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Operário morre soterrado em obra da Prefeitura de Barbacena

Negligência da Prefeitura para com os EPIs dos funcionários da Secretaria de Obras, somada ao período de chuvas, tirou a vida de um trabalhador.

Guilherme Piva


Foto: Reprodução/Corpo de Bombeiros

BARBACENA (MG) – Um operário morreu e outro ficou ferido no início da tarde desta quarta-feira (30). Seis trabalhadores realizavam uma obra de manilhamento para captação de águas pluviais, que alcançava extensão de aproximadamente 10 metros na Rua José Pires dos Reis, no Bairro das Mansões. Dois operários instalavam as manilhas de concreto a 2,5m de profundidade, quando um movimento de massa de terra os jogou para o outro lado da vala, deixando-os parcialmente soterrados. Um deles, Jairo Leandro de Matos, de 45 anos, foi atingido na cabeça por um pedaço de meio-fio de concreto, o que causou esmagamento do crânio e fratura do pescoço, levando-o imediatamente a óbito. Um servidor trabalhava operando a retroescavadeira, e outros três na parte externa da vala. Nenhum dos quatro se feriu.

No momento do acidente não chovia, mas a terra estava encharcada devido às chuvas dos dias anteriores. O Corpo de Bombeiros foi acionado e retirou o corpo da vítima fatal, encaminhando o operário sobrevivente a uma ambulância do SAMU, que seguiu para o Hospital Regional.A Prefeitura e a Secretaria de Obras (SEMOP) ainda não se manifestaram sobre o ocorrido. Há meses, a imprensa local vem denunciando a negligência da gestão de Luis Álvaro no fornecimento de EPI’s para os servidores do setor. Um trabalhador que realiza trabalhos de capina há dezoito anos na prefeitura, identificado como M.J., relatou em Agosto ao jornal Folha de Barbacena suas condições de trabalho, que ele afirma estarem cada vez mais precárias: a prefeitura não lhe forneceu sequer identificação de servidor do município, fato que já lhe causou constrangimentos, incluindo abordagens da PM por portar uma enxada. Ele se queixou também da falta de luvas e botas, que o obrigavam a trabalhar usando suas próprias botas e com as mãos expostas, em contato direto com a madeira da ferramenta de trabalho, que se encontrava em mau estado de conservação. M.J., que tem que se deslocar para muito longe de casa para o trabalho, não recebe qualquer assistência há 10 anos, nem mesmo vale-transporte.

Foto: Iuri Fontora/Folha de Barbacena

No mês seguinte, a SEMOP respondeu em setembro aos questionamentos do jornal, se isentando de responsabilidade sobre a questão, afirmando que desde o início da gestão já requereu a abertura de duas licitações para a aquisição de EPI’s e que foram adquiridos e disponibilizados aos servidores através dos editais capas de chuva, luvas, óculos de proteção e segurança, capacetes e mais. A Prefeitura também se esquiva da responsabilidade, culpando a empresa participante da segunda licitação (dez/2018), afirmando que esta supriu apenas 3 de 26 exigências previstas.

A Secretaria de Obras Públicas é alvo frequente de reclamações da população barbacenense. Em enquete realizada no Instagram da Folha de Barbacena em Março deste ano, 67% dos participantes avaliaram negativamente a Secretaria. Em nova enquete no mês de Agosto, esse índice saltou para 87%. Os principais focos de reclamação são o trabalho da secretaria e o trato da titular da pasta, Giovana Zappa, para com o público. A secretária ainda entrou em atrito com a Câmara Municipal, solicitando ao MP relatório individualizado sobre cada uma e cada um das 15 vereadoras e vereadores, questionando a aptidão destes ao cargo. O protocolo enviado ao MP foi uma represália ao legislativo, após a Câmara ter cobrado explicações e tecido críticas ao seu trabalho. Até mesmo vereadores da situação deixaram de defende-la das críticas e assinaram um pedido de exoneração.

O prefeito, por sua vez, deu ao povo barbacenense quatro anos de abandono e corrupção, chegando à beira da cassação de seu mandato por crimes eleitorais. Além disso, foi alvo de operações da Polícia Federal e da Receita, que apuram desvio de dinheiro público em vários setores da administração municipal, como o de saúde e de obras.

Nesse jogo de empurra-empurra entre prefeitura, Secretaria de Obras e empresas, trabalhadoras e trabalhadores seguem expondo-se a condições inadequadas e arriscando sua integridade física e mesmo suas vidas.

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