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Brasil vota à favor do embargo econômico a Cuba

Clóvis Maia, Pernambuco

Na ultima quinta-feira (7 de Novembro), em plenária da Assembleia geral da ONU, foi votado mais uma vez a questão do embargo econômico à Cuba, promovido pelo governo dos EUA desde 1959, com o intuito de fragilizar e destruir a economia do país socialista. Quanto a votação, nada de novo. É uma votação simbólica, que não tem o poder de reverter a política belicista americana mas é importante na arena da geopolítica mundial. A votação ocorre nas assembleias gerais da ONU desde 1992 e a cada ano fica mais evidente o isolamento dos EUA em relação a manter essa política imperialista e desumana. O problema é que, dessa vez, fazendo o jogo do Tio Sam, o governo brasileiro votou à favor do embargo, postura essa nunca antes adotada pelo país, mesmo em governos liberais como o de Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Em mais uma postura antidemocrática e bajuladora, o governo brasileiro deixa claro sua perseguição ideológica a tudo que é contra seus princípios.

Em uma votação com 187 países contra a manutenção ao embargo, duas abstenções (Ucrânia e Colômbia) e apenas 3 votos à favor da manutenção (EUA, Israel e Brasil) o isolamento dessa política ficou ainda mais evidente e, claro, feia para nosso país, sobretudo por demonstrar tal subserviência aos interesses de Trump e o imperialismo norte-americano. 27 anos depois e o Brasil vai na contramão do falso discurso do presidente de que seriamos independentes de questões ideológicas ou subordinações aos estrangeiros. Pois é. Mais uma mentira.

Entenda o Significado desse Embargo Econômico

Embargo econômico é uma medida política imposta de um país a outro, visando proibir trocas, negociações, importações e exportações de bens, alimentos ou quaisquer produtos. Essas sanções têm como exemplos recentes os que ocorrem com a Venezuela. No caso emblemático de Cuba, tem motivos meramente ideológicos, é praticamente uma herança passada a cada novo presidente americano. Essas sanções são aprovadas pelo congresso americano e é protegido por leis. Entenda alguns pontos importantes desse embargo a ilha de Cuba:

  • Julho de 1960: o congresso americano reduz em 700 mil toneladas a cota de importação do açúcar cubano. O motivo: a declaração do caráter socialista da revolução. Aí se inicia o bloqueio;
  • Início de 1961: o governo americano rompe os laços diplomáticos com Cuba e fecha a embaixada no país;
  • Julho de 1962: o embargo econômico é aprovado oficialmente pelo Congresso Americano;
  • Fevereiro de 1963: o presidente americano na época, John Kennedy, inicia as proibições para viagens de americanos à ilha. Fidel, ao contrário, chama a todo o mundo para “conhecer o país onde os melhores sonhos do homem eram realizados”;
  • Outubro de 1992: subsidiariam estrangeiras de empresas americanas são proibidas de comercializarem com Cuba pela “Lei para Democracia Cubana” ou Lei Torricelli;
  • Março de1996: empresas que não são americanas também passam a serem proibidas de manter qualquer tipo de comércio com a ilha, pela lei de “Liberdade e Solidariedade Democrática cubana”ou Lei Helms Burton, apresentada por dois senadores: Jesse Helms, Republicano, e Dan Burton, Democrata. Quem mantivesse comércio com Cuba sofreria sanções por parte do governo americano: multa para pessoa física de até US$250 mil, até 10 anos de prisão. Para empresas, multa de US$ 1 milhão. Para se ter um exemplo, os navios que passassem em Cuba ficavam proibidos de atracar na costa americana por seis meses;
  • Novembro de 1996: aprovada a Lei de ajuste Cubano. Qualquer cubano que tenha deixado à ilha depois da revolução passa a receber auxílio financeiro, casa, emprego e é considerado um cidadão americano (os dados oficiais afirmam que 65 mil cubanos foram recebidos nos EUA entre 1950 e 1958, comparados com os haitianos, que foram mais de 22 mil entre 1981 e 1991, mas apenas 28 receberam permissão de entrar no país);
  • O Vaticano se posicionou três vezes contra o bloqueio econômico: João Paulo II em 1979 e 1998 e o Papa Francisco em 2014;
  • Dezembro de 2014: após histórico encontro entre os presidentes Barak Obama e Raúl Castro, os dois países anunciaram a retomada das relações diplomáticas. Obama chegou a admitir que o embargo não fazia mais sentido. Ele inclusive visitou Cuba, mas o retrocesso seria claro após Trump assumir o governo;
  • Abril de 2019: Trump anuncia que iria ampliar as sanções contra Cuba, visando atingir os governos da Venezuela. Segundo ele, Cuba era responsável pela permanência de Nicolás Maduro no governo.

 Apesar da Pressão, Cuba Segue Livre e em Luta

Mesmo com essa perseguição e ataque frontal e covarde a Autodeterminação dos Povos, ação de cada país tem de decidir por si mesmo todas as questões que lhes dizem respeito, atitude garantida, aliás, garantida por acordos e documentos internacionais como a Declaração Universal dos Direitos das Nações Unidas, de 1948, assinado inclusive pelos EUA, mas esquecidos por seus líderes posteriores. Os governos norte-americanos, aliás, são especialistas em falar sobre democracia e paz, mas fazerem guerra, promoverem e patrocinarem ditaduras, golpes militares e torturas, como ocorreu em Cuba com Fulgencio Batista, destituído pelo povo cubano por meio de sua revolução em 1959.    O governo americano, aliás, deveria se preocupar mais com seus milhões de pobres e explorados, sua indústria prisional e suas fábricas de mentiras. O povo cubano já provou inúmeras vezes que sabe se cuidar. O mesmo serve para Bolsonaro e seu patriotismo importado. Bater continência para tudo que os americanos fazem não vai garantir de suas mentiras irem muito longe. Se tem uma coisa que a classe trabalhadora gosta e preza é pela sua liberdade.  

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