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quarta-feira, 4 de março de 2026

Operação Vassalos é uma mostra do coronelismo no sertão pernambucano

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Operação deflagrada pela Polícia Federal no último 25 de fevereiro investiga uma das famílias mais poderosas de Pernambuco, a família Coelho, que há mais de cem anos se mantém como uma verdadeira oligarquia no sertão do estado, na cidade de Petrolina, uma das mais ricas de Pernambuco.

Redação Pernambuco


SOCIEDADE- A Polícia Federal batizou de “Vassalos” a operação deflagrada nesta quarta-feira (25) contra a família Coelho, de Petrolina (PE). O nome diz tudo: vassalos são aqueles que devem lealdade incondicional a um senhor feudal. A ironia histórica é precisa — e dolorosa para o povo sertanejo que há mais de cem anos sustenta com seu trabalho e seu voto o domínio desse clã.

Os alvos são o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE) e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF, e cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados. A investigação aponta para um esquema de desvio de recursos por meio de emendas parlamentares: a empresa Liga Engenharia, ligada ao grupo familiar, teria recebido cerca de R$ 74 milhões do famigerado orçamento secreto entre 2019 e 2024. Os crimes investigados incluem peculato, corrupção, lavagem de dinheiro, fraude em licitação e organização criminosa.

Do Coronel Quelê ao orçamento secreto

Para entender a Operação Vassalos, é preciso recuar no tempo. A família Coelho governa Petrolina desde o início do século XX. O patriarca, o latifundiário Coronel Quelê (1885–1952), acumulou terras, fundou indústrias e construiu um império de fazendas e meios de comunicação. Seu filho Nilo Coelho tornou-se governador biônico nomeado pela ditadura militar e presidente do Senado em 1983.

Fernando Bezerra Coelho herdou essa máquina e a modernizou: foi prefeito de Petrolina três vezes, senador, ministro de Dilma Rousseff e, mais tarde, líder do governo Bolsonaro no Senado. Seu filho Fernando Filho foi ministro de Temer. O outro filho, Miguel Coelho, governou Petrolina. Em cada governo federal — Lula, Dilma, Temer, Bolsonaro —, os Coelho encontraram um lugar ao sol. Sua lealdade nunca foi ideológica: foi sempre patrimonial.

Coronelismo modernizado, racismo mantido

O historiador André Luiz, da Frente Negra Revolucionária, analisa que o coronelismo não acabou — apenas trocou o rifle pela caneta e a jagunçada pelo assessor jurídico. Em Petrolina, a mídia alinhada aos Coelho silencia críticos — como o escritor e ambientalista Vitor Flores, que sofreu ataques racistas orquestrados por aliados do ex-prefeito Miguel Coelho. Para André Luiz, “a República ainda é dominada pelos latifundiários, que escravizam a opinião pública por meio de chantagem financeira”.

A Operação Vassalos não investiga apenas um esquema financeiro: expõe as entranhas de um modelo de poder que nunca rompeu com o Brasil colonial. A derrota do coronelismo não virá apenas dos tribunais — virá da organização dos trabalhadores, camponeses, negros e periféricos que ainda hoje são governados como vassalos em sua própria terra.

“É preciso construir um verdadeiro poder popular”

Em nota, a Unidade Popular em Petrolina reafirmou o compromisso com  as lutas do povo petrolinense. A cidade tem sofrido com a falta d’água e com um transporte precarizado, tem vários bairros inteiros que ficaram dias sem água, falta emprego e moradia para a população, e esse caso escancara como a burguesia só vive para esse tipo de ação: explorar até a ultima gota daqueles que mantém a sociedade funcionando. Mais: é importante a participação popular e a denúncia desses crimes, exatamente pelo fato de não podermos confiar nessa justiça, que infelizmente costuma ficar ao lado dos poderosos. Coisa que não aceitaremos sem luta.

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