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Mães que lutam e sonham!

Ao longo da história diversos são os exemplos de mulheres, mães e militantes, que inspiram a luta pela construção do poder popular e pelo socialismo em nosso país.

Gabriela Valentim e Joseane Oliveira


Foto: Jornal A VerdadeMATERNIDADE E RESISTÊNCIA – Aline Leite e seu filho Arthur David.


MULHERES – “Sou filho natural de negra africana, livre, da nação nagô, de nome Luísa Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã. Minha mãe era baixa, magra, bonita, a cor de um preto retinto sem lustro, os dentes eram alvíssimos, como a neve. Altiva, generosa, sofrida e vingativa. Era quitandeira e laboriosa”. Trecho de uma carta de Luiz Gama falando sobre sua mãe, Luísa Mahin, uma das líderes da Revolta dos Malês. Outros exemplos importantes são da guerrilheira Blanca Lopez, da Frente Sandinista pela Libertação Nacional, que participou do processo revolucionário por 10 anos pelo poder popular na Nicarágua. Ela carregava seu filho ainda bebê no colo. Amamentava de um lado e do outro usava o fuzil, e assim, teve a certeza que a sua luta daria às gerações futuras uma sociedade mais justa.

Olga Benario, militante comunista alemã enviada pela III Internacional Comunista ao Brasil para fazer a segurança de Luiz Carlos Prestes, teve um relacionamento com ele, engravidou e foi deportada para a Alemanha. Teve sua filha na prisão nazista de Hitler e, em pouco tempo, sua filha foi roubada dos seus braços. Mesmo sofrendo as piores torturas na prisão nazista, conseguia passar para as outras detentas as lições da vitória do Exército bolchevique sobre os nazistas e o entusiasmo na luta pelo socialismo no mundo.

Essas e muitas outras mulheres, mães militantes, devem nos inspirar para que o principal objetivo de nossas vidas seja pela construção do poder popular e pelo socialismo em nosso país. Essa luta ainda continua, pois pelo capitalismo é impossível dar uma vida digna a nossos filhos. Por isso, Joseane Oliveira, que vive na Bahia, afirma: “Eu, como militante, luto pelo direito coletivo, que é o melhor para todos. Através dessa luta eu sei que meus filhos serão beneficiados. O que ainda me faz militar é a esperança de deixá-los em um país onde a sociedade seja melhor para eles e para meus netos. Essa esperança está cada vez mais viva. Antigamente eu pensava que não seria para o meu tempo, que não veria a revolução, mas hoje eu luto para que a revolução socialista os beneficiem e também a mim”.

Aline Leite, da Coordenação Nacional do Movimento de Mulheres Olga Benario, nos conta que “no primeiro momento, achei muito difícil conciliar ser mãe e militante comunista, pois o bebê realmente é muito dependente de nós. Porém, o problema é que algumas mulheres pensam que os filhos nunca crescem, e que só nós sabemos cuidar, fazendo com que nós, mães, fiquemos mais dependentes de nossos filhos, do que eles de nós. Em muitos momentos, deixei de participar das reuniões ou atos de rua por achar que só eu saberia cuidar de meu filho”.

Ela destaca que só foi entender que não há contradição entre ser mãe e militante depois que as responsabilidades bateram à porta, como ter que trabalhar, lutar contra essas reformas, ter direito à creche e posto de saúde e que, por isso, sempre que possível leva o filho para atos e passeatas, ensinando a ele a importância da luta contra o capitalismo.

Esses relatos nos ensinam que quando a mulher militante decide ter filho/a, gerar ou adotar, deve compreender que a sua vontade de transformar a sociedade precisa ser ainda mais forte, e que a maternidade não é uma contradição para se dedicar à luta revolucionária. Claro que, quando uma militante se torna mãe, a energia que antes poderia ser gasta apenas para as tarefas políticas passa a ser dividida com uma criança.

Precisamos de milhares de mães militantes da revolução e queremos com este texto falar para as mulheres, porque são elas, na grande maioria das vezes, que abandonam a luta ou a deixam em segundo plano devido à maternidade, devido a essa falsa contradição.

Por fim, o camarada Samora Machel, em seu discurso, dizia que “muitas camaradas consideram o seu engajamento como transitório, enquanto forem solteiras, e têm a tendência de se desligarem das tarefas revolucionárias depois que se casam. O regresso à povoação é considerado normal e ser esposa torna-se a tarefa da mulher. Isto está em conflito com as exigências da luta de libertação e do combate da mulher pela sua emancipação”.

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