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Iêmen, uma guerra esquecida

Obama e rei sauditaNão é apenas na Síria que está ocorrendo uma catástrofe humanitária em decorrência da guerra imperialista; outro país no Oriente Médio, o Iêmen, também vive sua tragédia.

Há dois anos, o país tem sofrido com os efeitos de uma devastadora guerra, fruto de um conflito por influência entre duas potências regionais, o Irã e a Arábia Saudita. Em 2015, rebeldes xiitas chamados houthis, apoiados pelo Irã, tomaram a capital do país, Sanaa, e expulsaram o fantoche saudita que estava no governo. Em resposta, a Arábia Saudita iniciou uma onda de bombardeios aéreos contra os houthis, e impuseram um bloqueio naval contra o país.

De acordo com as Nações Unidas, mais de 10 mil pessoas morreram durante os mais de oito mil bombardeios da coalizão saudita. Quase metade dos mortos é de civis, e pelo menos 19 milhões de pessoas precisam de alguma assistência humanitária, o equivalente a 70% da população iemenita. A situação é ainda mais grave devido ao bloqueio naval saudita, pois o Iêmen precisa importar 90% da comida, gasolina e remédios de que necessita.

O Iêmen é base de um dos mais poderosos braços da Al-Qaeda no mundo árabe, e o grupo terrorista Estado Islâmico também tem interesses nessa guerra. Ambos os grupos se aproveitaram do conflito para tomar o controle de várias cidades e combatem ao lado da Arábia Saudita contra os houthis.

Essa guerra não ocupa as manchetes da grande mídia burguesa pelo fato de estar sendo fortemente financiada pelo imperialismo norte-americano, aliado da monarquia saudita. Todas as bombas, armas e logística utilizadas pela Arábia Saudita são disponibilizadas pelos Estados Unidos, que ainda colocam seus serviços de inteligência ao lado dos sauditas.

A hipocrisia estadunidense é tão grande que, ao mesmo tempo em que falam de democracia e liberdade, apoiam o rei saudita Salman Ben Abdel Aziz, um dos últimos monarcas absolutistas do mundo, que governa uma teocracia religiosa sunita em que muçulmanos do ramo xiita, cristãos e judeus não são tidos como cidadãos; mulheres são proibidas de dirigir, votar ou fazer algo sem a permissão do marido; onde é comum a execução de pessoas por decapitação por motivos que vão desde bruxaria até homossexualidade; e onde os que criticam o governo são castigados com chibatadas em praça pública.

Por tudo isso, é preciso que os trabalhadores e as forças progressistas estendam sua solidariedade ao povo do Iêmen e denunciem a agressão praticada pelo imperialismo naquele país.

Davi Dias, estudante de História da UFF e militante da UJR – Campos/RJ

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