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Fotógrafa que cobria manifestações no Chile é assassinada em Santiago

Foto: Albertina Mariana Martinez Burgos

Os estudantes de Santiago, no Chile, deram início durante o mês de outubro às manifestações contra o aumento de preços das passagens de metrô. Devido ao descontentamento da população chilena com o governo de Sebastián Piñera e seu modelo político-econômico liberal, os atos se estenderam por todo o país. Em 18 de outubro, Piñera anunciou um estado de emergência convocando o Exército do Chile para as ruas e desde então, os casos de violência contra o povo causado pela polícia chilena aumentaram, já tendo registrados 396 queixas de tortura e maus-tratos, mais de 200 pessoas cegas devido às balas de borrachas disparadas pelas autoridades, além de 79 denúncias de violência sexual, considerando o fato de que as mulheres são mais vulneráveis dentro do sistema patriarcalista, potencializado pelos militares.

Foi nesse contexto que, na semana passada, a fotógrafa Albertina Mariana Martinez Burgos, de 38 anos, foi encontrada morta no seu apartamento em Santiago. Albertina era assistente de iluminação no canal chileno “MEGA”, fotografava como freelance e nas últimas semanas estava dedicando-se ao fotojornalismo, denunciando a violência contra mulheres e jornalistas durante as manifestações. Na autópsia, o corpo de Albertina demonstrava lesões nítidas de espancamento e esfaqueamento, havia sangue em diferentes locais de sua residência, e sua câmera e seu computador que eram utilizados nos processo fotográficos para trabalho e denúncia, estão desaparecidos desde a sua morte.

Quase uma semana do ocorrido e o Ministério Público do Chile e a polícia, contra quem a fotografa tecia as suas denúncias, ainda diz que vai trabalhar nas investigações considerando uma “hipótese” de assassinato, mesmo com todas as evidências. O presidente Piñera se manifesta apenas sob pressão e assume o descumprimento de protocolos de uso da força “em alguns casos” e que a justiça determinará se os direitos humanos foram violados ou não. É lamentável pelo povo chileno que mesmo no seu vigésimo nono ano pós ditadura militar, além de lidar com seus traumas do período, ainda tenha que passar por um governo de direita fascista, considerado um “liberal civilizado” por setores da esquerda liberal brasileira, sendo o mesmo que utiliza das forças repressivas do Estado contra o povo, censurando, cegando, estuprando, torturando e matando, tal como de praxe do liberalismo, exponenciado à uma figura fascista. 

O coletivo chileno feminista “Ni Una Menos” denuncia o caso de Albertina: “Albertina Martinez Burgos, uma fotógrafa de 38 anos, foi encontrada morta em circunstâncias estranhas em seu apartamento localizado no centro de Santiago. Albertina estava documentando a situação no Chile e participou ativamente como fotógrafa nas manifestações. Ela documentou a violência contra mulheres jornalistas e comunicadoras. Hoje exigimos que as causas de sua morte sejam esclarecidas, sem mencionar que nem o computador nem a câmera estavam em seu apartamento no momento em que foi encontrada sem vida. Não vamos esquecer o nome dela, não vamos esquecer o rosto dela.

Não é necessário adicionar muito a essas informações, porque a gravidade do caso é óbvia. As autoridades responsáveis pela investigação (que são os mesmos policiais que Albertina estava investigando) falam de um “suposto” assassinato. Ela foi encontrada com várias facadas e o material fotográfico de sua investigação desapareceu… presume-se o assassinato! A forma fria com que definem o que aconteceu parece demonstrar culpa deles”.

E assim como a família da fotógrafa, exigem que a causa da morte da mesma seja esclarecida, que seus materiais de trabalho apareçam e que primordialmente parem de aniquilar seu povo, povo trabalhador que tanto luta pelos seus direitos retirados pelo liberalismo econômico, e pela elevação das conquistas do socialismo!

Thayna Ferreira, Unidade Popular pelo Socialismo

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