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Crise do coronavírus e o descaso do governo brasileiro

Paulo Henrique Rodrigues
Rio de Janeiro


Até 03/02/20, 20.438 casos de infecção pelo coronavírus tipo 2019-nCoV haviam sido confirmados na China. O número de mortos chegou a 425, no mesmo dia, sendo a grande maioria na província de Hubei, cuja capital é Wuhan onde a epidemia começou em 31/01/20. O número de mortos na China já supera a epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave, cuja sílaba em inglês é SARS, que afetou o país em 2002 e 2003.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença já se havia espalhado para 26 países até o dia 02/02, com 194 casos confirmados, os países ou regiões com maior número de casos, o Japão (20 casos), Tailândia (19), Singapura (18) e Hong Kong (17). A expansão da infecção no mundo pode ser acompanhada na internet em mapa montado pela Universidade de John Hopkins, com base nos dados da OMS. Em 30 de janeiro, a OMS decretou que atual surto de gripe como emergência de saúde pública de interesse internacional.

No Brasil, segundo Ministério da Saúde haveria 14 casos suspeitos, ainda não confirmados. O Ministério da Saúde brasileiro determinou frouxa quarentena de 18 dias para os brasileiros que retornam da China, sem maiores cuidados, entretanto. Só há recomendação para que essas pessoas não irem a ambientes de trabalho, estudo ou lazer, podendo fazer tudo o mais, uma atitude absolutamente insuficiente, para dizer o mínimo.

Enquanto vários países já providenciaram a retirada dos seus cidadãos da área de Wuhan para protege-los da infecção, os brasileiros na China que querem voltar e têm pedido ajuda ao governo brasileiro, encontraram má vontade. Bolsonaro vem adiando o atendimento do pleito, alegando que é muito caro, que não há recursos e chegou a dizer até que “falta de lei de quarentena, dificulta retirada de brasileiros da China” (Estadão, 31/01/20). Somente em 03/02, Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil deu esperança, dizendo que os brasileiros deverão voltar até sexta feira, dia 07/02.

Como a epidemia começou na China, num momento de tensão crescente entre este país e os Estados Unidos, com desdobramentos nas relações comerciais, agitações em Hong Kong, denúncias na imprensa ocidental de supostos maus tratos às populações do Tibet e de Xinjiang, há especulações sobre a possibilidade de o coronavírus tipo 2019-nCoV ter sido plantado, em mais um episódio de guerra híbrida (guerra não convencional). Afinal, em Wuhan funciona um laboratório internacional de pesquisas de segurança máxima, desde 2007 desde que houve a epidemia de 2002/2003 de SARS, de onde poderia ter escapado o novo tipo de vírus.

Mesmo que tais especulações não sejam confirmadas, só o fato de a doença ter se originado na China neste momento, abre espaço para explorações políticas que estimulem o preconceito anti chinês e traga novos ingredientes para uma guerra ideológica.

A resposta do governo chinês tem chamado a atenção tanto do diretor-geral da OMS, o etíope Tedros Adhanon Ghebreyesus, quanto de importantes analistas internacionais. De fato, o genoma do vírus já foi identificado por cientistas chineses, foram desenvolvidos kits de diagnóstico ultra rápidos e um primeiro hospital com 1 mil leitos foi construído, em apenas 10 dias, para tratar os infectados, estando previstos mais dois. 

Construção do segundo hospital para tratar pacientes com coronavírus

O governo chinês fechou a produção e a circulação de pessoas três maiores cidades de Hubei, onde vivem 56 milhões de pessoas, fato inédito na história mundial, mobilizou profissionais de saúde de todo o país, as forças armadas e um imenso corpo civil de voluntários. Profissionais, militares e civis foram treinados para identificar casos, transportá-los para tratamento, estabelecer bloqueios sanitários e enterrar os mortos com cuidados especiais.

Desta forma, a grande lição que vem da China é a mobilização da população no combate à epidemia. Toda a população foi convocada a baixar em seus celulares o aplicativo “Vizinhos de Wuhan”, que permite que qualquer pessoa possa identificar sinais suspeitos em si mesma e relatar sua condição online. A partir desses relatos de casos suspeitos entra em cena a rede de profissionais, militares e civis, que providenciará o diagnóstico e o transporte para o hospital.

A vitória dos sistemas de vigilância e controle sanitário que venceram nas últimas décadas importantes desafios, como a SARS, já mencionada, a gripe aviária (vírus H1N1) e o Ebola na África e as impressionantes medidas tomadas pelo governo chinês trazem esperança de uma nova vitória contra a atual epidemia.

Já no Brasil, preocupa o descaso e a inépcia do governo Bolsonaro, que adiou por semanas providências para trazer os brasileiros que vivem na China e vem tomando medidas insuficientes para proteger a população brasileira. Afinal, a incompetência e o descaso com a vida humana e o futuro da população vêm se tornando uma marca do governo, como foi a retirada dos radares nas rodovias, a liberalização das armas, a redução dos direitos previdenciários e o recente desastre da organização do Enem.

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1 comment

  1. Cris

    O maior descaso é permitirem a realização do carnaval.

    Aqui o caso é sempre o mesmo. O lema é: depois que a barragem estourar a gente vê o que vai fazer.

    Como coronavírus tem sido a mesma coisa. A preocupação aqui é o prejuízo financeiro e não as pessoas. Já a China, fez exatamente o contrário.

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