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quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Golpe retira Fernando Lugo da presidência do Paraguai

Golpe de estado no ParaguaiO Senado paraguaio aprovou por 39 votos a favor e quatro contra, a deposição do presidente da República eleito pelo povo, Fernando Lugo. O processo foi um dos mais rápidos da história, com o presidente Lugo tendo apenas duas horas para se defender, testemunhas não foram ouvidas e tampouco foi garantido um amplo direito de defesa. Para dar uma aparência legal a ação, os senadores da burguesia e dos grandes latifundiários chamam a ação golpista de impeachment. Milhares de pessoas estão nas ruas protestando contra o golpe e exigindo a volta de Fernando Lugo ao governo.

Vários governos da América latina já se pronunciaram contrários ao golpe e a decisão do Senado paraguaio.

Analisando o episódio, José Aparecido Rolon, professor de Relações Internacionais e pesquisador do Núcleo de Estudos Internacionais e Políticas Comparadas da USP (NESPI-USP), afirmou ao Opera Mundi que o processo de impeachment impetrado pelo poder é um “golpe disfarçado” da oposição conservadora.

Para ele, os opositores de Lugo encontraram uma forma de destituí-lo do poder seguindo as regras legais, utilizando-se apenas de meios constitucionais. “Não existe um motivo concreto que tenha deflagrado a crise atual no sistema político do Paraguai. Para desestabilizar o governo, a oposição se utiliza de um conjunto variado de acontecimentos, como o conflito contra os sem-terras na semana passada, e os escândalos de paternidade de Lugo”.

A verdade é que a oligarquia, a Igreja e a mídia do país desde 2008 trabalham pela destituição do ex-bispo. Com a aproximação das eleições presidenciais marcadas para abril de 2013, e a falta de perspectiva de vitória dos candidatos da direita, o caminho encontrado foi voltar ao governo para manipular as eleições. A pressa no processo e a posse imediata do vice-presidente teve ainda o objetivo de evitar grandes manifestações e resistência da população.

Por trás dessa atitude estão sim os interesses das oligarquias do país em não permitir a reforma agrária no país. “O presidente colocou o dedo na ferida da oposição”, afirma Marcos Ybáñez, secretário de comunicação do Partido Tekojoja, em entrevista ao site Opera Mundi. “A maioria dos deputados de direita é proprietária de grandes latifúndios e a situação da oligarquia paraguaia se tornou insustentável quando o presidente colocou em debate questões tão sensíveis como a reforma agrária”, explicou.

Ybáñez também afirma que esse movimento dos partidos Colorado e Liberal Radical Autêntico (responsáveis pelo processo de impeachment na Câmara de Deputados e no Senado) foi planejado para atrapalhar as eleições presidenciais de 2013. “Eles querem boicotar o desenvolvimento normal do processo eleitoral. Eles temem que a esquerda ganhe espaço no próximo ano”.

A resistência popular cresce nas ruas, com milhares de representantes de movimentos sociais, sindicais e camponeses cercam o congresso nacional.

Natália Alves e Redação

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