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domingo, 15 de fevereiro de 2026

Polícia governada pelos fascistas invade sede da UP em Santa Catarina

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A Polícia Militar e a Polícia Civil de Santa Catarina invadiram e vandalizaram a sede da Unidade Popular (UP) e as residências de militantes do MLB.

Redação SC


PARTIDO – No dia 27 de novembro, a sede do partido Unidade Popular (UP) foi invadida e vandalizada pela Polícia Militar, junto com a Polícia Civil, a mando do governo do Estado de Santa Catarina. A polícia arrombou a porta, revirou e confiscou arbitrariamente itens como computadores, que estavam no local. Ao mesmo tempo, quatro militantes do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) foram coagidos e intimidados com viaturas em suas casas, tendo seus celulares, computadores e outros objetos pessoais apreendidos.

A alegação para justificar a invasão da sede e das casas dos militantes divulgada pela PM de Santa Catarina mostra o uso do aparelho do Estado de forma política contra os movimentos sociais e partidos de esquerda. A ação se trata da Operação Incursio (em latim, significa embate, choque, invasão), que teria como objetivo o “enfrentamento de atos ilícitos praticados por um grupo suspeito de utilizar o direito constitucional de manifestação para a realização de condutas que extrapolavam os limites legais”. No entanto, as “condutas” apresentadas são lutas que a Unidade Popular e o MLB desenvolveram em todo o país pela dignidade do nosso povo.

No calendário das “ações ilegais”, são citadas as lutas contra a escala 6×1, contra a fome e pela redução dos preços dos alimentos, a luta por moradia digna e a denúncia de um evento na Univali patrocinado pelo Brasil Paralelo – empresa que produz conteúdos de extrema-direita, entre eles, um documentário que incita o ódio contra as mulheres –, e com a presença do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), militante de extrema-direita que já foi processado por transfobia, notícias falsas e difamação.

Esses são apenas os dados publicamente divulgados sobre a operação, pois ela ainda corre em sigilo. No entanto, um jornal conservador de Santa Catarina, que já recebeu R$ 216 mil em recursos públicos da Secretaria de Comunicação do Governo Estadual, publicou uma notícia com informações do inquérito.

Diversos partidos, entidades, coletivos, movimentos sociais e pessoas comprometidas com os direitos humanos manifestaram sua indignação com o ocorrido por meio de notas públicas e vídeos, apresentando o caráter antidemocrático do Governo do Estado de Santa Catarina, que hoje é chefiado pelo Partido Liberal (PL). Os movimentos defendem que a livre organização é um direito das trabalhadoras e trabalhadores, e que qualquer ação que a impeça deve ser firmemente combatida.

As ações de solidariedade e denúncia estão sendo feitas de diversas formas. No mesmo dia 27, poucas horas depois do ocorrido, a sede estadual da UP ficou lotada em plenária com membros da UP e movimentos, e mais de 15 organizações políticas, parlamentares, apoiadores e advogados para discutir ações políticas e legais. Uma das propostas encaminhadas foi um ato de rua perto da sede, que aconteceu no dia seguinte e serviu para dialogar com a população sobre o ocorrido.

Um ato ocorreu também em Itajaí, onde estão a maioria dos militantes perseguidos pelo Estado. Além disso, no dia 29, foi feita uma grande brigada do jornal A Verdade, que se somou ao ato do Dia Internacional de Solidariedade à Palestina, eventos em que os militantes da UP continuamente denunciaram a ação arbitrária que sofreram.

Invadir sede de partido é coisa de ditadura! Desde a redemocratização do país, em 1985, não há registros de ações similares a esta. Na plenária ocorrida no dia da ação, a ex-presa política da Novembrada Rosângela Koerich de Souza contou que, em dezembro de 1979, a Polícia entrou na sua casa e a prendeu.

O presidente da UP, Léo Péricles, afirmou que a ação possui caráter fascista, e tenta criminalizar o partido. “Não fazem isso com a sede do partido do ex-presidente que tentou dar um golpe. Eles tentam inverter a realidade, mas o nosso povo não é burro”.

Por isso, seguimos com a campanha em defesa da UP e do MLB com mais atos e denúncias públicas. Lutar não é crime! Organize-se na Unidade Popular!

Matéria publicada na edição nº326 do Jornal A Verdade.

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