UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

‘Sebastiões’

Certo dia no metrô de Recife, passei por uma “prova” que me fez ter certeza do porquê estou na militância. Conheci um senhor, o Sebastião Carlos da Silva, morador de Taquaritinga e pai de família. Ele estava indo pela quarta vez para o Hospital da Restauração, depois de ter ido para o Regional de Caruaru e não ter sido atendido por falta de médicos. Seu Sebastião sofreu um AVC, que o deixou quase sem andar (ele mal consegue dobrar a perna) e com os dedos da mão esquerda tortos. Ele contou que veio à Capital por conta própria. Estava há dois dias na rodoviária de Caruaru esperando uma vaga no ônibus. Não comia fazia três dias. Uma senhora, que o ajudou a pegar o metrô, disse que no hospital lhe dariam comida. Ele logo negou e disse que, das outras vezes que veio tentar fazer o tratamento, teve que tirar o que comer do lixo do hospital, e não era o único a fazer isto. Também disse que dormia no chão e, em dias de “sorte”, conseguia papel para se cobrir, porque não disponibilizavam lençóis. Disse também que tinha muita fé e que acreditava que algo melhor está sendo preparado para ele, o que surpreendeu a todos. A senhora que estava do seu lado lhe deu R$ 10,00 para que ele se alimentasse por aquele dia. Seu Sebastião não se conteve e chorou enquanto agradecia quase que sem parar à mulher que lhe ajudara. Disse que em seu caminho, sempre encontrava pessoas boas que, da forma que podiam, lhe ajudavam e isso não tinha preço, e voltou a sorrir ao lembrar-se dessas pessoas. Depois ele nos contou como era sua vida em Taquaritinga. Disse que morava num sítio com sua esposa e um filho. Lá não tem luz, só candeeiro; não tem camas, só papelões. “Lá tem muita cobra, a gente deita no chão e sente elas passando por cima da gente, são pesadas. Chamo meu filho, e ele afasta elas, mas elas sempre voltam. “Passei a viagem toda chorando, emocionada com sua história, imaginando quantos ‘Sebastiões’ não existem por aí, quantas pessoas não passam por isso todos os dias… Sem comida, com frio, sem amparo. Ele nem sabe, mas desde o instante em que saí do metrô, penso nele. Penso se chegou bem ao Hospital, se conseguiu ser atendido, se se alimentou, se encontrou pessoas boas em seu caminho, se ele está bem.. Ele nem sabe, mas hoje me fez ter a certeza de que minha luta é justa, que estou no caminho certo. Me fez ter mais força para construir uma nova sociedade, onde o Seu Sebastião não precisará viajar horas atrás de tratamento médico, onde ele não sinta o peso das cobras em seu cobertor, onde ele não coma do lixo. Uma sociedade onde não só ele será o beneficiado e sim todos; Uma sociedade onde ninguém precise passar por isso. Onde alguns não se beneficiem à custa do sofrimento de outros. Onde as Marias, os Sebastiões, os/as Silvas, todos nós possamos viver com dignidade. Por isso, escolhi ser comunista, para libertar o meu povo, construir essa sociedade que tem nome: sociedade socialista! E seguirei firme o meu caminho rumo à libertação do povo!

Carta enviada por Iany Morais,
militante da UJR 

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