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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

ENEM discute violência contra as mulheres

Olga 2O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), que sempre vem trazendo como propostas para as suas redações questões sociais, mais uma vez surpreende a sociedade com a temática: “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. O trabalho escravo e a publicidade infantil foram temas abordados, mesmo não sendo assuntos recorrentes nos meios de comunicação, como a TV Globo. Além disso, alguns sites, como educação.uol, apostavam em temas para 2015, como a intolerância religiosa e a redução da maioridade penal, entretanto, a escolha para a redação foi de outro tema importante para a construção social e que contribuirá com a reflexão de milhões de pessoas sobre à violência contra as mulheres.

É preciso que todos os espaços disponíveis pautem a casa como o lugar mais inseguro para a mulher, onde 48% das mulheres são agredidas (no caso dos homens, apenas 14% foram agredidos no interior de suas casas, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE, 2009). E onde não há espaços disponíveis, é necessário criá-los para que se diga que, em 2014, do total de 52.957 denúncias de violência contra a mulher, 27.369 corresponderam a denúncias de violência física (51,68%), 16.846 de violência psicológica (31,81%), 5.126 de violência moral (9,68%), 1.028 de violência patrimonial (1,94%), 1.517 de violência sexual (2,86%), 931 de cárcere privado (1,76%) e 140 envolvendo tráfico (0,26%) e, principalmente, para que esses atos não fiquem impunes, para que as mulheres se organizem e lutem por uma sociedade justa.

Outros dados, do portal Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha – A lei é mais forte, ainda chamam a atenção: dos atendimentos registrados em 2014, 80% das vítimas tinham filhos, sendo que 64,35% presenciavam a violência e 18,74% eram vítimas diretas juntamente com as mães. Fica claro, não só por a mulher ser maioria, que esse tipo de violência prejudica a sociedade como todo, mas também por afetar diretamente uma grande quantidade de crianças (são vários futuros adultos que terão dificuldades educacionais e nos relacionamentos interpessoais) e a economia do país (por perca de produtividade e aumento do uso de serviços sociais).

Diante desse quadro alarmante, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou neste ano um estudo sobre a efetividade da Lei Maria da Penha, mostrando que a Lei fez diminuir em apenas cerca de 10% a taxa de homicídio contra as mulheres dentro das residências. O que deixa o Brasil no 7º lugar no ranking de países nesse tipo de crime. Junte-se ao Movimento de Mulheres Olga Benário!

 Rita Silva, estudante de Letras da UFRPE.

 

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