UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Como organizar a classe operária nas fábricas?

Leia também

Diante da sistemática repressão patronal e das barreiras à livre organização sindical, o Movimento Luta de Classes reforça a necessidade de organizar núcleos operários combativos diretamente no “chão de fábrica”.

Coordenação Nacional do MLC


TRABALHADOR UNIDO – Os trabalhadores e as trabalhadoras das indústrias são a fonte principal da extração de mais-valia, são os que constroem e transformam as riquezas do Brasil em mercadorias nos mais diversos setores: alimentício, têxtil, químico, mineração, metalurgia, etc. E são os operários fabris que têm a condição de mudar profundamente a organização econômica de um país. Logo, sem a classe operária que está no chão de fábrica, a revolução socialista não acontece.

Sabendo dessa importância fundamental, os patrões e lacaios da burguesia jamais permitirão de bom grado que os trabalhadores se organizem para lutar por melhorias no seu local de trabalho, maiores salários, condições de trabalho e direitos trabalhistas. Por mais que o direito de organização sindical esteja previsto na Constituição Federal, sabemos que são muitas as empresas que demonizam e excluem a representação sindical, impedem a circulação de materiais informativos, perseguem os trabalhadores que se filiam ao sindicato e dificultam o contato entre o sindicato e os trabalhadores.

Como, então, é possível construir um movimento operário e sindical revolucionário debaixo de tamanha opressão? O primeiro passo é tomar a decisão de organizar a classe operária em seu local de trabalho sob quaisquer que forem as condições.

Lênin chegou a escrever, no seu texto Carta a um camarada: “A organização operária de fábrica deverá ser tão conspirativa em seu interior, quanto ‘ramificada’ no seu exterior, isto é, nas suas relações externas deverá levar seus tentáculos tão longe e nas mais diferentes direções, quanto qualquer outra organização revolucionária”.

Para o avanço ideológico dos trabalhadores, devem ser usadas as plenárias do socialismo, as rodas de conversa conjuntas com outros movimentos (MLB, Olga, UJR, FNR), assim como os documentários produzidos pelo jornal A Verdade e os livros das Edições Manoel Lisboa.

Mas é preciso, acima de tudo, um núcleo estável que se reúna periodicamente e realize ações práticas. Cada trabalhador ou trabalhadora que queira lutar deve estar organizados num núcleo do Movimento Luta de Classes (MLC), seja por local de trabalho, por categoria, seja por região.

É importante aproximar os operários recém-chegados ao Movimento por meio da realização de atividades culturais, visitas domiciliares e acompanhamento individual. Viver entre os operários significa ir ao futebol, às confraternizações, fazer exercícios juntos, ir ao churrasco do final de semana, conversar sobre a religião de forma respeitosa, enfim, participar da vida quotidiana.

Os comunistas que atuam dentro de uma fábrica devem, ainda, ser o espelho do novo homem e da nova mulher, devem ser símbolo de comprometimento com o serviço, de zelo com os materiais e com os colegas, deve elevar a moral dos trabalhadores, enaltecer suas criações e feitos, escutar com atenção e aprender com aqueles que têm mais experiência.

Ho Chi Minh nos ensina que os comunistas revolucionários devem “preocupar-se com as tarefas antes dos outros e descansar depois dos outros”. Mas o que isso quer dizer? A disciplina, a pontualidade, a organização no setor e a qualidade do trabalho realizado são questões cobradas da classe operária a todo o tempo. Esses requisitos são indispensáveis para que um comunista conquiste a confiança de seus colegas de trabalho.

Os comunistas devem compor as comissões de fábrica, participar da vida orgânica do seu local de trabalho. Mesmo sob condições duras de impedimento da organização sindical, as fábricas possuem órgãos internos que podem se transformar em organismos de luta e conquistas, como é o caso da Cipaa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio), que foi regularizada pelo Ministério do Trabalho.

Sua função é promover melhorias nas condições de saúde e segurança do trabalho, além de garantir que o trabalhador eleito tenha estabilidade no emprego até um ano após o fim do seu mandato, já que sabemos que as empresas precisam precarizar a saúde e a segurança do trabalhador para explorar e extrair mais lucros para seus bolsos.

Greves e lutas

As greves são a escola do socialismo na vida do operário. São deliberadas em assembleias dos trabalhadores de uma determinada categoria e, portanto, devemos participar ao máximo desses espaços, com o jornal A Verdade, para fortalecer o espírito de luta e levar aos trabalhadores uma mensagem política.

É dever dos comunistas estar nas assembleias, participar das reuniões do sindicato e dos grupos de trabalho, fazer uso da palavra, propor, defender a linha revolucionária dentro dos espaços sindicais, compor as fileiras sindicais, aumentar as filiações ao sindicato, defender a presença do sindicato nos locais de trabalho, participar dos congressos e conferências temáticas e nunca se eximir de participar da disputa política dentro do sindicato.

Precisamos lutar para a estabilidade e duração das nossas ações, principalmente, no trabalho sindical. Devemos lutar por eleições democráticas e que representem a maior parte da categoria, assim, sentiremos nos votos dados à linha revolucionária a sinceridade e confiança dos trabalhadores no nosso trabalho realizado e ao que temos a realizar.

Matéria publicada na edição nº326 do Jornal A Verdade.

More articles

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimos artigos