A Estrutura, os Métodos e a Ação dos Partidos Comunistas”, da III Internacional Comunista, aprovado em seu 3º Congresso, em junho de 1921.
A imprensa comunista deve ser desenvolvida e melhorada pelo Partido com uma energia infatigável.
Nenhum jornal poderá ser reconhecido como órgão comunista se não estiver submetido às diretrizes do Partido. Este princípio deve ser aplicado também às produções literárias, como livros, brochuras, escritos periódicos, etc., levando em consideração seu caráter científico, de propaganda ou outro.
O Partido deve se esforçar para ter bons jornais, antes de ter muitos. Todo Partido Comunista deve ter um órgão central, sempre que possível, diário.
Um jornal comunista não deve jamais se tornar uma empresa capitalista, como são os jornais burgueses pretensamente “socialistas”. Nosso jornal deve ser independente das instituições de crédito capitalistas. A organização ágil da publicidade por anúncios, que pode melhorar consideravelmente as condições de existência do nosso jornal, não deve ficar na dependência das grandes empresas de publicidade. Logo, uma atitude inflexível em todas as questões sociais proletárias dará aos jornais de nosso Partido uma força e uma consideração absolutas. Nosso jornal não deve servir para satisfazer o gosto sensacionalista nem a diversão de um público variado. Ele não deve fazer concessões à crítica dos literatos pequeno-burgueses ou aos virtuoses do jornalismo para criar uma clientela de salão.
Um jornal comunista deve, antes de tudo, defender os interesses dos operários oprimidos e lutadores; deve ser nosso melhor propagandista e agitador, o propagandista dirigente da revolução proletária.
Nosso jornal tem por tarefa reunir as experiências adquiridas nas atividades de todos os membros do Partido e fazer disso um guia político para revisão e melhoria dos métodos de ação comunista. Essas experiências devem ser trocadas nas reuniões de redatores de todo o país, reuniões que procurem criar a maior unidade de tom e tendência no conjunto da imprensa do Partido. Assim, essa imprensa, como qualquer jornal em particular, será o melhor organizador do nosso trabalho revolucionário.
Sem esse trabalho consciente de organização e de coordenação dos jornais comunistas e, em particular, do órgão central, colocar em prática a centralização democrática e uma sadia divisão do trabalho no interior do Partido e, consequentemente, também o cumprimento de sua missão histórica, é impossível.
O jornal comunista deve tentar ser uma empresa comunista, isto é, uma organização proletária de combate, uma associação de operários revolucionários, de todos os que escrevem regularmente para o jornal, que o compõem, imprimem, administram, distribuem, reúnem o material de informação, discutem e elaboram nas células, enfim, que agem cotidianamente para distribuí-lo, etc.
Para fazer do jornal uma verdadeira organização de combate, uma poderosa e viva associação de trabalhadores comunistas, impõem-se várias medidas práticas.
Todo comunista se liga estreitamente a seu jornal, trabalhando e se sacrificando por ele. Ele é sua arma cotidiana que, para servir, deve se transformar cada vez mais forte e afiado. Somente graças aos sacrifícios financeiros e materiais o jornal comunista conseguirá se manter. Os membros do Partido devem, constantemente, fornecer os meios necessários para sua organização e para sua melhoria, até que ele seja distribuído nos grandes partidos legais e sólido o suficiente para organização do movimento comunista.
Não é suficiente ser um agitador e um recrutador zeloso para o jornal; é preciso também se transformar em colaborador útil. É preciso informar o mais rápido possível tudo o que mereça ser observado, do ponto de vista social e econômico, na fração sindical e nas células, do acidente de trabalho à reunião profissional, dos maus-tratos dispensados aos jovens aprendizes até o relatório comercial da empresa. As frações sindicais devem informar sobre as reuniões e sobre as decisões e medidas mais importantes tomadas por essas reuniões e pelas direções dos sindicatos, assim como sobre as atividades dos nossos adversários. A vida pública das reuniões e da rua oferece aos militantes atentos do Partido ocasião de observar com senso crítico os detalhes, cuja utilização pelos jornais tornará clara aos mais indiferentes nossa atitude em relação às exigências da vida.
A comissão de redação deve tratar com o maior carinho e zelo essas informações sobre a vida dos operários e suas organizações e utilizá-las como breves comunicações, dando a nosso jornal o caráter de uma verdadeira comunidade de trabalho, viva e forte, ou para, à luz desses exemplos práticos da vida cotidiana dos operários, tornar compreensíveis os ensinamentos do comunismo, o que constitui a via mais rápida para chegar a tornar viva e íntima a ideia do comunismo ente as grandes massas operárias.
