Alternando estudos teóricos sobre o marxismo-leninismo com atividades práticas, exercícios físicos e vivências em ocupações urbanas, a atividade consolidou a disciplina militante e o compromisso com a construção do socialismo, preparando os jovens para os desafios organizativos de 2026.
Sabrina Ferreira | Redação PR
JUVENTUDE – Entre os dias 6 e 12 de fevereiro, ocupamos Curitiba com 30 militantes decididos a fazer da 1ª Semana Vermelha da UJR um marco de organização e rebeldia! Convocamos militantes do litoral à fronteira do estado e por isso, tínhamos o desafio de arrecadar R$ 4.500 em passagens. Para garantir a execução da atividade, usamos a criatividade e a política: contamos com nossos aliados, que conhecem as lutas da nossa organização no cotidiano, além de construirmos relações politizadas com nossos familiares e amigos para apoiarem a construção da juventude revolucionária. Militantes, por iniciativa própria, desapegaram de itens que não precisavam mais, arrecadaram recursos que foram investidos na Escola do Socialismo. Resultado: quebramos diversas barreiras antes mesmo da escola começar!
Antes mesmo do início oficial, a 1ª Semana Vermelha já mobilizava a militância com a ‘campanha da porcentagem’. A dinâmica era simples: o valor total foi dividido em cem cotas de R$ 45,00 (1%) e, a cada meta atingida, um quadradinho era preenchido no mural. Essa visualização constante do progresso fortaleceu a confiança coletiva de que, tarefa a tarefa, superaríamos qualquer barreira para construir nossa organização.

Também fizemos arrecadações de alimentos para garantir a alimentação integral da militância. Diversas idas nas portas de mercado pedindo doações e brigadas do jornal A Verdade, conversas com vizinhos, familiares e militantes da Unidade Popular pelo Socialismo possibilitaram que fossem arrecadados mais de 40 quilos de frango, 20 quilos de arroz, 360 ovos, 10 quilos de frutas da estação e todos os itens necessários. Os pães foram produzidos pelos próprios militantes durante todas as manhãs. No primeiro dia de curso, atingimos 100% das nossas metas para as passagens e alimentação.
Com o clima de vitória, a alvorada começava às seis horas da manhã e o café era feito por comissões de militantes do próprio curso, era servido com frutas e proteínas antes da ida ao parque da cidade para a realização de 50 minutos de exercício físicos, com alongamentos e brincadeiras e 45 minutos dedicados para o estudo individual ao ar livre.
Às nove horas começavam os trabalhos. Nos três dias primeiros dias, realizamos ativos de organização, trabalho de massas e finanças, contando com a presença do secretariado nacional da UJR. As lutas apresentadas na matéria “7° Congresso do PCR define novas tarefas dos revolucionários diante da ameaça imperialista” da edição 327 do jornal A Verdade escancarou a necessidade de, em 2026, triplicarmos a nossa organização, assim como elevar a capacidade de organização, direção e inserção nas lutas concretas.
O plenário discutiu a execução dessas missões a partir de uma reflexão profunda sobre o significado prático de ser uma União da Juventude ‘REBELIÃO’. Não há possibilidade de uma organização revolucionária crescer sem organizar lutas concretas na sociedade e modificar a realidade em que vivem. Che Guevara já assinalava que “ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética”. Sendo assim, uma juventude revolucionária tem o dever de desgastar o sistema capitalista e forjar quadros para a revolução.
Enfrentar os medos e as inseguranças é um dever revolucionário; somente a luta pode modificar nossa realidade e as lutas de um jovem comunista devem ser pelo novo: o novo ser humano, as novas relações e a nova sociedade. Devemos ansiar o novo e não evitá-lo, afinal, quem defende a manutenção das estruturas atuais não são os revolucionários. O clima dos debates e das propostas formuladas inspirou a militância a criar uma palavra de ordem que sintetizasse o acúmulo coletivo: “Coragem! Disciplina! E ousadia | Viva a UJR, toca luta todo dia!”.
Consolidar o jornal A Verdade na relação com o povo
A militância da UJR tem aprofundado o debate sobre avançar a relação com a nossa melhor ferramenta de luta: o jornal A Verdade; e ligá-lo de forma inquebrantável ao nosso cotidiano. Por isso, planejamos a campanha de emulação Emmanuel Bezerra, que colocou a juventude no exercício de falar mais sobre o socialismo com os trabalhadores da cidade, nos tubos de ônibus (paradas de ônibus), na entrada do Restaurante Popular e nas praças. Também realizamos diversas brigadas extras durante a 1ª Semana Vermelha, em especial junto aos estudantes nas portas das escolas, chamando para lutar e construir uma UBES combativa em seu 46° Congresso. Também construímos a Brigada Nacional dentro do IFPR, revezando turnos das equipes de brigadistas para passar nas salas, desejar boas vindas aos calouros e convidar a construir a luta popular.
O sucesso da atividade evidenciou que é possível fazer o extraordinário no trabalho diário. Não há outro caminho para organizar nosso povo senão cada um de nós irmos às ruas denunciar e, organizar lutas e vitórias que desgastam o capitalismo, ganhando a consciência das pessoas para a nossa política e conquistando mentes e corações. Assim, durante essa semana 253 jornais foram convencidos, mais de R$ 400 em doações arrecadados para consolidar o jornal semanal e coletados 40 contatos de jovens e trabalhadores interessados em construir o socialismo! O militante que ganhou destaque no primeiro lugar da emulação foi presenteado com uma camiseta cuja estampa homenageia Emmanuel Bezerra, como símbolo da liberdade futura que se constroi diante de nosso trabalho cotidiano.

