Servidores técnico-administrativos em Educação (TAEs) de 32 universidades federais deflagraram greve nacional no último dia 23 de fevereiro, em protesto contra o descumprimento do acordo firmado após a paralisação de 2024.
André Teles (Coordenador Jurídico da Assufrgs) e Esteban Crescente (Coordenador Geral do Sintufrj)
TRABALHADOR UNIDO – A categoria dos técnico-administrativos em Educação aguardou até o fim dos prazos legais o cumprimento do Acordo de Greve de 2024, conquistado a duras penas quando lutou por 113 dias com intensa mobilização nacional. Na época, a greve foi deflagrada devido às perdas salariais que chegavam a 40% por conta da inflação (IPCA) e ao congelamento salarial dos governos Temer e Bolsonaro. Além da reposição salarial, a categoria exigia reestruturação da carreira, que não tinha evolução desde sua organização em torno do PCCTAE, em 2005, sendo até os dias de hoje a categoria mais desvalorizada do serviço público federal em remuneração, mesmo correspondendo a 20% da força de trabalho.
No mês de fevereiro de 2026, a Fasubra – federação de sindicatos que representa a categoria nas bases das universidades – decidiu pela greve para pressionar pelo cumprimento integral do acordo.
Os técnico-administrativos em Educação são fundamentais para a garantia dos serviços de educação superior e técnica, pesquisa científica e extensão para a população do que é produzido nas instituições federais de educação.
A luta conquistou vitórias importantes no acordo de greve: em dois anos, os ganhos variam de 14,5% a 35%, dependendo do nível, do tempo de carreira e da formação dos servidores.
Porém, entre o segundo semestre de 2024 e o ano de 2025, o governo desrespeitou a categoria ao recusar atender os demais itens do Termo de Acordo. Conquistas históricas foram negadas. A jornada de 30 horas, a racionalização dos cargos, o reposicionamento dos aposentados e a democratização das Instituições Federais de Ensino (IFE) são exemplos de compromissos que não foram cumpridos.
Além disso, a maior vitória da greve, em termos de valorização da carreira, foi completamente desconfigurada. O Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), que garante ganhos salariais a partir do reconhecimento da trajetória e qualidade do trabalho do servidor em sua vida funcional, seria regulamentado pela Comissão Nacional de Supervisão de Carreira (MEC, MGI, Fasubra e Sinasefe), mas foi atropelado, em dezembro de 2025, por uma proposta legislativa da Casa Civil, estrangulando as possibilidades de acesso a esse direito.
Impulsionado pela iminência de uma nova greve, conseguimos um recuo importante do governo nas últimas mesas de negociação. No entanto, o texto aprovado pela Câmara dos Deputados, apensado ao PL 5874/25, ainda prevê a limitação do RSC para 75% da categoria, condicionada à disponibilidade orçamentária (arcabouço fiscal), e exclui os aposentados.
O Projeto de Lei 5874/25 ainda traz outros ataques: acaba com a jornada flexibilizada de 6h nas IFE e estabelece a contratação por tempo determinado no serviço público, abrindo as portas para a terceirização irrestrita e precarização das relações de trabalho.
O projeto foi aprovado em regime de urgência pelos deputados, sem qualquer objeção do governo federal e sua base parlamentar, deixando claro o pacto entre os poderes para arrancar direitos dos servidores e sucatear o serviço público.
Nesse cenário de desrespeito aos prazos para implementar os itens do acordo, o Movimento Luta de Classes (MLC) defende a necessidade de deflagração da greve desde agosto de 2025, pois esse é o melhor instrumento de pressão para o cumprimento do acordo de greve.
De fato, em 2024, após o esgotamento das negociações, foi a greve que garantiu nossas vitórias e de tantas outras categorias. No fim de 2025, foram as greves dos petroleiros e dos Correios que colocaram suas pautas novamente em debate, saindo vitoriosas após duro embate com o governo federal. Em dezembro, os trabalhadores da BYD, em Camaçari/BA, organizados pelo MLC, também conquistaram melhores condições de trabalho após realizar greve, mesmo indo contra a orientação da direção pelega de seu sindicato.
As greves são escolas de organização para os trabalhadores e trabalhadoras, mostram a força das reivindicações coletivas sobre o interesse de poucos indivíduos. São as greves que unem a classe trabalhadora no espírito da solidariedade de classe e preparam-na para a maior tarefa de todas: construir o socialismo em seu país.
Portanto, não podemos fugir da luta! É hora de reforçar a greve nacional que começou em 23 de fevereiro e já conta com adesão de 32 universidades em defesa dos trabalhadores da educação pela educação pública, gratuita e de qualidade.