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O mito da liberdade sexual feminina

O mito da liberdade sexual femininaEm uma economia dominada por grandes monopólios, onde as pequenas iniciativas e o “empreendedorismo” individual ocupam cada vez menos espaço nas transações econômicas, os valores do liberalismo pequeno burguês que enaltecem os direitos e liberdades individuais, mesmo que imprescindíveis para a manutenção do capitalismo, são cada vez mais questionáveis do ponto de vista prático da economia.

Os desafios colocados hoje para o sistema já não passam mais pela necessidade de que se forjem meios para que mercadorias sejam produzidas. Hoje a disputa acontece para que se garantam as condições para o escoamento da megaprodução desordenada. É a era da “sociedade de consumo”.

Entretanto, o sexo ainda é campo fértil para a disseminação das ideias liberais. Nas primeiras décadas do século 20, foram desenvolvidas diversas teorias sobre uma forte cultura do sexo, adotadas por vanguardas artísticas e por meios de comunicação. Ali a cultura seria uma espécie de grau mais elevado do “instinto sexual”. Esta teoria de que o sexo seria a base de toda a cultura, bem como a terapêutica através da desinibição, formuladas por alguns psicanalistas, foi prontamente absorvida e comercializada pela cultura de classes.

Sendo assim, todos os meios de comunicação e publicidade imprimiram no ideário coletivo o mito de que o sexo é o último refúgio da soberania e liberdade individuais.

Escrava da “sociedade de consumo”, a mulher, em busca de prestígio e reconhecimento social, agora figura como a “compradora oficial do lar”. A publicidade “dignifica” a mulher, apresentando-lhe produtos que seduzem e estimulam também reconhecimento e atração masculinos, como se esta fosse uma forma de equiparação dos sexos na sociedade.

Concepções idealistas colocam o sexo da mulher como via de sua libertação. Esta corrente deixa de lado toda a História de exploração da força de trabalho feminina no seio do lar, bem como não leva em conta a estrutura familiar que pede agora à mulher uma entrega “voluntária” no casamento, para que viva permanentemente como usufruto daquele homem, maquiando sua condição de propriedade privada. Se toda mercadoria pode ser comercializada, a mulher e seu sexo deve também encontrar um comprador, e esta transação se dá tanto pela via do contrato matrimonial como pela prostituição.

A supervalorização da liberdade sexual como objetivo da luta das mulheres está intimamente ligada ao crescimento da “sociedade de consumo” e é uma corrente que fortalece o individualismo. Em termos práticos, desvia a atenção das mulheres da questão fundamental de classe. Elas deixam de fortalecer a luta pela coletivização das múltiplas jornadas, contra a divisão sexual do trabalho e da luta pelos espaços de poder proletário da sociedade. É importante ressaltar que estas ideias aparecem com força entre intelectuais, estudantes ou mulheres presentes nos meios culturais, que já atingiram certo prestígio ou posição social um pouco mais favorecida ou reconhecida, e que, em geral, não vivem as contradições e os problemas do trabalho doméstico na mesma intensidade das mulheres proletárias. Estes movimentos privilegiam uma moral privada, que se opõe à necessidade da criação de uma moral social proletária e, ao mesmo tempo em que reivindicam diretos das mulheres, incentivam resquícios históricos da poligamia, que sempre foi, na prática, poligamia para os homens e monogamia para as mulheres.

Sendo assim, a luta das mulheres trabalhadoras deve ser fortalecida. As mulheres devem lutar por sua libertação das diversas jornadas de trabalho, por uma sociedade verdadeiramente igualitária, onde não haja opressão de qualquer natureza. Enquanto as mulheres forem obrigadas a ceder e vender sua força de trabalho e estiverem, ao mesmo tempo, alijadas dos espaços de poder da classe, não conquistarão sua liberdade plena nem a total proletarização de suas consciências.

Raphaella Mendes,
Movimento de Mulheres Olga Benario – Minas Gerais

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3 comments

  1. Polliane Lemos

    Fantástico. Simplesmente amei seu texto. Que visão sensível e perspicaz sobre os movimentos feministas atuais. Eu concordo plenamente e já estava até um pouco desencantada do feminismo moderno. A Olga Benario ficaria feliz de dar nome e inspirar um movimento tão bonito e rico de idéias. Vocês honram o nome do movimento.
    Att. Polliane L.

  2. Maritza

    Primeiro: vcs estão no tempo do “proletáriado”, essa palavra não é do conhecimento das jovens de hoje, se atualizem.
    Segundo: nenhuma mulher é obrigada a fazer o “contrato matrimonial”.
    terceiro: nas faculdades está aumentando o numero de mulheres e diminuindo o numero de homens.
    quarto:
    não apenas está aumentando o numero de mulheres que trabalham fora de
    casa, como tambem, o numero de homens que fazem o serviço domestico e
    cuidam dos filhos (reflexo do terceiro item).
    quinto: o que as
    mulheres conseguiram nos ultimos 50 anos apenas com estudo e
    reinvindicação supera o que os homens tiveram que utilizar de força
    fisica e guerras nos ultimos 5.000 anos.
    Obs: pena que nos ultimos
    tempos elas atingiraa depravação total e adquiriram os piores defeitos
    dos piores homens. Espero que quando elas estiverem no comando (fato
    inevitável) seu reinado não seja bem pior do que o dos homens.

  3. Guest

    Que merda foi essa que você comentou no final? você acha mesmo que as mulheres querem dominar o mundo? a unica coisa que queremos é que os direitos e respeito com AS PESSOAS não estejam relacionados com o seu sexo.

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