Lutar e Estudar, Estudar e Lutar!
A nova edição da Escola Sarah Domingues fechou a 1ª Semana Vermelha. Essa nova edição contou com aulas de Filosofia Marxista, Economia Política Marxista e Fundamentos do Leninismo. A Coordenação Nacional da UJR garantiu a presença de mediadores de três estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
Durante as exposições, as lutas políticas e ideológicas acentuadas nas aulas foram preparadas para as questões específicas do território. Um dos exercícios propostos desafiou a militância em pensar em intervenções que escancarassem a mais-valia em diversos cenários (na porta da fábrica, numa passagem em sala, em uma batalha de rima e numa reunião das famílias do bairro). Após as apresentações, o coletivo pôde opinar, sugerir alterações e valorizar os itens mais importantes. Assim, durante as brigadas no período da semana, as intervenções foram se aperfeiçoando nas abordagens da população e na coleta de contatos, além de escancarar os elementos que devem ser aprofundados na formação da militância.
“Pudemos ver na nossa prática, na própria construção da atividade durante o dia a dia o que aprendemos na escola. Aprendemos sobre mais-valia, como apresentar para o trabalhador e, logo após, na volta, toda a juventude aplicando no caminho para onde estávamos alojados”, afirmou Giovanny Godoi, militante do interior do estado.

Resistência e cultura
Alguns dias antes de iniciarmos as atividades, o combativo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) realizou sua primeira ocupação de moradia no estado do Paraná (ver matéria “Ocupação Francisco Bernardo nasce no Centro de Curitiba” da edição 328 do Jornal A Verdade). Para juntar as lutas pela resistência travadas pelas famílias e pela juventude, realizamos uma grande feijoada com ingressos solidários aos participantes da 1ª Semana Vermelha. Nesse espaço inédito de luta do povo favelado do Paraná, os militantes se envolveram na construção e na vivência de um verdadeiro território livre da fome.
À noite nos dedicamos às atividades externas e de lazer. Nesses momentos, a cultura foi crucial para elevar o nível de debate em torno das tarefas colocadas à UJR no estado. Um cinedebate que exibiu o filme “Saneamento Básico”, de 2007, ocorreu numa das noites da 1ª Semana Vermelha na intenção de instigar a reflexão sobre a criatividade exigida para solucionar os problemas e alavancar a construção material da nossa organização. No longa-metragem, uma comunidade do interior do Rio Grande do Sul necessita de uma fossa séptica e, não tendo recursos públicos para o saneamento básico, os trabalhadores veem-se utilizando a única verba disponível, reservada à cultura, para realizar um filme e só então conquistar as reformas no esgoto da região. “A obra nos fez pensar que, de fato, devemos fazer por nossas mãos tudo o que a nós nos diz respeito. Independente das adversidades, nós, assim como nosso povo, temos as condições para utilizar dos recursos disponíveis das melhores e mais criativas formas, como foi a campanha da porcentagem, e concretizar o desenvolvimento da nossa tarefa histórica, que é a revolução socialista”, relata Belle Ullmann, militante no estado.
Organização, disciplina e lições coletivas diárias
Aquartelados na Ocupação de Mulheres Enedina Marques, a juventude preparou todas as etapas para garantir as atividades da 1ª Semana Vermelha no dia a dia. Com um cronograma bem definido, a comissão de disciplina garantiu a concentração e a fidelidade aos horários reservados para cada período.
Vários militantes assumiram novas tarefas de estrutura e inúmeros desafios apareceram. Foi central o processo de reflexão coletiva e autocrítica acerca da organização das atividades. O tempo para os debates em torno das exposições eram preciosos, portanto para corrigir a falta de organização e a má administração do tempo, o informe que precedia as atividades eram diários: apresentando os problemas e buscando uma alternativa coletiva para melhorarmos nossas ações e assim, ter a concentração, a disciplina e a direção coletiva para solucionar nossos problemas e acumular a teoria marxista-leninista com qualidade. Um bom comunista aprende o tempo todo, dentro e fora das reuniões, nos detalhes do cotidiano.
Além disso, como forma de refletir individual e coletivamente sobre as lutas políticas assimiladas nos ativos e aulas durante a semana, um painel feito de cartolina vermelha permaneceu colado na parede da sala onde os trabalhos foram realizados com o chamado: “Deixe um recado para a UJR em seus 30 anos”. Dessa maneira, os militantes colaram post-its com palavras de ordem que se propõem a colocar em prática no próximo período, como “contra a praga do desânimo”, “urgência em superar nossas debilidades” e “a disposição não deve estar acima da disciplina”.
Motivados pelo exemplo do patrono da União da Juventude Rebelião, Ernesto Che Guevara, os militantes organizaram como última atividade da semana um mutirão de limpeza da Ocupação Enedina Marques como trabalho voluntário. A partir dessa mobilização coletiva, não contribuímos apenas com a manutenção do espaço conquistado pela luta das mulheres trabalhadoras curitibanas, mas também compreendeu, na prática, o significado de um trabalho não alienado. Tornou-se perceptível a relação profunda que o jovem comunista possui com a construção do socialismo por meio da iniciativa voluntária e ativa.
A 1ª Semana Vermelha provou para nós que quando nos convencemos de alguma atividade, que somos convencidos da nossa política levamos a cabo com alegria. Não haverá barreiras financeiras, barreiras estruturais que nos impedirão de cumprir o nosso papel histórico de sermos a última a geração a viver no capitalismo e a primeira geração a ver os raios de sol da sociedade nova, da sociedade da liberdade, da sociedade socialista! Se lutarmos, venceremos! Sem dúvida venceremos!
