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Latifúndio assassina mais dez camponeses no Pará

No último dia 24 de maio, as polícias Civil e Militar do Estado do Pará realizaram uma operação que resultou na chacina de dez trabalhadores rurais no município de Pau D’arco, sudeste do estado. Foram executados Weldson Pereira da Silva, Nelson Souza Milhomem, Weclebson Pereira Milhomem, Ozeir Rodrigues da Silva, Jane Julia de Oliveira, Regivaldo Pereira da Silva, Ronaldo Pereira de Souza, Bruno Henrique Pereira Gomes, Antonio Pereira Milhomem e Hércules Santos de Oliveira. Sete das vítimas pertenciam a uma mesma família.

A Secretaria Estadual de Segurança e Defesa Social afirmou que os policiais estavam cumprindo um mandato de prisão contra suspeitos de envolvimento em um assassinato na região. Entretanto, nenhuma evidência comprova o envolvimento dos camponeses mortos em crime algum. A cena do crime foi desfeita e os corpos enviados para duas cidades diferentes, Marabá e Paraopebas, antes da realização da perícia local.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) acredita que a operação se tratava de um despejo ilegal, que desrespeitava um acordo feito após o massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996.

Essa é mais um crime do latifúndio contra trabalhadores rurais no Pará. No dia 4 de maio, a líder da Associação de Agricultores Familiares, Kátia Martins, já havia sido assassinada por dois homens no município de Castanhal. Segundo a CPT, em 2015 aconteceram 49 mortes no campo, e 61 em 2016, maior número desde 2003. De janeiro pra cá 2017, incluindo as 10 vítimas em Pau D’Arco, já são 36 mortos. Desses, nove foram assassinados numa única chacina, há um mês, em Colniza, norte do Mato Grosso.

No Pará, de 2007 até 2016, foram registrados 103 assassinatos no campo. Dois terços desses casos ocorreram exatamente no sudeste do estado. Essa região tem uma longa história de conflitos agrários e violações de direitos cometidos pelo Estado brasileiro. Ainda sob o regime militar, a Guerrilha do Araguaia foi esmagada com assassinatos, torturas e desaparecimentos por parte das Forças Armadas.

Atualmente, a imensa maioria dos casos de assassinatos no campo é relacionada a camponeses organizados em movimentos de luta contra o latifúndio. Casos de jagunços que matam trabalhadores rurais a mando de latifundiários são comuns, bem como casos de operações policiais que realizam verdadeiras chacinas no campo a mando do Estado burguês.

Isso ocorre graças à estrutura latifundiária monopolista no campo, que concentra a maior parte da terra nas mãos de privilegiadas famílias, enquanto os camponeses se sujeitam a trabalhar sem muitas vezes receber um salário. No Pará, apenas 8% dos proprietários rurais controlam 69% do solo.

É necessário repudiar firmemente a continuidade da violência contra trabalhadores rurais e prestar toda a solidariedade à luta pela terra em nosso país.

Arthur Bernard, Rio de Janeiro

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