O Dia Internacional da Mulher Trabalhadora marca a construção dos primeiros núcleos do Movimento de Mulheres Olga Benario em Portugal, com lançamentos organizados em Porto e Lisboa
Julia Soares | Portugal
MULHERES – O Dia Internacional da Mulher Trabalhadora marca a construção dos primeiros núcleos do Movimento de Mulheres Olga Benario em Portugal, com lançamentos organizados em Porto e Lisboa. Os eventos, que ocorreram nos dias 06 e 07 de março, contaram com dezenas de mulheres brasileiras e de outras nacionalidades, além de organizações de mulheres e militantes da Unidade Popular pelo Socialismo (UP).
Após os lançamentos, as militantes do Olga juntamente com a militância da UP estiveram no dia 08 de março nas marchas que ocorreram por todo o país. Milhares de mulheres estiveram nas ruas em Lisboa, Coimbra e no Porto. De norte a sul do país, as mulheres marcharam para denunciar o aumento da violência de gênero, para repudiar as guerras e os ataques ao povo palestino.

Violência contra as mulheres cresce no país
Apesar da imagem de estabilidade social frequentemente associada a Portugal, a realidade revela o crescimento da violência contra as mulheres.
Entre 2002 e 2025, 709 mulheres foram assassinadas no país, segundo dados do Observatório de Mulheres Assassinadas. Apenas no último ano foram registrados 22 feminicídios e mais de 25 mil casos de violência doméstica, o maior registro de casos dos últimos sete anos. No país o crime de feminicídio não é tipificado pelo Código Penal, logo os números de feminicídios são maiores que os casos reconhecidos.
Outro fator que contribui para a vulnerabilidade feminina é a crise habitacional. O preço dos aluguéis em Portugal tem aumentado continuamente e, para uma pessoa que recebe salário mínimo, torna-se praticamente impossível arcar sozinha com os custos da habitação.
Nesse contexto, as mulheres — que em média recebem salários mais baixos e possuem menor poder econômico dentro de muitos arranjos familiares — enfrentam maiores dificuldades para viver de forma independente. Essa dependência financeira as torna mais vulneráveis em situações de violência doméstica, além de dificultar o rompimento com o agressor.
Mulheres Imigrantes vivem no limbo da legalização
Outro problema grave denunciado durante as mobilizações foi a situação de milhares de mulheres imigrantes que vivem no país. Estima-se que existam cerca de 490 mil mulheres imigrantes em Portugal, com destaque para as brasileiras, que já são mais numerosas do que os homens brasileiros residentes no país.
Muitas mulheres imigrantes enfrentam barreiras como discriminação de gênero e de origem, falta de reconhecimento de qualificações obtidas no exterior e dificuldades de acesso a redes profissionais. A ineficiência da AIMA (Agência para Integração Migrações e Asilo) tem deixado milhares de mulheres com seus filhos num verdadeiro limbo administrativo.
Os processos de regularização ficam parados por anos, o atendimento telefônico ou por e-mail praticamente não existe e filas para atendimento presencial começam ainda de madrugada. Em muitos casos, o tempo de análise da documentação pode chegar a quase dois anos, impedindo que trabalhadores imigrantes tenham acesso ao sistema público de saúde, assinem contratos formais de trabalho, de aluguel ou realizem matrícula em universidades.
As mulheres são maioria da população portuguesa, mas continuam enfrentando contratos precários, salários mais baixos e maior concentração em empregos menos valorizados. Em 2023, cerca de 40% das mulheres imigrantes estavam empregadas com contratos temporários, colocando Portugal entre os países da União Europeia com as maiores taxas de precariedade laboral para este grupo.
Retrocessos nos direitos das trabalhadoras
Em 2025, o governo português apresentou um novo pacote laboral que pretende alterar mais de 100 artigos do Código do Trabalho. Entre os direitos ameaçados estão o luto gestacional, as licenças de amamentação, a redução de horário para pais de crianças com deficiência e a possibilidade de recusar turnos noturnos ou de fim de semana para pais e mães de crianças menores de 12 anos.
Essas mudanças representam um retrocesso nos direitos conquistados pelas trabalhadoras, sejam elas portuguesas ou imigrantes.
Diante de toda essa realidade é um grande passo para as mulheres a organização do Movimento, pois só com o exemplo de luta e combatividade, que é a marca do Olga, que trás a necessidade da organização para fazer enfrentamento às violências e que só colocando abaixo o capitalismo e construindo o Socialismo é que vamos avançar para uma vida livre de violências.