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sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Sarampo atinge professores da UNIP em São Paulo

São Paulo não havia registrado nenhum caso de Sarampo desde 2015, mas no final de março de 2019, a doença voltou quando um bebê de 5 meses recebeu o diagnóstico após retornar de uma viagem com a família para a Noruega. A notícia foi amplamente divulgada pela mídia em 1º de abril, mesmo dia em que outro caso de sarampo foi confirmado na capital paulista.  Contudo, a confirmação de sarampo em um professor da Universidade Paulista (UNIP) Tatuapé – que prefere não ser identificado – passou despercebida. Em 04 de abril, o segundo caso comprovado da doença foi midiatizado. Entretanto, esse não se referia ao docente, mas a um adulto que havia viajado para Malta.

Segundo outro professor da UNIP Tatuapé, André Muniz, houve uma ação muito rápida da Vigilância Sanitária e da coordenação da faculdade. Assim que os médicos certificaram-se de que o doente estava com sarampo, eles entraram em contato com a Vigilância, seguindo os protocolos obrigatórios da Coordenadoria da Vigilância em Saúde (Convisa). Em seguida, foi informado à faculdade, e representantes da vigilância foram até o local para realizar uma campanha de vacinação. Foi anunciado a todos os alunos e funcionários da instituição a necessidade de se imunizar contra a doença. A campanha começou no dia 02 de abril e terminaria dia 04 de abril, no entanto outro professor foi registrado com a doença e a campanha se estendeu durante a semana seguinte, de 08 a 12 de abril. Até o momento, apenas dois professores foram confirmados com a doença e outro docente está com suspeita, mas não há nenhum registro de sarampo nos 16 mil alunos da instituição.

O episódio segue o protocolo do Ministério da Saúde:

  • Após a notificação é feita uma investigação do caso suspeito: busca dos dados clínicos e da investigação laboratorial junto aos serviços de atendimento;
  • Investigação epidemiológica: avaliação de deslocamentos do caso suspeito com intuito de desencadear medidas de prevenção;
  • Orientação de isolamento social do caso pelo período máximo de transmissão;
  • Vacinação seletiva; ou seja, vacinação dos não imunizados ou com esquema de vacinação incompleto para a idade após a avaliação do comprovante de vacinação das pessoas expostas em todos os locais frequentados pelo caso suspeito, tais como: residência, escola, unidade de saúde, meio de transporte utilizado em viagens no período de transmissão da doença, etc.;
  • Acompanhamento de todos os expostos para detectar o aparecimento de novos casos.

Os casos dos professores podem ser os primeiros autóctones – que se originam na região onde é encontrado, ou seja, o paciente não foi infectado por pessoas de outro país ou estado – na capital paulista. O primeiro professor contaminado havia viajado no final de semana anterior para Campos de Jordão, no interior de São Paulo. Entretanto como os sintomas da doença, geralmente, demoram entre 10 a 14 dias para aparecerem, ele pode ter desenvolvido a doença na capital.

Segundo o Dr. Marco Antonio Manfredini, “a gente tem que ter uma responsabilidade social e ética de não criar um terrorismo quando não tem necessidade”. Ele critica o cobertura que a mídia faz em surtos de doenças. “O caso da Febre Amarela foi muito emblemático em São Paulo no início do ano passado, porque criou-se uma comoção social injustificável”.

A reportagem tentou entrar em contato com a Secretária Municipal da Saúde de São Paulo e com a UNIP Tatuapé, porém até o momento não obteve resposta. Também houve a tentativa de entrevistar os professores contaminados pela doença, porém eles preferiram não conceder seus depoimentos.

Malu Mões, São Paulo

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