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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Tragédia na Zona da Mata mineira é fruto do descaso do Estado

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A Zona da Mata mineira sofre com as enchentes e a negligência do poder público que privilegia a especulação imobiliária em detrimento da vida do povo. Os cortes nas verbas de prevenção e a falta de moradia digna empurram a população periférica para as áreas de risco, expondo a lógica do Estado de priorizar o capital enquanto o povo pobre sofre com tragédias anunciadas.

Reyel Almeida | Juiz de Fora – MG



Nesta segunda-feira (23), diversas cidades da região da Zona da Mata mineira, como Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, foram atingidas por enchentes e deslizamentos que contabilizam, até a publicação desta matéria, mais de 400 pessoas desabrigadas, 36 vítimas fatais e dezenas de desaparecidos. A maioria dos atingidos são moradores de periferia.

Mais uma vez, a classe trabalhadora e o povo pobre de Juiz de Fora e região são castigados não só pela chuva, mas pela omissão do Estado burguês em prevenir desastres e deslizamentos de terra, mesmo sabendo que todos os anos a situação se repete. Nossas cidades não contam com planejamento urbano adequado; o que prevalece é a vontade das grandes construtoras.

Estado burguês condena o povo para garantir o lucro

Este cenário de calamidade não é novo, mas a intensificação de eventos como o atual reflete um padrão histórico de negligência que atravessa décadas. Nos últimos vinte e cinco anos, a Zona da Mata mineira tem sido palco de tragédias recorrentes que comprovam esse descaso: o desastre ambiental de Cataguases em 2003, o rompimento da barragem em Miraí em 2007 e as enchentes históricas de 2020, que deixaram dezenas de mortos. Mesmo quando não há vítimas fatais imediatas, como nos temporais recordes de dezembro de 2025 em Juiz de Fora, o rastro de destruição e o risco constante expõem a falha crônica do Estado em implementar políticas de prevenção e planejamento urbano eficazes, ignorando os alertas e o sofrimento de sua população mais vulnerável.

Em dois anos, o governador fascista Zema reduziu em 96% a verba de prevenção contra o impacto das chuvas em Minas Gerais, decaindo de R$ 135 milhões para R$6 milhões. De acordo com a Auditoria Cidadã da Dívida, o Governo Federal também cortou, em 2025, o equivalente a R$ 200 milhões do orçamento para prevenção de desastres ambientais. Além disso, o Poder Executivo deixou de aplicar cerca de 35% dos recursos já destinados à gestão de riscos e desastres, segundo dados do TCU.

 

Cidade de Ubá coberta pela água: a negligência do poder público já registra 7 vítimas fatais. Foto: Hélio de Souza
Cidade de Ubá coberta pela água: a negligência do poder público já registra 7 vítimas fatais. Foto: Hélio de Souza

Especulação imobiliária faz o povo morar em áreas de risco

A classe trabalhadora sofre pela especulação imobiliária, que empurra o povo que não tem condições de pagar aluguéis caríssimos para os piores locais de moradia, como nas encostas e beiras de rio, enquanto milhares de prédios estão abandonados nos grandes centros. Somado a isso, vivemos uma crise climática causada pelo modo de produção capitalista e quem paga a conta, até com a própria vida, são os que não têm culpa nenhuma. A população que é condenada a viver em lugares de alto risco é majoritariamente negra, indígena e imigrante; é o chamado racismo ambiental.

Só o povo salva o povo!

Neste momento, a solidariedade de classe se faz urgente para apoiar os moradores e suas famílias que perderam tudo nessa tragédia. Não podemos apenas nos lamentar; é necessária a organização de lutas para que este crime cometido não seja esquecido e pela reparação às famílias das vítimas e a todos os prejudicados. Porém, as injustiças contra o povo pobre só terão fim quando fizermos uma verdadeira Revolução no nosso país, que coloque o povo no poder, derrubando os poderosos burgueses que se fortalecem com o nosso sofrimento. O povo, com a sua solidariedade de classe e sua resistência, demonstra que a tomada do poder é cada dia mais possível para a construção de um mundo com moradia digna, paz e segurança — e só será assim para todos na sociedade socialista!

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