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terça-feira, 29 de novembro de 2022

Dinheiro público garante sucesso de Eike Batista

Eike BatistaÉ grande a propaganda das possibilidades de sucesso e ascensão dentro do capitalismo. Mesmo no período de crise geral, os meios de comunicação se esforçam em alardear os “exemplos de sucesso” e de fortunas construídas por alguns poucos.

Nos últimos anos, um dos grandes escolhidos da mídia é o bilionário Eike Batista, com direito a capas de revista, entrevistas na televisão e, claro, muita propaganda de sua fortuna e de sua liderança empresarial.  Mas, como no sistema em que vivemos nada acontece por acaso, a mais recente empresa de seu grupo, a Six Semicondutores, é uma prova viva do favorecimento feito pelo Estado para aumentar a fortuna dos ricos.

Criada no mês de novembro, a fábrica de semicondutores (matéria-prima básica para a produção de chips de computadores) será instalada em Minas Gerais. Por ser o Brasil o quinto maior fabricante de computadores do mundo, ocupa um papel estratégico para o desenvolvimento de toda a indústria de tecnologia no país.  Para o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, a Six Semicondutores é “símbolo do avanço da sólida indústria brasileira rumo ao século XXI”.

Acontece que o Brasil já possui uma indústria de semicondutores, e uma empresa pública, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, a Ceitec, criada em 2008, mas praticamente esquecida pelo ministro na construção dessa sólida indústria brasileira a que ele se refere.

Mais R$ 700 milhões para Eike

A Six Semicondutores terá seu início no final de 2014, com um custo estimado, para sua instalação, em R$ 1 bilhão. Os parceiros, ou melhor, beneficiados pelo Governo, serão a SIX Soluções Inteligentes (de Eike Batista), IBM, Matec Investimentos, Tecnologia Infinita WS-Intecs e os bancos estatais BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais) e o BNDESPAR, responsável pelas participações acionárias do BNDES.

Do total de ações da empresa, caberão ao BNDESPAR 33%, ao custo de R$ 245 milhões, o mesmo que a SIX Soluções Inteligentes, sendo os 34% restantes divididos entre os demais participantes. Se não bastasse esse grande apoio, o BNDES ainda aprovou um financiamento de R$ 267 milhões, e, para não restarem dúvidas do interesse em patrocinar o novo “projeto” de Eike Batista, a estatal Finep, Financiadora de Estudos e Projetos, liberou para a SIX um empréstimo de R$ 202 milhões. Resumindo: R$ 714 milhões de dinheiro público gastos na criação dessa empresa. E viva a iniciativa privada!

Mas por que Eike Batista? Será que o megaempresário, que de acordo com a lista da Forbes está entre as 10 maiores fortunas do mundo, o homem mais rico do Brasil com mais de R$ 30 bilhões, precisaria de um financiamento público para tocar sua empresa?

Será que uma análise de crédito séria deveria desconsiderar os constantes prejuízos que suas empresas vêm tendo ao longo dos últimos meses? De acordo com a consultoria Economática, de janeiro a setembro deste ano, as empresas de Eike tiveram um prejuízo de R$ 1,68 bilhão, 64% maior que o prejuízo do ano passado, de R$ 1,02 bilhão. O mesmo tratamento seria dado a uma pequena ou média empresa após dois anos de prejuízo em suas contas?

A verdade é que, para os capitalistas, a iniciativa privada só existe em seus discursos e na divisão dos lucros, pois na hora dos investimentos os recursos do Estado, arrecadados sobre os impostos dos mais pobres, são utilizados em seus interesses sem nenhuma cerimônia.

Sendo esse um setor tão importante para a indústria brasileira, o Governo, que é quem pagará a conta, deveria assumir a tarefa de impulsioná-lo mediante a criação de uma empresa pública, ou mesmo da utilização da Ceitec.

Fica claro, assim, que as grandes fortunas e grandes empresas não são obra do acaso ou do esforço de seus proprietários. São resultado de uma política combinada, de apropriação do trabalho do povo e da utilização de investimentos estatais, recursos estes que deveriam ser destinados a benefício de toda a população e não para impulsionar as fortunas de meia dúzia de famílias.

Rafael Pires,
militante do PCR

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