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sábado, 26 de novembro de 2022

Analfabetismo funcional atinge 14% da população alemã

Com o objetivo de ludibriar os trabalhadores de todo o mundo quanto às possibilidades de uma sociedade mais justa dentro dos marcos do capitalismo, o grande aparato mafioso midiático global, sob o domínio da burguesia, apresenta os países capitalistas mais desenvolvidos como modelo de uma aplicação ideal do reino da mercadoria, seja em seus aspectos econômicos, políticos, sociais ou culturais.

Não obstante toda sua virtuosidade e excelência nas artes da falsificação e da omissão, as máscaras foram ao chão mais uma vez.

Pesquisa realizada pela Universidade de Hamburgo identificou que há 7,5 milhões de analfabetos funcionais na Alemanha, entre os quais 4,3 milhões com o alemão como língua materna. Isso significa que mais de 14% das pessoas em idade ativa no país são consideradas analfabetas.

Segundo o insuspeito site do DW (Deutsche Welle), “pensar que há analfabetos apenas em países em desenvolvimento é mero clichê. Em nações industrializadas, como a Alemanha, o problema atinge, há muito, um número considerável de pessoas.”

Os analfabetos, para dar conta das atividades cotidianas, desenvolvem inúmeros truques e desculpas para não ter que ler ou escrever. Quando precisam preencher um formulário, por exemplo, dizem que esqueceram os óculos ou que machucaram a mão. Para não serem obrigados a ler, decoram textos relevantes para sua profissão. Dessa forma, com medo da exclusão social, passam anos a fio sem contar o problema a ninguém.

Tim-Thilo Fellmer, um analfabeto funcional ouvido pelo DW, acredita que o problema não está nas pessoas, mas sim no sistema de ensino. Uma feliz observação, considerando que para o individualismo burguês, que bombardeia a consciência das pessoas a todo momento, por todos os meios e de todas as formas, a responsabilidade por todos os problemas – sejam de que tipo forem – deve ser jogada nas costas do indivíduo, o que leva a maioria das pessoas a culpar a si próprias por problemas que na verdade são sociais, como o analfabetismo e o desemprego.

A efeito de comparação, nunca é demais lembrar que Cuba praticamente erradicou o analfabetismo do país com apenas dois anos de revolução: em 1961 praticamente já não havia analfabetos no país. O índice de alunos que concluem o primeiro grau na ilha é de 99,6%, e a retenção em sala de aula é de 99,9%. Além disso, Cuba possui uma pessoa com mestrado para cada 42 habitantes e para cada 13,6 alunos. Essas médias, no mundo inteiro, segundo a Unesco, são de 79 e 40, respectivamente.

A Alemanha reconhece seu problema com o analfabetismo desde o final da década de 1970, quando então estabeleceu cursos de alfabetização que, no entanto, foram cortados devido à crise no início dos anos 1990, e retomados só muitos anos depois.

Mas uma outra consequência do medo da exclusão social é afastar dessas escolas os adultos, os quais não querem ser identificados como analfabetos. Por isso, as escolas são atualmente frequentadas por um número ínfimo de 20 mil alunos. Uma outra explicação para seu insucesso, segundo Peter Hubertus, membro fundador e diretor da Confederação Nacional de Alfabetização e Formação Básica, é que elas não possuem um método de ensino apropriado às necessidades dos envolvidos.

Glauber Athayde, Belo Horizonte

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