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terça-feira, 31 de março de 2026

Povo iraniano resiste e impõe derrotas aos EUA e Israel

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Apesar de os EUA terem o maior arsenal militar do mundo e atacar sistematicamente os povos explorados, a resistência contra o imperialismo estadunidense se faz, mais uma vez, presente.  O povo iraniano é prova disso.

 Felipe Annunziata

REDAÇÃO


INTERNACIONAL- Completadas duas semanas da agressão militar imperialista dos EUA e de Israel contra o Irã, a resistência no país continua inabalável. Sob a fumaça criada pelos intensos bombardeios imperialistas nas grandes cidades, a população se mobiliza diariamente para garantir a defesa do país.

Logo nos primeiros ataques, EUA e Israel deixaram claro o objetivo de roubar as riquezas iranianas e massacrar a população. O ataque à escola feminina na cidade de Minab, no sul do país, ampliou a indignação do povo. Desde o início da guerra, mais de 1.300 civis foram mortos e pelo menos 65 escolas, 32 centros de saúde e 5.500 casas foram atingidas pelas armas do imperialismo, de acordo com o Crescente Vermelho (organização ligada à Cruz Vermelha).

Em entrevista à agência iraniana Mers, a mãe do menino Mikaeil Mirdoraghi relatou como foi a última noite antes do bombardeio que assassinou a criança de apenas nove anos em Minab. “Eu tinha preparado o jantar, e ele estava comendo. Ele disse: Sua comida é deliciosa. Eu perguntei: Por que você está dizendo isso? – já que ele não costumava falar assim. Mas, naquela noite, ele ficou elogiando”, relatou. Na manhã do ataque, Mikaeil pediu para ser fotografado se despedindo.

A força do povo iraniano

Apesar da brutalidade dos ataques, os militares e o povo têm conseguido revidar com força. Até o fechamento desta edição, o Irã conseguiu atacar e destruir total ou parcialmente 17 bases dos EUA no Oriente Médio. Os mísseis e drones iranianos também atingiram a defesa aérea e causaram grande destruição em centros de comando e estruturas militares em Israel.

Além dos bombardeios em resposta à agressão sofrida, as forças iranianas realizaram o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% de todo o petróleo produzido no mundo. O local é estratégico também para comércio mundial de gás natural, fertilizantes e de mercadorias que abastecem os países que margeiam o Golfo Pérsico. O fechamento do estreito, além de causar um prejuízo enorme aos monopólios imperialistas, garante a proteção do litoral do Irã e dificulta uma possível invasão de tropas estadunidenses e israelenses.

Ameaça nuclear

Diante da impossibilidade de derrotar a mobilização iraniana, a coalizão dos EUA com Israel considera várias opções para massacrar e exterminar o povo iraniano. Pelas redes digitais, o presidente fascista dos EUA Donald Trump ameaça diariamente o país. Algumas ameaças apontam a possibilidade de se lançar, inclusive, bombas nucleares.

“Se o Irã fizer qualquer coisa que interrompa o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, os Estados Unidos da América o atingirão VINTE VEZES MAIS FORTEMENTE [grifo de Trump] do que já o atingiram até agora. Nós neutralizaremos alvos facilmente destrutíveis que tornarão quase impossível para o Irã se reconstruir como nação”, afirmou.

Resistência no Oriente Médio

Ainda que causando grande destruição, a coalizão imperialista não conseguiu dobrar o Irã e está vendo seu domínio no Oriente Médio ser seriamente ameaçado. Ao esforço iraniano se juntaram também milícias populares iraquianas e a resistência liderada pelo partido libanês islâmico Hezbollah. Nas últimas décadas, o regime teocrático iraniano construiu uma aliança com esses grupos na tentativa de conter o projeto de dominação imperialista de Israel e EUA na região.

Nos países árabes em que se localizam as bases estadunidenses já há sinais de revolta da população contra a presença dos EUA no Oriente Médio. No Bahrein, pequeno país do Golfo Pérsico, a população tem realizado manifestações contrárias à existência da base naval que sedia a 5ª Frota dos EUA. No Iraque e na Turquia se ampliaram os protestos contra as bases dos EUA e da Otan nestes países.

O imperialismo não é invencível

Até o início deste mês, a propaganda sionista pregava que Israel tinha um exército invencível, que conseguiu matar todos os líderes das forças de resistência palestinas e libanesas. Com o assassinato do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, essa propaganda se ampliou ainda mais.

No entanto, a cada dia que passa, o discurso imperialista se mostra mais mentiroso. No Líbano e no norte de Israel, o Hezbollah tem resistido à invasão terrestre sionista e está causando enormes baixas no exército israelense. As milícias iraquianas têm conduzido ataques diários às bases de ocupação dos EUA, criadas após a invasão do Iraque, em 2003.

A resistência desses povos já começa a mostrar resultados. O governo da Itália anunciou, no último dia 12 de março, a retirada de todas as suas tropas de ocupação do Iraque. Outros países europeus têm sido pressionados por manifestações a fazerem o mesmo, como é o caso da França e da Inglaterra.

Não é de hoje que o Irã (antes conhecido como Pérsia) é alvo de invasões de potências imperialistas. Durante a segunda metade do século 19, o imperialismo inglês e a Rússia czarista disputavam o domínio do país e chegaram a anexar e colonizar partes do Irã.

Em 1953, a Inglaterra e os EUA, através da CIA, organizaram um golpe de Estado para derrubar o primeiro-ministro progressista Mohammed Mossadegh, que realizou um governo que nacionalizou as principais riquezas do país, o gás e o petróleo. Depois deste golpe, o Irã foi submetido a uma ditadura de 26 anos liderada pelo Xá (rei) Reza Pahlavi, que prendeu, torturou e assassinou quem se opunha ao seu regime, que entregou as riquezas do país para ingleses e estadunidense enquanto recebia milhões de dólares para ter uma vida de marajá na Europa.

Esta situação mudou com a chamada Revolução Islâmica de 1979, que instituiu a atual teocracia do Irã. Apesar de ser um regime reacionário, foi obrigado a constituir um princípio nacionalista e anti-imperialista para legitimar seu poder.

Desde aquela época até hoje, os iranianos desenvolveram uma consciência de que não aceitarão se tornar colônia de uma potência estrangeira novamente. A verdade é que, apesar de os EUA terem o maior arsenal militar do mundo e atacar sistematicamente os povos explorados, nos últimos 70 anos eles têm sido derrotados, como demonstram as guerras na Coreia, Vietnã, Afeganistão e Iraque. Mais uma vez, o Irã e, antes dele, a Palestina, mostram que é impossível o imperialismo vencer um povo determinado a resistir.

 

Matéria publicada na edição impressa N° 330 do jornal A Verdade

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