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23º Seminário de Quito: “É nosso dever lutar contra o fascismo”

O seminário denunciou os ataques imperialistas promovido pelas potências capitalistas às nações, sobretudo, da América Latina e o papel dos revolucionários na luta contra o fascismo.

Seminário de Quito


Foto: Semanário En Marcha

INTERNACIONAL – Com a presença de dezenas de organizações da América Latina e Caribe, além de participantes da Europa, Ásia, Canadá e Estados Unidos, aconteceu, de 24 a 26 de julho, em Quito, Equador, o 23º Seminário Internacional Problemas da Revolução na América Latina, cujo tema este ano foi o “A luta contra os governos de direita e o fascismo”.

A declaração final do evento, que é promovido pelo Partido Comunista Marxista-Leninista do Equador (PCMLE) e pela Juventude Revolucionária do Equador (JRE), denuncia os planos imperialistas para aprofundar a exploração sobre a América Latina, ressalta as diversas manifestações de luta e resistência dos povos contra essas medidas e convoca os revolucionários a lutar para derrotar o fascismo em nosso continente. Mais uma vez, o Partido Comunista Revolucionário se fez presente e contribuiu com seus debates e deliberações. 
Da Redação

Declaração Final do 23º Seminário Internacional da América Latina

Os agudos conflitos que se registram no cenário internacional são a expressão da profunda crise que envolve o sistema capitalista imperialista e revelam a agudização das contradições fundamentais da nossa época, isto é, as contradições entre capital e trabalho, entre os povos e nações oprimidas e o imperialismo, e entre as próprias potências imperialistas.

Esta dinâmica explica o desenvolvimento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, mas que envolve também a União Europeia, Rússia e outras potências em um ou outro lado, tensionando a situação internacional e ameaçando novos e maiores conflitos bélicos a fim de resolver as disputas por zonas de influência, controle dos mercados, matérias-primas e recursos naturais entre essas potências imperialistas.

Na América Latina, o declínio dos governos tidos como “progressistas” que, entre outras coisas, buscaram renegociar a dependência para, sem romper com o imperialismo norte-americano, facilitar uma maior penetração dos imperialismos chinês e russo, coincidiu com a chegada ao governo dos EUA do direitista e fascista Donald Trump, que, com o lema “Primeiro os Estados Unidos”, buscou consolidar o posto de primeira superpotência no mundo e recuperar o controle do que considera “seu quintal”.

Para esses fins, Trump incentivou o nacionalismo reacionário dos norte-americanos contra os imigrantes, especialmente os latino-americanos. Ao projeto de ampliação do muro que separa os EUA do México somou a perseguição aos imigrantes sem documentos, reeditando as prisões arbitrárias de crianças (separadas de seus pais) e adultos em condições semelhantes às utilizadas pelos regimes fascistas no passado. Com pressões e chantagens, sua política anti-imigratória tem contado com a aceitação cúmplice dos governos do México e da América Central.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos promovem uma intensa ofensiva na região cujo objetivo é impor governos dóceis e submissos, como prova o chamado “Grupo de Lima”, criado em 2017 para apoiar a conspiração reacionária contra a Venezuela.

Entretanto, o fracasso dos governos “progressistas”, que é aproveitado pelas forças mais reacionárias para afirmar o suposto fracasso do socialismo, é, na realidade, o fracasso do próprio capitalismo, autoproclamado de “socialismo do século 21”.

O descontentamento dos trabalhadores, da juventude, das mulheres e das massas empobrecidas em relação aos governos “alternativos”, totalmente contrários aos seus interesses, e que se mostraram ineficientes, corruptos e, muitas vezes, repressivos, está sendo aproveitado pelo imperialismo e seus capachos nos governos de direita na região para justificar a imposição de agressivos ajustes e reformas neoliberais formulados pelo FMI, bem como para promover na consciência das massas as ideias mais atrasadas, de caráter fascista, xenófobo, chauvinista e anticomunista, com as quais Jair Bolsonaro foi eleito no Brasil.

Os governos de Bolsonaro (Brasil) e Ivan Duque (Colômbia), em sua intenção de conter a oposição e a luta popular, intensificam as ações repressivas e de criminalização, as perseguições, prisões e assassinatos de lideranças, dirigentes e ativistas sociais.

Também fazem parte desta ofensiva do capital contra o trabalho as diversas leis de flexibilização das relações de trabalho, os agressivos cortes nos direitos sociais e as reformas nos sistemas de previdência, que buscam aumentar a exploração dos trabalhadores em prol de uma maior acumulação capitalista.

O criminoso bloqueio econômico do imperialismo contra Cuba e Venezuela também é parte desta ofensiva reacionária.

Os fatos têm demonstrado que para alcançar as legítimas aspirações materiais e espirituais dos trabalhadores e dos povos não podem ser alcançadas com a burguesia no poder. Da mesma forma, as variantes socialdemocratas, “progressistas” ou neoliberais devem ser levadas em conta para as definições táticas de oposição, resistência e combate às suas políticas, mas que não se deve alimentar falsas esperanças de que a mudança, a transformação social e o socialismo virão de uma ou outra facção da burguesia.

Assim, o conjunto dos delegados presentes ao 23º Seminário Internacional Problemas da Revolução na América Latina afirmam que o momento atual e a realidade específica em cada país impõem aos comunistas, aos revolucionários, aos sindicalistas classistas, aos dirigentes e militantes sociais e a todos os democratas fazer frente à ofensiva reacionária do imperialismo e da burguesia reacionária e fascista.

