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quarta-feira, 11 de março de 2026

Greve dos Correios enfrenta Governo e STF

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Mesmo após uma greve combativa em dezembro de 2025, os funcionários dos Correios enfrentam uma nova ofensiva contra seus direitos: um projeto de privatização que prevê o fechamento de mil agências e a demissão de 15 mil trabalhadores.

Movimento Luta de Classes (MLC)


TRABALHADOR UNIDO – Por trás de cada entrega, há um trabalhador sobrecarregado. Com a redução de pessoal, que ultrapassa 40 mil vagas na última década, debaixo do sol escaldante ou das chuvas torrenciais, o carteiro brasileiro carrega nas costas o peso das vendas online, enquanto vê seu salário ser corroído pela inflação. 

Em luta pela manutenção de seus direitos, por reajuste salarial, contratação de mais funcionários e melhores condições de trabalho, os trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) fizeram uma combativa greve em dezembro de 2025. O movimento enfrentou o Governo Federal, o Supremo Tribunal Federal, o interesse do imperialismo na privatização, a imprensa burguesa – que tentou ocultar a voz dos trabalhadores e divulgou apenas as consequências da greve nas entregas de Natal.

Uma das pautas centrais era barrar o processo de privatização – apelidado de “reestruturação” – colocado em curso pelo Governo Lula e capitaneado pelo presidente dos Correios, Emmanoel Rondon. Neste plano, existe a previsão de fechar 16% das agências da estatal, o que representa cerca de 1 mil das 6 mil unidades próprias em todo o país, além de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) envolvendo 15 mil funcionários até 2027.

A combatividade da greve nacional garantiu uma vitória no Tribunal Superior do Trabalho (TST), com reajuste de 5,1% e a manutenção de benefícios, como o “vale-peru”, gratificação de férias de 70% e o adicional de 200% para trabalho em dias de repouso. Além disso, a decisão sobre o dissídio impediu a empresa de repassar aos empregados os custos da administração do plano de saúde.

Bastou voltar das férias, para que a direção da empresa – com aval do Governo Federal – entrasse com pedido no STF para suspender várias cláusulas do dissídio coletivo, dentre elas o principal benefício, que é o plano de saúde.

O STF tem em seu histórico o carimbo de inimigo da classe trabalhadora, como a liberação da terceirização irrestrita, o veto ao piso da Enfermagem e a criminalização de inúmeras greves. Assim, o ministro Alexandre de Moraes, no dia 28 de janeiro, suspendeu todo o acordo – à exceção do reajuste –, permitindo à ECT impor ataques históricos ao vale-alimentação, à gratificação de férias, ao direito ao repouso e ao plano de saúde dos trabalhadores.

“Precarizar a vida dos ecetistas e retirar direitos conquistados não é solução para os desafios da empresa. Muito pelo contrário: é um caminho certo para o sucateamento. Retirar direitos, cortar benefícios e desvalorizar quem carrega os Correios nas costas é jogar a maior empresa de logística da América Latina na lata do lixo”, afirmou, em nota, o Sintect-AL.

Da mesma forma, o Sindicato denunciou a cumplicidade do Governo a esse projeto de ajuste fiscal e entrega das Estatais do Brasil. “Esse ataque tem a chancela do presidente Lula, que nomeou Emmanoel Rondon como presidente dos Correios, mesmo sabendo de sua postura alinhada à precarização”.

Importante destacar que os Correios são a empresa mais antiga do Brasil e a única presente em todos os 5.570 municípios. Em 2021, no auge da pandemia, e antes das empresas de logística assumirem o mercado, a Estatal registrou o lucro recorde de R$ 3,7 bilhões.

Ou seja, esse “prejuízo” alardeado ignora que os Correrios estão sendo desmontados para favorecer as empresas privadas, a exemplo da Amazon, Loggi, Mercado Livre e Fedex, que lucram ao operar apenas em áreas rentáveis e deixam aos Correios o custo social de integrar todo o imenso território nacional.

Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade

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