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Juventude e trabalhadores nas ruas contra a crise na Espanha

O último dia 19 foi de intensas mobilizações na Espanha, e, mesmo durante o período do Carnaval, milhares de manifestantes realizaram protestos nas principais cidades do país, contrários às novas medidas de “austeridade” apresentadas pelo Governo.

Acontece que os efeitos da crise têm se tornado cada vez mais graves contra as economias dos países europeus, e, para manter os privilégios dos bancos e grandes companhias, novos cortes são orquestrados pela União Europeia (UE). Com isso, os trabalhadores e a juventude veem diminuir seus direitos, e a consciência de que só através da luta é possível vencer a política da UE ganha força entre os espanhóis.

Ao todo foram 57 cidades, reunindo cerca de 500 mil pessoas, com a presença massiva dos sindicatos e dos jovens, voltando às ruas e a Praça do Sol em Madrid, palco das manifestações no ano passado.

 Mas quais são essas medidas?

Desde que assumiu o Governo, em dezembro, o Partido Popular aumentou os impostos e impôs um corte nos investimentos de 15 bilhões de euros (cerca de 34,5 bilhões de reais).  Para a UE, no entanto, ainda é pouco, e, de acordo com as metas de déficit, é preciso cortar mais 40 bilhões de euros (cerca de 92 bilhões de reais).

No início do mês, uma nova reforma trabalhista foi aprovada pelo Governo, retirando mais direitos e dando mais autonomia às empresas “em crise”. Isso acontece num país com 22,85% de desempregados, sendo que esse número é ainda mais grave entre os jovens, aproximando-se da marca de 50%.

Estudantes vãos às ruas em Valência

No dia 20, estudantes se confrontaram com a Polícia em diversos pontos de Valência, terceira maior cidade do país. Ao todo, foram 43 estudantes presos, segundo o jornal El País. Armados de livros, eles enfrentaram a força policial, que tentava impedir a manifestação contra os cortes no orçamento da educação.

A política de cortes levou à suspensão do sistema de calefação nas salas de aula, o que tem impedido a continuidade das aulas no rigoroso inverno europeu. Essa situação serviu de estopim para as manifestações, que se somam às manifestações contra a política de austeridade do Governo espanhol.

Fica cada vez mais claro que a luta contra o desemprego e por uma educação de qualidade passa por uma profunda transformação, seja na Espanha ou em toda a União Europeia. Mesmo sendo a quarta maior economia do continente, o país é um dos mais afetados pela crise, que é fruto não de uma má gestão governamental de um ou outro partido, mas sim dos desdobramentos da maior crise do capitalismo desde a Segunda Guerra Mundial.

Os jovens espanhóis que deram grandes provas de luta e disposição para defender seus direitos ao longo de 2011 não se calarão. Nesse ano, novas manifestações, com certeza, tomarão conta do país, denunciando o caráter dos “planos de austeridade” e preparando os trabalhadores e todo o povo para resistir contra os efeitos da crise.

Rafael Pires, São Paulo

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1 comment

  1. Jc Brisla

    ola,e vergonhosos ver como o sr rajoy tenta abafar o fracasso do seu governo manipulando e reprimindo a pancadas as pessoas que so querem revindicar seus direitos,depois de tantos recortes contra a populaçao mais necessitada e ajuda aos bancos que sao os  entre outros os culpaveis dessa situaçao eu vivi 27 anos em espanha sou espanhol e brasileiro, mais tive que ir embora deixando toda minha familia ali para buscar uma vida melhor 

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