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sexta-feira, 1 de julho de 2022

Alagoas é o 2º estado que mais mata mulheres no Brasil

Março é o mês que marca o Dia Internacional da Mulher, ocasião em que a maioria das pessoas nos parabeniza, nos dão flores, perfumes, etc. No entanto, o que muitos esquecem é que esta data surgiu com a luta e o assassinato de 129 operárias têxteis nos Estados Unidos. Assim, mais do que sermos saudadas pelo nosso dia, nós mulheres precisamos combater um mal que tem feito de nós vitimas fatais: a violência contra a mulher.

Com uma média de 8,3 homicídios por 100 mil habitantes, o Estado de Alagoas é o segundo no ranking nacional em homicídios femininos, perdendo apenas para o Espírito Santo, com uma média de 9,4/100 mil. Entre 2010 e os dois primeiros meses de 2013, 464 mulheres foram assassinadas no Estado, sendo os homicídios com armas de fogo os mais praticados. Nas duas delegacias especializadas de Maceió são registrados, por mês, 450 casos de violência, em média. No único Juizado Especial existente em Alagoas são mais de seis mil processos parados e intimações que não são entregues por falta de oficiais de justiça.

As mulheres que desejam romper com a situação de violência na qual estão inseridas não contam, portanto, com políticas públicas que viabilizem essa ruptura. As mulheres pobres têm ainda menos condições, pois, muitas vezes, não têm para onde ir com seus filhos e filhas. Por isso, para garantir alimento e moradia para suas crianças, muitas aguentam caladas essa opressão.

Assim, enquanto o Estado de Alagoas dispuser de apenas três delegacias especializadas em atendimento à mulher,um Juizado Especial de Violência Doméstica, um Centro de Referencia, uma Casa Abrigo, um hospital especializado no atendimento a mulheres e um Instituto Médico legal, não poderemos dizer que o Estado trata de forma séria essa questão.

Por isso, é fundamental fortalecer as mulheres para que compreendam as raízes da violência, fortalecendo-se e unindo-se ao conjunto das mulheres para lutar contra tamanha barbárie, fruto da sociedade em que vivemos, que lucra milhões com a exposição do corpo feminino e com o estímulo direto ou indireto à exploração sexual e à violência. Por isso, também é necessário lutar contra o capitalismo. Lutar para construir uma sociedade na qual todos possam ser, de fato, iguais.

Indira Xavier, Movimento de Mulheres Olga Benario, Alagoas

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