Na medida do possível, a comissão de redação deverá estar à disposição dos operários que venham visitar nosso jornal nas horas mais favoráveis do dia para acolher suas necessidades e as queixas relativas à miséria de sua existência, para anotá-las com cuidado e servir-se delas para dar vida ao jornal. Certamente, na sociedade capitalista, nenhum dos nossos jornais se transformará numa verdadeira associação de trabalho comunista. Pode-se, entretanto, mesmo nas condições mais difíceis, organizar um jornal revolucionário operário partindo desse ponto de vista.
Isso está provado pelo exemplo do Pravda, de nossos camaradas russos, durante os anos de 1912-1913. Este jornal se constituiu realmente numa organização permanente e ativa dos operários revolucionários conscientes nos centros mais importantes do Império Russo. Esses camaradas redigiam, editavam e distribuíam conjuntamente o jornal; a maioria entre eles economizando o dinheiro necessário para as despesas do salário de seu trabalho. O jornal, por seu lado, pôde lhes dar o que eles desejavam e o que tinham necessidade nos momentos de luta e que hoje lhes serve ainda no trabalho e na luta. Tal jornal, com efeito, pode ser para os membros do Partido e para todos os operários revolucionários o que eles chamam de “nosso jornal”.
O elemento essencial da atividade da imprensa de combate comunista é a participação direta nas campanhas conduzidas pelo Partido. Se, em certo momento, a atividade do Partido estiver concentrada em determinada campanha, o jornal do Partido deve colocar a serviço dessa campanha todas as suas colunas, suas editorias, e não apenas os artigos de fundo. A redação deve encontrar, em todos os domínios, material para empreender essa campanha e alimentá-la da forma mais conveniente.
O recrutamento para nosso jornal deve ser seguido conforme um sistema estabelecido. Antes de mais nada, é preciso utilizar todas as situações nas quais os operários estejam vivamente integrados no movimento e nas quais a vida política e social esteja mais agitada, seguida de algum evento político e econômico. Assim, depois de cada greve ou paralisação, durante os quais o jornal defendeu franca e energicamente os interesses dos operários em luta, deve-se organizar, imediatamente após o fim da greve, um trabalho de recrutamento entre os que tenham participado da greve. Não apenas as frações comunistas dos sindicatos e das categorias envolvidas no movimento grevista devem levar a propaganda do jornal em seu meio por meio de listas e assinaturas, mas também, na medida do possível, deve-se procurar as listas dos operários que tenham feito a greve, bem como seus endereços, a fim de que os grupos especiais encarregados dos interesses do jornal possam levar uma agitação a domicílio.
Do mesmo modo, após toda campanha política eleitoral na qual seja despertado o interesse das massas operárias, deve ser levada uma campanha de agitação a domicílio, de casa em casa, pelos grupos de trabalhadores especialmente incumbidos desta tarefa nos diferentes bairros operários.
Durante as épocas de crise política ou econômica latentes, cujos efeitos se façam sentir nas massas operárias sob a forma de aumento de preços, desemprego e outras misérias, deve-se tentar, após uma propaganda hábil contra essa situação, obter, se possível, por intermédio das frações sindicais, grandes listas de operários organizados nos sindicatos, a fim de que o grupo especial do jornal possa continuar sistematicamente a agitação a domicílio.
O grupo especial encarregado dos interesses do jornal não deve deixar passar nenhuma reunião pública de operários, nenhuma grande manifestação sem, desde o início, e também durante os intervalos e ao final, agir de maneira mais ativa para obter assinaturas para nosso jornal. As frações sindicais devem cumprir esta tarefa também em todas as reuniões de seus sindicatos, nas células e frações sindicais e nas reuniões por categoria.
Nosso jornal deve ser constantemente defendido pelos membros do Partido contra todos os seus inimigos. Todos os membros devem levar uma luta impiedosa contra a imprensa capitalista, revelar sua venalidade, suas mentiras, sua vileza reticente e suas intrigas.
A imprensa social-democrata e socialista independente deve ser vencida e desmascarada em sua atitude traidora pelos exemplos da vida cotidiana, através de ataques contínuos, mas sem se envolver em pequenas polêmicas de fração. As frações sindicais e outras devem se aplicar organizadamente a subtrair a influência perturbadora e paralisante dos jornais social-democratas entre os membros dos sindicatos e de outras associações operárias. O trabalho de assinaturas para o nosso jornal, assim como a agitação a domicílio ou nas empresas, deve igualmente ser dirigido com habilidade contra a imprensa dos socialistas traidores.