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sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Depressão atinge 121 milhões de pessoas no mundo

No mundo de hoje, o número de depressivos é maior do que o de contaminados pela aids – que são 33 milhões. Há algum tempo já se sabia da grave enfermidade de que padece a sociedade, mas uma recente pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS), realizada em 20 países, demonstrou a intensidade com que essa enfermidade afeta a saúde mental de diferentes povos.

O Episódio Depressivo Agudo (conhecido pela siglaem inglês MDE) é uma doença caracterizada por um conjunto de sintomas físicos e psicológicos associados a  altas taxas de comorbidades médicas, invalidez e morte prematura. A pesquisa da OMS, divulgada no segundo semestre do ano passado, indica que o percentual  de atingidos com a doença saltou de 5,5% para 14,6% em 12 meses. No caso do Brasil, a pesquisa foi realizada apenas na região metropolitana de São Paulo e indicou que 10,4% da população sofre com algum tipo de depressão.

Ainda em relação ao caso brasileiro, a pesquisa foi mais abrangente e investigou outros casos de distúrbios psicológicos além da depressão, como pânico, fobias específicas, fobia social, transtorno obsessivo-compulsivo e transtornos de humor. Segundo a professora Maria Carmen Viana,  da Universidade Federal do Espírito Santo e uma das coordenadoras da pesquisa, “estima-se que 44,8% da população já apresentou pelo menos uma vez na vida algum transtorno mental. Nos 12 meses anteriores à entrevista, a prevalência foi de 29,6%”

Diante de dados verdadeiramente alarmantes sobre o aumento do número de pessoas afetadas por doenças psicológicas, não se pode deixar de questionar quais são as causas, o que está por trás de tamanho crescimento. Ainda mais no Brasil, que é um país que vive, segundo a propaganda oficial, um período de crescimento econômico, período em que as pessoas estão consumindo mais e tendo a oportunidade de realizar seus sonhos. Se é verdadeira a propaganda, por que tanta depressão e tanta tristeza?

A grande mídia, quando divulgou os dados da pesquisa da OMS, tratou de vincular a depressão exclusivamente à violência dos grandes centros urbanos. No entanto, a pesquisa mundial indica que mesmo em países com índices de violência relativamente baixos, como o Japão, por exemplo, a depressão afeta um número considerável de pessoas. A alta violência nas cidades não é, portanto, o único causador de tanta tristeza que leva à doença.

Podemos citar entre os fatores que levam ao crescimento dos casos de depressão, sem dúvida, a situação cada vez mais precária do trabalhador. De um lado, vemos a pressão produtiva misturar-se com o assédio moral, a jornada de trabalho cada vez mais extensa, o longo trajeto entre a casa e o trabalho ficar cada vez mais extenuante por conta do trânsito e das péssimas condições de transporte público. Por outro lado, os baixos salários não acompanham, nem de longe, as exigências de consumo que a própria sociedade inventa.

Temos como resultado os trabalhadores sempre endividados, seja com cartão de crédito, prestações ou aluguel. As preocupações decorrentes desse estresse estão muito ligadas ao crescimento dos casos de depressão e outros distúrbios e desmentem a propaganda que afirma ser o desenvolvimento econômico capitalista a solução para o País e para a felicidade do povo.

Também estão entre os fatores do aumento das doenças psicológicas os interesses da indústria farmacêutica multinacional. Em 2010, foram vendidos 18,45 milhões de caixas do ansiolítico Clonazepam, e as vendas desse tipo de medicamento crescem de maneira fenomenal. O líder de vendas desse tipo de medicamento é o Rivotril, da farmacêutica suíça Roche.

Como se sabe, o objetivo de todas as empresas capitalistas é o lucro, e tudo são capazes de fazer para aumentar sua lucratividade, o que significa, neste caso concreto, aumentar a venda de medicamentos. Temos assistido nos planos privados de saúde a uma larga indicação por ansiolíticos, muitas vezes sem qualquer análise cuidadosa do paciente. Já no Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento adequado dos casos de doenças psicológicas é um sonho muito distante. Dessa maneira, pacientes com casos iniciais de problemas psicológicos têm a situação agravada em virtude do uso indiscriminado de ansiolíticos ou de outro medicamento de tarja preta.

Por último, também causa depressão a destruição das ligações afetivas entre as pessoas, resumindo todas as relações humanas a uma mera troca monetária. Numa sociedade consumista, que tem como objetivo praticamente exclusivo o lucro privado, temos assistido à destruição da cultura popular, à venda e à falsificação de valores como solidariedade, humanismo e o compromisso com as futuras gerações. Prevalecem o individualismo, o egoísmo e a subjugação e exploração da mulher, do pobre, do negro, da criança ou de qualquer pessoa em situação social desfavorável. Essa realidade, nem a propaganda nem as leis escritas – mas nunca aplicadas – conseguem esconder. De fato, não é possível ser feliz neste tipo de sociedade.

Fontes:

Cross-national epidemiology of DSM-IV major depressive episodeem http://www.biomedcentral.com/1741-7015/9/90/abstract

Global map of depression em http://agencia.fapesp.br/en/14302

Redação SP

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