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domingo, 3 de julho de 2022

Operários das obras da copa batem um bolão por seus direitos

No mês de novembro os operários da construção civil travaram mais uma batalha contra os donos dos monopólios responsáveis pela realização das obras da Copa do Mundo de 2014.

As lutas dessa vez aconteceram nas obras da Arena Pernambuco, localizada na Grande Recife – PE, e do Estádio Nacional, que fica em Brasília – DF. Em setembro foram realizadas paralisações nas obras do Maracanã – RJ e do Mineirão – MG.

Em Brasília, os cerca de 2400 operários responsáveis pela construção do Estádio Nacional (antigo Mané Garrincha), obra explorada pelo Consórcio Brasília 2014, formado pelas empreiteiras Via Engenharia e Andrade Gutierrez, entraram em greve no dia 26 de outubro.  A paralisação durou nove dias e arrancou importantes conquistas para os trabalhadores.

A greve foi necessária porque, apesar do Consórcio Brasília 2014 ter a previsão de faturamento com a obra de R$ 745 milhões as empreiteiras se negavam a oferecer para seus empregados direitos básicos como uma alimentação de qualidade.

Os operários reivindicavam auxílio alimentação, plano de saúde e odontológico, recesso de final de ano, melhorias no transporte e nas condições de higiene e melhor qualidade da alimentação servida no canteiro. Os trabalhadores também exigiam aumento salarial variando de R$ 600 a R$ 1.000, pagamento imediato de 20 horas-prêmio prometidas há três meses.

No mesmo dia em que foi deflagrada a greve, o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e Mobiliário do Distrito Federal chegou a fazer um acordo com o patronato, em troca do atendimento de apenas dois itens da pauta de reivindicações. O sindicato chegou a divulgar na imprensa a volta ao trabalho dos operários, mas o acordo foi rejeitado pela categoria em assembleia. O consórcio partiu então para tentar encerrar a paralisação na Justiça, através de uma liminar solicitando a ilegalidade da greve.

Diante da posição firme dos trabalhadores em defesa de seus direitos e pressionada pelo cronograma da obra, prevista para ser encerrada em dezembro de 2012 – a tempo de sediar a abertura da Copa das Confederações, o consórcio não teve alternativa senão acatar as propostas dos operários. As conquistas obtidas demonstram o acerto da decisão da categoria de continuar a greve:  elhorias imediatas das condições de alimentação e de alojamento; Plano odontológico; Recesso de 10 dias no final de ano; Abono de 30% sobre o salário em dezembro – junto com o décimo terceiro, e outro em maio de 2012; Garantia de estabilidade de 100 dias para os 17 integrantes da comissão de negociação.

Arena Pernambuco

Os operários que constroem a Arena Pernambuco, estádio projetado para a Copa de 2014 em São Lourenço da Mata, Região Metropolitana do Recife, entraram em greve na manhã do dia 1º de novembro.

Os cerca de 1.400 trabalhadores da multinacional Odebrecht reclamavam de maus tratos e assédio moral por parte do chefe da segurança das obras do estádio, o coronel reformado Eduardo Fonseca, mais conhecido pelos operários como “coronel Kadaffi”.

De acordo com os trabalhadores, o coronel reformado Eduardo Fonseca estaria impondo uma “disciplina militaresca” na obra e assediando moralmente os operários. Segundo o sindicalista Leodelson Bastos, do Sintepav, sindicato que representa a categoria, o coronel já teria agredido um operário que fumava um cigarro artesanal de tabaco, que teria sido confundido com um baseado de maconha. “Ele deu dois tapas no peito do peão e, ao perceber o erro, disse que ele perderia o emprego se contasse isso a alguém”, afirmou Bastos.

Insatisfeita com o assédio moral que pratica contra seus funcionários, a empresa, acreditando que o regime militar não foi reinstalado apenas em seus canteiros, mas no País, não existindo mais assim direitos trabalhistas, demitiu dois trabalhadores que pertenciam à Cipa (Comissão Interna para Prevenção de Acidentes), o que é proibido pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Esta foi a gota d’água para os trabalhadores decretarem a paralisação.

Além do coronel, os trabalhadores queriam a demissão do encarregado da empresa, conhecido como Marreco. A Odebrecht se negou a negociar a demissão dos seus feitores e chama os operários de mentirosos. Além disso, em nota, a empresa defendeu que tem direito de demitir quem quiser e que o sindicato não tem nada a ver com isso.

Coerentes com essa postura de truculência, a empresa chamou a Polícia Militar (PM) para impedir a realização de uma assembleia pelos trabalhadores no dia 3 de novembro. A PM dispersou os funcionários usando spray de pimenta. Um dos operários passou mal e foi carregado pelos policiais.

Na sexta-feira, 4, a Odebrecht, mantendo sua postura autoritária, lançou nota confirmando que dois dos operários que demitiu eram membros da Cipa, que foram excluídos de seus quadros por terem incitado o “motim” dos operários contra a empresa. Este comunicado oficial da empresa, tratando a realização de uma greve como “motim”, demonstra que a imposição de uma disciplina militar nos canteiros não é uma atitude isolada de seus capatazes, mas uma postura da própria empresa.

Infelizmente, o sindicato da categoria, filiado à Força Sindical, suspendeu a greve no dia 7, em prol de demonstrar a sua boa vontade de dialogar. O “diálogo” oferecido pela Odebrecht foi a demissão de 200 operários em retaliação, que esperam até agora por uma solução.

O caminho para acabar com a ditadura na Arena Pernambuco é o mesmo trilhado pelos operários da década de 80: a greve.

Clodoaldo Gomes, da Coordenação Nacional do MLC

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1 COMENTÁRIO

  1. é verdade Clodoaldo, bom comentário esta empresa sempre foi um carrasco pra seu empregados, o que nos deixa triste é que os nossos governantes sejam coniventes com esta ousadia e coronelismo em cima de uns trabalhadores tão sofridos.

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