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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Banqueiros enriquecem com fraudes e corrupção

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A intervenção do Banco Central no Banco Master revelou o que pode ser o maior esquema de fraude financeira da história do Brasil, com um rombo estimado em R$ 55 bilhões.

Serley Leal | Fortaleza (CE)


BRASIL – Maracutaias e corrupção não são novidades no sistema financeiro do Brasil. Aliás, elas são tão comuns quanto as altas taxas de juros cobradas dos correntistas que geraram, somente em 2025, R$ 58 bilhões de lucros para os cinco maiores bancos privados que atuam no país.

Os donos dos bancos sempre enriqueceram com o roubo “legalizado” ou com as falcatruas protegidas pelos mais altos escalões da República.

Mas porque os bancos têm tanto poder? Como todas as operações financeiras são controladas pelos bancos, eles concentram enorme poder e influência. Seus donos indicam até o presidente da instituição que os fiscaliza, o Banco Central. Obviamente, com isso, determinam toda política monetária, impõem as regras, controlam as reservas e as taxas de juros praticadas pelo mercado.

A atual organização do sistema financeiro nacional tem sua origem na ditadura militar, que incentivou a fusão dos bancos para viabilizar o chamado “milagre econômico”. Desde então, os principais bancos passaram a concentrar quase 85% dos depósitos de toda a população. É uma história de corrupção, opulência e muito poder.

Na década de 1980, esses magnatas enriqueceram com a hiperinflação e o desvios de verbas públicas para salvar muitos bancos em falência socorridos pelo BC. Em 1990, o Programa de Reestruturação do Sistema Financeiro (Proer), que saneou os bancos estaduais antes de serem privatizados a preço de banana, foi um dos maiores crimes contra o povo (em valores atualizados, os custos para os cofres públicos passaram de R$ 45 bilhões).

Em 2002, o Banco Central teve prejuízo de R$ 17,2 bilhões com o escândalo do banco Marka-Fontecidam com operações irregulares de compra de dólares; em 2005, o banco Santos sofreu uma intervenção do BC, gerando um prejuízo de R$ 2,9 bilhões; em 2010, o Panamericano, de propriedade da família Sílvio Santos, causou um rombo de R$ 4 bi após fraude financeira.

Atualmente, com a criação dos bancos digitais, as máfias e o crime organizado estão se aliando com os operadores dessas instituições para lavar dinheiro e acumular enormes fortunas.

A fraude do Banco Master

O mais recente caso de fraude foi revelado após a intervenção do Banco Central no Banco de Master, de propriedade do banqueiro Daniel Vorcaro.

Entre 2019 e 2024, Vorcaro transformou o Master numa empresa de R$ 4,2 bilhões de patrimônio líquido e com uma carteira de crédito de R$ 40 bilhões. “Milagre” de gestão? Não! Pura e simplesmente fraude.

A operação funcionava assim: ele captava recursos dos correntistas oferecendo uma taxa de juros maior do que os outros bancos. Por exemplo, se a Caixa Econômica oferecia 90% do CDI, o que significa aproximadamente 1% de rendimento ao mês no CDB, o Master oferecia 130%, resultando num ganho maior para quem aplicasse. Com esses valores arrecadados, o banco oferecia empréstimos de alto risco para cobrir as taxas, além de comprar carteiras de créditos de outras instituições com dificuldades para recuperá-los e adquirir ações ou aplicar em projetos com maior risco. Resultado: os negócios programados não resultaram em lucros suficientes para honrar seus compromissos com os correntistas, e Vorcaro passou a oferecer fundos com maiores rendimentos sem apresentar os riscos. É como um sistema de pirâmide financeira: para manter os pagamentos anteriores, você tem que aumentar o número de pessoas que financia. Porém, uma hora a casa cai…

Antes do Banco Central intervir, os investigadores perceberam diversas movimentações irregulares. A maior delas foi uma operação de venda de carteira de crédito ao BRB (Banco Regional de Brasília), pertencente ao Distrito Federal, por R$ 12 bilhões. O problema era que os contratos vinculados eram falsos, resultando num prejuízo para o BRB. A operação tinha sido articulada até com o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), juntamente com os principais diretores e o presidente da instituição, Paulo Henrique Costa.

Essa maracutaia era uma forma de cobrir o rombo que já existia no banco Master. Ao aprofundar as investigações, a Polícia Federal e o Banco Central perceberam outras dezenas de operações ilícitas cometidas pelos gestores. As estimativas apontam para um prejuízo de R$ 55 bilhões, o maior da história do Brasil.

Prejuízo ao povo

As investigações já revelaram que deputados e senadores, ministros do Supremo Tribunal Federal, governadores, diretores do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro e até do Tribunal de Contas da União tentaram influenciar ou mesmo abafar essas investigações. Obviamente, outros banqueiros têm grande interesse em ficar com a massa falida do Banco Master e pressionam o Banco Central. Por outro lado, os investidores e parceiros de negócios de Daniel Vorcaro insistem em protegê-lo, mas, como o roubo é muito grande, não conseguirão jogar o crime para “debaixo do tapete”.

Por outro lado, os correntistas que têm até R$ 250 mil aplicados serão ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Crédito, responsável pela proteção dos poupadores. Quem tiver valores superiores, vai ter que esperar decisão judicial após finalizar todo o processo de liquidação do banco. Esse fundo é administrado pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central e tem uma quota de todas as instituições financeiras, entre elas os bancos públicos. Ou seja, uma parte do prejuízo causado pelo Master será pago pelo povo brasileiro.

A conclusão é uma só: a raiz de todas as fraudes no sistema financeiro brasileiro está na enorme ganância dos banqueiros, na certeza de impunidade, na busca incessante de lucro, no desejo de viver no luxo (Vorcaro gastou R$ 15 milhões na festa de 15 anos de sua filha), enquanto milhões de pessoas vivem miseravelmente. Enquanto esse sistema financeiro privado existir, novos casos como esse continuarão estampando os jornais e o dinheiro do povo brasileiro continuará servindo para enriquecer meia dúzia de bilionários.

Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade

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