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quinta-feira, 7 de julho de 2022

É hora de ampliar as lutas estudantis

Entre os dias 13 e 17 de julho ocorreu na cidade de Goiânia – GO, o 52º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE). Reunindo cerca de 6000 estudantes de todo o país, o congresso debateu temas da conjuntura, como a crise econômica por que passa o mundo, os levantes populares que derrubaram ditaduras na África, o corte de verbas no orçamento da educação e  o novo código florestal, dentre outros.

A abertura do congresso foi um ato em homenagem a Leonel Brizola e a cadeia da legalidade, movimento que impediu um golpe de Estado que não queria a posse de João Goulart na presidência da República, após a renúncia de Janio Quadros.

Na manhã do segundo dia, foi realizado o 2° Encontro Nacional de Prounistas, que teve a presença do ex-presidente Lula. Após a solenidade foi realizado nas ruas de Goiânia um ato público por 10% do PIB para a educação. Com muita combatividade e agitação a oposição a atual gestão da UNE conformou uma coluna denunciando o corte de verbas no orçamento da educação, que no começo do ano somaram mais de R$ 3 bilhões. “Não adianta virmos ao Congresso da UNE debater e não debatermos conjuntamente a venda de nossas riquezas naturais pela ANP (Agência Nacional do Petróleo), os cortes de verbas no orçamento da educação, o pagamento de juros da dívida pública. É daí que vai sair o dinheiro que falta para investirmos 10% do PIB em educação” declarou Ricardo Senese, presidente do DCE da UFABC. À noite, diversos grupos de discussão sobre o movimento estudantil foram conduzidos pelos diretores da UNE e de entidades estudantis.

O terceiro dia do Congresso concentrou o debate em torno do financiamento da educação pública no Brasil. De um lado, estavam os que defendiam apenas a disputa no Congresso Nacional com  emendas no PNE (Plano Nacional de Educação) e, de outro, a oposição, que reivindicava que só haverá investimento de 10% do PIB na educação quando o governo parar de destinar todos os anos, mais de R$ 220 bilhões para o pagamento da dívida pública. “Os estudantes brasileiros não podem aceitar um PNE que destine apenas 7% do PIB para a educação daqui a 10 anos. É preciso organizar os estudantes em muitas mobilizações nesse segundo semestre, a diretoria majoritária da UNE não tem feito isso. Mas pelo que vi, a União da Juventude Rebelião (UJR) e a oposição de esquerda farão uma grande jornada de lutas em agosto e conquistarão 10% do PIB para a educação”,  declarou Marília Novaes, presidente do DCE da UFPE.

Ainda no terceiro dia foram debatidos temas como a democratização dos meios de comunicação, que contou com a presença de Fernando Alves, representando o jornal A Verdade, Soberania Nacional e Solidariedade Internacional, com Rafael Pires, Coordenador Nacional da UJR; Reforma Urbana no Brasil, com Wellington Bernardo, do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas, o MLB. Os debates sobre a Reforma Florestal e a Conjuntura Nacional tiveram uma grande participação dos estudantes, e em todos esses espaços a polarização entre a política de conciliação da diretoria majoritária e as bandeiras de luta e mobilização apresentadas pela UJR e pelo conjunto da oposição tiveram destaque no congresso.

Um momento marcante do Congresso foi a realização do Ato pela criação da Comissão da Verdade. Mesmo com a discriminação frente a alguns lutadores que combateram a ditadura e foram vítimas da perseguição e tortura, ou de familiares dos assassinados pelo regime, o ato simbolizou a entrada da UNE na campanha pela instalação da Comissão da Verdade.

Os últimos dias, reservados a plenária final do Congresso, começaram com um ato dos estudantes brasileiros contra as alterações no Código Florestal propostas pelo deputado Aldo Rebelodo PCdoB  e pela representante dos latifundiários Kátia Abreu (DEM). Apesar da tentativa de sufocar esse debate no congresso, mais de mil estudantes protestaram contra o Novo Código Florestal que beneficia o latifúndio e institucionaliza o desmatamento das florestas brasileiras.  O MST se fez presente no ato e reiterou sua luta contra o novo Código Florestal e a necessidade da Reforma Agrária no país.

O encerramento do Congresso se deu com a votação da política que a UNE deve implementar  nos próximos dois anos e a eleição da nova diretoria da entidade. Três chapas disputaram a diretoria, saindo vencedora a chapa “O movimento estudantil unificado pras mudanças do Brasil” composta pela UJS (juventude do PCdoB), PMDB, PTB, PPL e as correntes do PT (DS, CNB e Mudança), PDT e PSB.

A chapa “Oposição de Esquerda” obteve o segundo lugar, tendo um crescimento de praticamente 50% frente o último congresso e elegeu três diretores na executiva, sendo formada pela União da Juventude Rebelião, PSOL (Juntos, Levante, Contraponto, Rompendo Amarras e Vamos à Luta) e ainda o MRS (Movimento Rumo ao Socialismo), tendo como principais bandeiras a defesa da luta dos estudantes, o apoio a luta dos trabalhadores contra a crise econômica do capitalismo e a construção do socialismo como alternativa para o Brasil e o mundo.

A terceira chapa que disputou o Congresso, “MUDE”, formada pelas correntes do PT (AE, Trabalho e Militância Socialista) manteve durante todo o Congresso uma postura crítica a atual diretoria majoritária e apoiou a oposição nos debates e na realização do Ato contra o Código Florestal, elegeu um representante na executiva da entidade.

Esse crescimento da oposição dentro da UNE é reflexo do avanço da luta dos estudantes nas principais instituições de ensino superior do país. DCE´s importantes e históricos estão assumindo uma postura de defesa intransigente dos direitos dos estudantes, e avançado sua unidade para as lutas nacionais do movimento. A chapa “Oposição de Esquerda” reuniu mais de 20 DCE´s de universidades públicas, entre os quais, UFMG, USP, Unicamp, UFPE, UFPA, UFRGS, UFF, UFRJ, UFABC, UFAL e tantos outros. “No momento em que vivemos, em que as mobilizações da juventude no mundo inteiro se intensificam, em que o governo investe mais no pagamento da divida pública do que na educação e que o desemprego assola cada vez mais os jovens, é preciso crescer cada vez mais a intervenção da oposição na UNE. Precisamos ampliar essas lutas e o movimento estudantil precisa dar sua contribuição para a construção de um Brasil livre da exploração capitalista” afirmou Isabela Rodrigues, coordenadora-geral do DCE-UFMG.

Com certeza, a oposição saiu fortalecida do congresso da UNE. Agora, temos que trabalhar para o movimento estudantil ir à luta, não só contra os cortes de verbas no orçamento da educação, por 10% do PIB, mas também fortalecer as mobilizações por uma sociedade onde as pessoas vivam dignamente e a educação, a saúde, a cultura e a democracia verdadeira sejam prioridade, isto é,  por uma sociedade socialista.

Yuri Pires Rodrigues, membro da Coordenação Nacional da UJR

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