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quarta-feira, 6 de julho de 2022

Jovens organizam Rolê e são perseguidos pela polícia

roleOs shoppings da capital paulista estão lotados neste final de ano. A propaganda pelo consumo está sendo eficaz por mais um ano com grandes decorações natalinas, com a neve artificial que contrasta com o calor que faz lá fora, com a Copa da Fifa. Como não, a Copa, e a Coca-cola e o Mac Donald´s…
Mas a juventude paulistana, que vive nas zona Leste, Sul e Norte, nos bairros de periferia, quer participar da festa e tem uma grande vantagem em seu favor, ela está em grande número.
É uma juventude que sofre uma exploração sem tamanho. O emprego, quando existe, é de péssima qualidade no setor de serviços. A escola é uma prisão, que ensina muito pouco e reprime por demais. A polícia não, essa está sempre por ali, dando enquadro quando tem festa no bairro, tapa na cara e até tiro, como aconteceu com o jovem Douglas Henrique que vivia no Jaçana, zona norte da capital.
Esses milhões de jovens estão sem perspectiva. O que ser da vida? Entrar pro tráfico? Passar a vida trabalhando por um salário mínimo? É muito preconceito, muita repressão e pouco exemplo de conduta, pouca alternativa para o futuro. Muitos usam drogas, é uma alternativa quando não resta outra. O funk ostentação faz muito sucesso.
O funk faz sucesso por que fala no idioma da periferia. Faz mais, diz que é possível um jovem preto, sem estudo, possuir tudo aquilo que o burguês tem e esfrega na cara dele com arrogância todos os dias. É por isso que Mc Daleste e Mc Guime, entre outros, fazem sucesso.
Uma parte dessa juventude resolveu aparecer, talvez como sintoma das manifestações de Junho. Quem não aparece não é visto, e quem não é visto continua sem nenhum direito. As festas que antes eram feitas no bairro, ali nas redondezas para não incomodar ninguém, passaram a ser marcadas no ninho da classe média paulistana, os palácios do consumo conhecidos como Shoppings.
A classe média se assustou. Alguns relatam que viram gente armada, arrastão. “Tem de proibir esse tipo de maloqueiro de entrar num lugar como este”, afirmou Helena Pregonezzi, empresária do ramo de mudanças.
A polícia militar mostrou que está ali para reprimir tanto quanto na periferia. Em dois Rolês foram mais de 30 detidos, mas nenhum caso concreto de roubo, posse de arma ou droga. Apenas detidos, para “averiguação”. Seguranças particulares também bateram, revistaram e mostraram armas.
A juventude continua marcando novos Rolês, inovando nas formas de luta e procurando um caminho para sair da exploração e da opressão que o capitalismo lhe reserva.

Jorge Batista, São Paulo

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