18% dos estudantes entre 13 a 17 anos acreditam que a vida não vale a pena, e, entre as meninas, a porcentagem aumenta para 25%, ou seja, 1 em cada 4 estudantes. Quatro entre dez alunas relatam esse sentimento (41%), contrapartida três meninos em cada 20 estudantes (16%)
Kivia Moreira | Natal (RN)
MULHERES – “Veja, veja , veja, que coisa mais bonita, mulher organizada lutando pela vida” . As palavras de ordem cantadas com alegria e firmeza são proferidas pelas militantes que lutam contra a violência e pela liberdade das mulheres trabalhadoras.
Entretanto, para as mulheres e meninas que ainda não conheceram e não se integraram à luta pela vida, é televisionado casos de violência contra a mulher e feminicídio.
No último ano, a cada dia, 4 mulheres foram assassinadas no Brasil por serem mulheres (Fórum Brasileiro de Segurança Pública). Em 2025, de acordo com IPEA, a cada minuto, ocorreram dois estupros, sendo 76% vítimas menores de 14 anos (Instituto Patrícia Galvão, 2024). Vendo essa realidade em seu cotidiano, as meninas estudantes sentem-se isoladas, sem perspectiva de vida.
Esta é uma das principais razões da existência do cenário diagnosticado pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada em 2024 e publicada nesta semana. De acordo com os dados do IBGE, cerca de 18% dos estudantes entre 13 a 17 anos acreditam que a vida não vale a pena, e, entre as meninas, a porcentagem aumenta para 25%, ou seja, 1 em cada 4 estudantes. Na região Nordeste, a porcentagem é maior que a média nacional, sendo 19% e, entre as meninas, 26%.
Além disso, as jovens também são as principais vítimas de bullying nas escolas. Segundo a pesquisa, um quarto dos alunos do país relata que pelo menos duas vezes algum “colega da escola o esculachou, zoou, mangou, intimidou ou caçoou” tanto que “ficou magoado, incomodado, aborrecido, ofendido ou humilhado”. Entre as meninas, esse índice sobe para 30,1%, contra 24,3% dos meninos.
Origem da tristeza está ligada à opressão de classe
Os dados mostram que há duas vezes mais meninas nessa faixa etária se dizendo tristes do que meninos. Quatro entre dez alunas relatam esse sentimento (41%), contrapartida três meninos em cada 20 estudantes (16%)
A origem da escola também é um fator determinante. Na escola pública, cerca de 29,2% das meninas disseram se sentir tristes, em contrapartida às escolas privadas, com 27,2%.
De acordo com a vice-presidenta da União Estadual dos Estudantes Secundaristas Potiguares (UESP) e estudante do CEEP João Faustino em Natal (RN), Lillith Aguiar, por conta da precarização da educação pública e dos assédios nas escolas, da saúde mental das mulheres estudantes é afetado diretamente: “Muitas vezes os banheiros não têm papel higiênico e sabonete, impossibilitando que tenhamos uma higiene decente e impactando nossa saúde. São inúmeros os casos de assédio (seja por alunos ou professores) denunciados que são ignorados pelas direções, além da própria insegurança no trajeto das escolas porque muitas das paradas de ônibus são desertas e afastadas.”
Essa cruel realidade das mulheres estudantes não deve continuar! É urgente a organização das mulheres estudantes contra a violência, a precarização das escolas públicas e por mais investimento no ensino. É urgente porque as nossas meninas morrem diariamente, são violentadas e morrem em vida quando acreditam que estar viva não “vale o esforço”.
E, como fala a palavra de ordem, para que a beleza da vida seja vista através da organização coletiva por uma sociedade que ponha fim à violência contra a mulher , a miséria e exploração, por uma sociedade socialista.