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Eliana Silva: exemplo de mulher revolucionária

Os meses de janeiro e fevereiro de 2016 foram importantes para o Partido Comunista Revolucionário (PCR) em Minas Gerais, pois os militantes dedicaram esses dias à memória da camarada Eliana Silva, falecida há sete anos, em 22 de janeiro de 2009, vítima de câncer. Várias atividades foram realizadas, com destaque para o Curso de Teoria Marxista-Leninista, incluindo o curso de Filosofia com o tema “Marx como filósofo da emancipação humana”. O exemplo de vida e de lutas de Eliana Silva tem sido de muita inspiração para a militância do PCR no estado.

Eliana Silva de Jesus iniciou sua militância, no início da década de 1980, atuando no movimento secundarista, participando ativamente da luta política contra a ditadura militar, pela democratização e pelas “Diretas Já!” no Brasil, também com destacada participação na reconstrução da União Colegial de Minas Gerais (UCMG), em 1989, e outras importantes lutas da juventude brasileira, entre elas a meia-entrada e o passe-livre. Eliana também participou das greves e das lutas operárias, apoiando as lutas dos trabalhadores metalúrgicos, da construção civil, dos rodoviários, dos professores e dos servidores públicos.

E nos momentos de acirramento da luta política, quando era preciso ser firme e não vacilar, Eliana foi decidida. Assim ocorreu quando foi necessário reorganizar o PCR e também quando enfrentou os oportunistas que tentaram intimidá-la, agredindo a ela e a sua filha, ainda criança, por sua posição em defesa dos ideais revolucionários e do Partido. Mesmo quando já estava com sua saúde debilitada, fazia questão de participar da reunião de seu coletivo pelo menos uma vez por mês, de ajudar seus camaradas, dar sua opinião e apoiar o trabalho. Nunca abriu mão de ser uma militante comunista, mesmo nos momentos de maior adversidade. Com seu jeito simples, seu sorriso sempre presente e sua tranquilidade em lidar com todas as situações, é um grande exemplo de mulher lutadora.

A Ocupação Vila Corumbiara e a construção do MLB

Eliana Silva começou, então, a participar do trabalho de organização das associações de moradores, das mulheres e da luta do povo pobre e sem moradia na periferia de Belo Horizonte. Em março de 1996, surgiu uma das mais importantes e organizadas ocupações urbanas do país: a Ocupação da Vila Corumbiara, na região do Barreiro, e Eliana se destacou em pouco tempo como uma das principais lideranças, enfrentando as ameaças e a repressão policial, as ordens de despejo, o cerco e resistindo na defesa das centenas de famílias da ocupação.

A ocupação resistiu, venceu e começou uma intensa jornada de lutas por direito à rede de energia, de água e de esgoto, transporte, creche comunitária, coleta de lixo, iluminação pública e transporte escolar, que foram sendo conquistadas com muita combatividade. Eliana esteve à frente dessas lutas como presidente da Associação de Moradores. Infelizmente, não pôde ver a conquista da principal reivindicação: a do título de posse das moradias. Mas nenhum morador esqueceu o quanto Eliana lutou para que todos tivessem seu direito à moradia reconhecido naquele pedaço de chão. Hoje, com 20 anos, a Ocupação da Vila Corumbiara se transformou num bairro.

Com a bagagem de lutas e a necessidade de fortalecer a batalha pela moradia popular e pela reforma urbana em todo o Brasil, Eliana Silva teve importante papel na criação do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), organizando seu congresso de fundação na cidade de Belo Horizonte, em 1999, e reunindo lideranças de ocupações de várias capitais brasileiras. O surgimento do MLB deu impulso e abriu novas perspectivas na luta pela moradia em todo o País. Hoje o MLB está organizado de Norte a Sul do Brasil. Certamente Eliana estaria muito feliz em ver o avanço da luta popular se espalhando por todos os lugares.

Alguns dias antes de sua morte, Eliana Silva escreveu uma carta para todos os seus companheiros de luta do MLB, da Vila Corumbiara e, em especial, seus camaradas do PCR. Na carta está a mensagem de fé e esperança na transformação do mundo, pois Eliana Silva acreditava na luta revolucionária para acabar com o capitalismo e construir a sociedade socialista:

“Viva. Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia. Porque o mundo pertence a quem se atreve, e a vida é “muito” para ser insignificante. Não há nada como um dia após o outro para renovarmos nossas forças, a prece não traz soluções milagrosas aos nossos problemas, mas nos dá a paz, serenidade, compreensão e fortalece-nos, então somos capazes de encontrar os melhores caminhos. Se Deus resolvesse os nossos problemas, que mérito teríamos? Aprenderíamos com eles? E tudo quanto a vida nos apresenta vem para nos ensinar a sermos melhores. Somos capazes de amar e amar é uma forma de viver… Somos viajantes que escolhemos nossas estradas conforme nossa inteligência e vontade. Respeitar a escolha alheia, mais do que alertar, e mostrar pelos próprios passos a estrada por nós escolhida, não é possível fazer a nossa fronteira. A verdade libertadora é aquela que conhecemos na atividade incessante do bem.”

 

Redação Minas Gerais

 

 

 

 

 

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