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sábado, 11 de abril de 2026

Trabalhadores ocupam shoppings de todo o país para exigir fim da escala 6×1

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Militantes do Movimento Luta de Classes (MLC) e da Unidade Popular (UP) ocuparam mais de 14 shoppings em todas as regiões do país nesta jornada de lutas contra a escala 6×1.

Leonardo de Paula | São Paulo (SP)


TRABALHADOR UNIDO – Dando continuidade à jornada de lutas contra a escala 6×1, que, no dia 4 de março, contou com atos e paralisações em todo o país, a militância do Movimento Luta de Classes (MLC) e da Unidade Popular (UP) ocupou, junto aos trabalhadores, mais de 14 shoppings, em vários estados, para derrubar a escala 6×1.

Na região Sudeste, foram ocupados quatro shoppings em São Paulo; no Rio de Janeiro, o ato foi conduzido pelas lojas do Shopping Macaé, no interior do estado. “Quando vocês chegaram, eu tive esperança que a gente pode fazer alguma coisa, que a gente pode lutar”. Milhares de trabalhadores em todo o Brasil tiveram a mesma reação que Suzana, moradora de Campinas (SP), quando viram os atos nos shoppings. A ação é a continuidade de uma agenda de lutas iniciada em novembro de 2024.

“Essa vitória, a vitória da derrubada da escala 6×1 vai vir pelas nossas mãos, não vai vir pelo Congresso. Por isso, estamos em todo o país dizendo que nós vamos vencer essa escala desumana e conquistar mais um dia de descanso para os trabalhadores”, afirmou Mayara, militante do MLC, durante o ato em Campinas.

Em São Caetano do Sul, no ABC paulista, a militância ocupou o shopping onde a companheira Gabriela Mariel trabalhava. Ela era militante do Movimento Olga Benario e foi vítima de feminicídio em junho de 2025. “A gente não sabia em qual restaurante ela trabalhava, mas os próprios trabalhadores reconheceram o jornal A Verdade, porque ela vendia sua cota para todos. Graças a isso, conseguimos fazer uma fala na frente desse restaurante e conversar com os colegas dela”, afirmou Maria, militante do Movimento Olga.

No Nordeste, cinco estados contaram com ocupações simultâneas: o Shopping Jardins, em Aracaju; Rio Poty, em Teresina; Shopping Bahia; Shopping Pátio Maceió; e os Shoppings Guararapes e Boa Vista, em Pernambuco. No Pará, militantes estenderam faixas no Shopping Pátio Belém e, nos corredores das lojas, entregaram panfletos aos comerciários e apresentaram o jornal A Verdade.

Na região Sul, foram realizadas grandes agitações em shoppings nas cidades de Londrina e Curitiba, no Paraná, e no Shopping Total, em Porto Alegre. Já em Santa Catarina, foram realizadas ações no Floripa Shopping e no Shopping Itaguaçu, onde dois manifestantes foram presos pela Polícia Militar enquanto conversavam com trabalhadores. Mesmo sendo um ato pacífico, já no início da mobilização, a segurança do shopping agiu com truculência, roubando bandeiras e rasgando a faixa de denúncia à escala 6×1. Depois da violência, os policiais levaram dois militantes da UP para a delegacia, sendo liberados após muita pressão.

Apoio dos trabalhadores

Segundo Janaína, entrevistada no Shopping Tatuapé, na capital paulista, “a gente gasta muito tempo dando dinheiro para enriquecer outras pessoas, tempo que a gente poderia usar para aproveitar com a família, cuidar da saúde e do nosso bem-estar. Tem que acabar essa escala!”. 

“Essa escala tem que acabar, quantos aniversários de família eu já não perdi por causa do trabalho?! É a primeira vez que eu vejo um ato desse tamanho aqui no shopping”, relatou Jailson, trabalhador da escala 6×1 há dez anos.

Durante os atos, foram reunidos centenas de contatos em todo o país de trabalhadores e trabalhadoras que, além de quererem lutar contra a escala 6×1, querem construir o socialismo. “Eu vi socialismo na bandeira e achei interessante. Não dá mais para aceitar o capitalismo não”, afirmou outra trabalhadora.

Todas as vitórias da classe trabalhadora vieram através de luta. Por isso, a jornada de lutas contra a escala 6×1 é a principal forma de conquistar mais um dia de descanso para os trabalhadores e vencer os grandes capitalistas que lucram com nosso sofrimento.

Pressão ao Congresso

Enquanto os trabalhadores se mobilizam nas ruas, tramita na Câmara dos Deputados a PEC 08/2025, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL), que prevê o fim da escala 6×1. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) tem previsão de ser votada até maio e tem sido atacada por deputados da direita, como Gustavo Gayer (PL-GO), que tenta enganar a população: “Vamos ter demissão em massa, os produtos vão ficar 33% mais caros, haveria uma fuga de empresas no Brasil, milhões de pessoas iriam à informalidade”.

Enquanto políticos representantes dos grandes empresários e banqueiros fazem de tudo para barrar a PEC, o MLC e a Unidade Popular mobilizam os trabalhadores a arrancarem essa vitória nas lutas.

Matéria publicada na edição impressa nº 331 do jornal A Verdade

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