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segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Qual é a principal causa do sofrimento mental?

Nas duas últimas décadas ocorreu um aumento muito grande do número de casos de depressão na adolescência e na infância. Algumas pesquisas também mostram que cerca de 20% dos estudantes do ensino médio sentem-se profundamente infelizes ou têm algum tipo de problema.

A depressão é certamente o diagnóstico psiquiátrico mais observado em adolescentes que tentam o suicídio. Desesperança, falta de oportunidades, transtornos de humor e principalmente o meio social de que o jovem faz parte podem ser considerados os principais agentes causadores desse distúrbio.

A taxa de doentes depressivos que cometem suicídio chega a ser de 15%, somente na adolescência. O Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking da prevalência da depressão em países subdesenvolvimento: são 18,4% de doentes em uma faixa de idade que vai até 24 anos.

Afinal de contas, qual é a principal causa do sofrimento mental? Como explica o médico de psiquiatria no setor de saúde mental do hospital universitário Walter Cantídio, da Universidade Federal do Ceará, “A origem do sofrimento reside no próprio sistema; onde deveria haver amor é dada violência, onde deveria ser distribuída a riqueza produzida pela sociedade para a felicidade de todos, o que é dado é miséria e fome”

Por exemplo, crianças que abandonaram a escola até os sete anos para cuidar da casa, ajudar os pais por falta de estrutura familiar (ou até mesmo para arrumar um trabalho, ilegalmente, e que na maioria das vezes são mais exploradas que uma pessoa adulta), perdem toda a esperança de vida, fazendo assim com que 23 mil delas estejam hoje vivendo nas ruas, desmotivadas a viver por não verem mais um caminho que as possa tirar da situação de miséria.

Outro caso muito comumente analisado de jovens que ficam depressivos e depois cometem suicídio é o fato de a maioria deles morarem em setores marginais da zona urbana. De acordo com o Ministério da Saúde, 22% da população brasileira é formada de jovens de baixa renda que moram em área de risco das cidades, o que dificulta ainda mais o contato com a escola, diversão e arte, trabalho e saúde. Anualmente milhares de estudantes que concluem o ensino médio tentam o vestibular para ingressar em uma universidade pública, mas, com um pouco mais de 270 mil vagas, sendo metade delas ocupadas por alunos de escolas privadas, a maioria acaba perdendo a oportunidade e a esperança de formar-se; um total equivalente a 4,5 milhões de jovens fora das universidades.

Recente pesquisa realizada em Nova Iorque, EUA, mostrou que o fato de ir para a cama mais cedo protege os adolescentes contra a depressão e pensamentos suicidas. Dos 15.500 adolescentes com idade entre 12 e 18 anos estudados, aqueles que costumavam ir para a cama depois da meia-noite mostraram chances de ter depressão 24% maiores que os adolescentes que iam dormir por volta das 22 horas. Os adolescentes que dormiam menos de cinco horas por noite tinham um risco de depressão 71% maior do que aqueles que dormiam oito horas.

Em nosso país também temos jovens que passam a noite sem dormir ou dormem apenas cinco horas por noite, e o motivo da insônia é que, dos usuários da internet à noite, 79% deles estão presos à alienação da mídia burguesa, o Facebook. Os usuários fanáticos ou desequilibrados do Facebook acreditam que, por ser uma rede social em que eles possam expressar-se livremente ou fazer autoexposição, ela os ajuda a ficar felizes ou até mesmo fugir dos seus problemas pessoais. O que não sabem, porém, é que as prováveis consequências são de reações negativas, podendo aumentar o risco da depressão.

No dia 9 de setembro comemora-se o Dia Internacional da Luta contra o Suicídio, e não podemos deixar de nos manifestar e dizer que a vida e seus benefícios são um direito de todos, que só haverá jovens e adultos satisfeitos com ela quando viverem numa sociedade em que a vida humana prevaleça mais do que o dinheiro, em que pessoas de qualquer idade terão acesso à cultura, com uma educação suficiente para lhes dar suporte psicológico, com direito para todos, uma sociedade socialista.

Luane Mota,
diretora da Fenet e militante da UJR – Fortaleza

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