Este Seminário se afirma nas valorosas e crescentes lutas dos trabalhadores, da juventude, dos camponeses, dos povos originários, das mulheres e dos negros contra as políticas e medidas neoliberais dos governos burgueses da região. Vale destacar a greve geral de 29 de maio, na Argentina, assim como a mobilização de milhões de mulheres pelo direito ao aborto, contra o feminicídio e todo tipo de violência; as numerosas lutas de resistência e combate dos trabalhadores e da juventude no Brasil contra o Governo Bolsonaro; as ações dos estudantes, trabalhadores e camponeses na Colômbia e Nicarágua; as lutas dos professores na Chile, México e Bolívia; as crescentes lutas populares no Peru, República Dominicana, Honduras e Haiti; as lutas operárias e populares no Equador, El Salvador, entre outros tantos países.

Com entusiasmo e calor revolucionário, o 23º Seminário de Quito aplaude a contundente vitória do povo irmão de Porto Rico, que, após semanas de mobilizações, obrigou a renúncia do governador Ricky Rosselló, representante do usurpador poder colonial do imperialismo norte-americano. Esta vitória é mais uma brilhante página na incansável luta dos porto-riquenhos para derrotar o colonialismo e conquistar sua independência, que agora consegue incorporar a amplos setores sociais, intelectuais patriotas e artistas de renome internacional.

As valiosas experiências de resistência e combate aos governos burgueses e ao imperialismo nos levam a novos desafios, consolidam convicções revolucionárias, aperfeiçoam objetivos e programas, qualificam a atividade de educação e condução das massas e nos levam a encarar as novas batalhas em melhores condições.

Assim, é fundamental fortalecer os partidos e organizações revolucionárias e de esquerda, consolidar as organizações sindicais e correntes classistas em todas as frentes, a fim de convertê-las em verdadeiras referências para o conjunto da classe operária e das demais classes trabalhadoras.

O Seminário insiste também na necessidade de impulsionar e protagonizar processos de ampla unidade de ação com todos os setores do campo popular e pequenos produtores, que também são afetados pelas políticas neoliberais da burguesia e do imperialismo, trabalhando para que a classe operária e sua política conquistem e sustentem a hegemonia nesse processo.

Nesta perspectiva, é preciso trabalhar urgentemente pela construção de frentes amplas democráticas, antifascistas e anti-imperialistas na região. Também é necessário estar preparados para todas as formas de luta contra os inimigos dos trabalhadores e dos povos, assim como agitar as bandeiras que, identificadas com as demandas mais sentidas e imediatas das massas, avancem aos objetivos políticos estratégicos de emancipação social.

Condenamos e combatemos a intervenção do imperialismo norte-americano na Venezuela e reafirmamos nosso apoio à luta da classe operária e do povo venezuelano, pois é unicamente em suas mãos que está a saída definitiva da crise que vivem.

Estendemos nosso abraço solidário ao valente povo de Porto Rico, que segue lutando para conquistar sua definitiva independência. Igualmente, expressamos nossa total solidariedade ao povo haitiano, que desafia e enfrenta os governos corruptos e títeres do imperialismo em busca de uma verdadeira transformação.

Seguimos comprometidos com a luta revolucionária contra a direitização e o fascismo, pois a única e verdadeira saída para a crise que abala o mundo capitalista e que é jogada selvagemente sobre as costas dos trabalhadores e dos povos é a revolução social, a conquista do poder político e a construção do socialismo.

Viva as lutas dos trabalhadores e dos povos da América Latina e do mundo! Viva o 23º Seminário Internacional Problemas da Revolução na América Latina!

Quito, julho de 2019


Partido Comunista Revolucionário (PCR) – Argentina
Partido Comunista Revolucionário (PCR) – Bolívia
Partido Comunista Revolucionário (PCR) – Brasil
Unidade Popular (UP) – Brasil
União da Juventude Rebelião (UJR) – Brasil
Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) – Brasil
Círculo Jaques Roumcin de Montreal – Canadá
Partido Comunista da Colômbia (Marxista-Leninista)
Organização Comunista Recabarren – Chile
Partido Comunista Marxista-Leninista do Equador (PCMLE)
Juventude Revolucionária do Equador (JRE)
União Geral dos Trabalhadores do Equador (UGTE)
Mulheres pela Mudança – Equador
Federação dos Estudantes Universitários do Equador (FEUE)
Federação dos Estudantes Secundaristas do Equador (FESE)
Unidade Popular (UP) – Equador
Vanguarda da Universidade Técnica de Cotopaxi – Ecuador
Povo Negro – Ecuador
Partido Estadunidense do Trabalho – Estados Unidos
George Grunental, Edições Estrela Vermelha – Estados Unidos
Partido Comunista do México (Marxista-Leninista)
Frente Popular Revolucionária (FPR) – México
Frente Operária, Camponesa, Estudantil e Popular (FOCEP) – Peru
Partido Socialista Revolucionário (PSR) – Peru
Partido Marxista-Leninista do Peru (PMLP)
Partido Comunista Peruano Marxista-Leninista (PCP-ML)
Juventude Comunista Peruana Marxista-Leninista (JCP-ML)
Movimento de Mulheres pela Libertação Social (MMLS)
Movimento 26 de Abril – Porto Rico
Partido Comunista do Trabalho (PCT) – República Dominicana
Frente Ampla – República Dominicana
Corrente Magisterial Juan Pablo Duarte – República Dominicana
Frente Estudantil Flavio Suero (FEFLAS) – República Dominicana
Partido do Trabalho (Tunísia)
Partido do Trabalho (EMEP) – Turquia
Movimento Gayones – Venezuela


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