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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Povo Turiwara luta e resiste em defesa de seus direitos territoriais no Pará

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Povo Turiwara luta contra falta de serviços públicos e perseguição do agronegócio em Tomé-Açu, no Pará.

Ayry Guará Porã Tupinambá | Tomé-Açu – PA


LUTA POPULAR – O povo Turiwara é um povo indígena que habita a região do Vale do Acará, no nordeste do Pará, no município de Tomé-Açu. Atualmente, as comunidades Turiwara travam uma luta pela garantia de um direito básico em seu território: a construção de uma escola indígena e de um posto de saúde. Ambos os pedidos foram negados pela prefeitura do município, sob a gestão do prefeito Carlos Vila Nova (MDB) e do vice-prefeito Rosielson Ladeira (Podemos).

A prefeitura alegou falta de recursos para a construção desses serviços, afirmando que não estariam previstos no orçamento municipal, mesmo a educação escolar indígena e a saúde diferenciada serem direitos garantidos por legislações federais. Essa negativa não é um fato isolado: há anos o povo Turiwara sofre com a negligência do poder público municipal, que se recusa a dialogar, ignora as demandas da comunidade e atua para desmobilizar suas organizações e reivindicações, como informou Kai’hu Turiwara, liderança de uma das comunidades.

Diante da omissão do Estado, o povo Turiwara se organizou coletivamente e levantou recursos próprios para construir a escola e o posto de saúde. Ainda assim, a prefeitura de Tomé-Açu interveio para impedir as obras, alegando que os equipamentos deveriam atender à população em geral e, portanto, estar localizados fora do território indígena. Uma manobra política que busca negar a autodeterminação do povo Turiwara e violar seu direito ao uso pleno do território.

Agronegócio ataca povos indígenas

O conflito vivido pelo povo Turiwara não pode ser compreendido de forma isolada. O prefeito de Tomé-Açu é empresário do setor do agronegócio do dendê, atividade que há décadas concentra terras no município e opera como um dos principais vetores de acumulação de capital na região. A dendeicultura local envolve grandes empresas, como a Agropalma, a Brasil Bio Fuels (BBF) e a Sapucaia, todas empresas monocultoras ligadas a conflitos agrários na região.

Nesse contexto, os ataques ao povo Turiwara se inserem em um processo mais amplo de avanço do agronegócio sobre territórios indígenas e de comunidades tradicionais. Trata-se de um modelo que promove a expropriação territorial, a destruição ambiental, a contaminação dos rios e do solo e a ruptura dos modos de vida ancestrais, aprofundando a violência estrutural contra os povos da região.

Além disso, há um padrão evidente de repressão estatal. A presença recorrente de policiais fortemente armados no território Turiwara, supostamente a mando de um assessor do governo estadual, as tentativas de vigilância, intimidação e criminalização da luta indígena, bem como o bloqueio e a repressão às manifestações, revelam o uso do aparato policial como instrumento de contenção política a serviço dos interesses do agronegócio.

Saída é a organização e luta popular 

Mesmo diante da repressão promovida pelo Estado, acionou homens armados para intervir no território indígena, o povo Turiwara respondeu com organização e resistência. De acordo com as lideranças comunitárias, foram realizadas denúncias públicas, mobilizações nas redes sociais, atos políticos e o enfrentamento direto às tentativas de invasão. Apesar das ameaças, a comunidade não recuou.

A resistência do povo Turiwara se estrutura por meio de seus institutos, associações e mobilizações comunitárias, articulando a defesa do território, a reivindicação de direitos e a denúncia das violações enfrentadas. Como apontam as lideranças indígenas, a atuação da prefeitura de Tomé-Açu, a intervenção policial no território e o avanço do agronegócio do dendê são elementos centrais na atual negação do direito à educação e à saúde no território Turiwara.

A experiência do povo Turiwara demonstra que a organização popular é uma ferramenta concreta de enfrentamento às dinâmicas de expropriação e violência. Ao levantar seus próprios recursos, iniciar a construção da escola e do posto de saúde, o povo Turiwara reafirma que a luta organizada é capaz de enfrentar os ataques a seus direitos, até mesmo barrar a entrada policial no território por meio das ações coletivas.

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