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A liquidação do século

Anisah Campinas, Rio de Janeiro.

Nos últimos dias de janeiro de 2020, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump se reuniu na casa branca com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu para discutir o que denominaram como o “acordo do século” (em inglês “deal of the century”) que nada mais é que um plano de anexação de mais terras palestinas ao Estado ilegítimo de Israel e imposição de táticas de controle na região. O plano foi desenhado sem nenhum representante e palestino e nenhuma consulta aos principais representantes do povo palestino, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e o Hamas e atende sobretudo às necessidades políticas de Trump e Netanyahu, ambos enfrentando processos nos seus respectivos países e enfraquecidos na região em consequência do covarde e desastrado assassinato do general iraniano Qasem Soleimani que promoveram em 3 de janeiro deste ano.

Mapa mostra como depois de guerras contra o povo palestino, Israel e os EUA foram pouco a pouco tirando todo pedaço de terra da Palestina histórica.

O presidente estadunidense diz buscar uma suposta “solução de dois estados” que leve a paz para região, enquanto na prática contraria todas as possibilidades neste sentido. Todos os governos estadunidenses anteriores rejeitaram o plano de partilha da ONU de 1967 para região que estabelecia dois Estados, sendo 43.5% do território palestino e 56.5% israelense. Nessa nova divisão proposta por Trump, o Estado Palestino ficaria com apenas 15% do território, não contendo nenhum porto ou aeroporto e sendo todo cercado por território e bases militares israelenses.

O acordo proposto estabelece medidas absurdas, como: 1) reconhecer Jerusalém como capital de Israel, em desrespeito às resoluções 476 e 478, de 1980, da ONU; 2) manutenção de praticamente todas as terras conquistadas pelos israelenses nas diversas guerras contra os palestinos desde 1948; 3) negação do direito de retorno para os mais de 5 milhões de palestinos expulsos de seu país por Israel, os quais, além de não terem o direito de morar no novo Estado palestino a ser criado, perderão o status de refugiados; 4) total soberania israelense nos assentamentos ocupados ilegalmente na Cisjordania (território palestino), que representam cerca de 30% da região, além de reconhecer a anexação das colinas de Golã, tomadas da Síria na guerra de 1967; 5) Israel manteria o controle militar sobre o Vale do Rio Jordão e da costa do Mediterrâneo que banha a Faixa de Gaza, território palestino; 5) boa vontade de Israel em criar um “caminho para a criação de um Estado palestino” em quatro anos, condicionado ao desarmamento unilateral do Hamas e do movimento Jihad Islâmica.

Plano de destruição da Palestina proposto por Donald Trump no início do ano.

Tal proposta de acordo além de contrário ao direito internacional e às resoluções da ONU, é humilhante para os palestinos ao estabelecer objetivos inaceitáveis que asseguram total controle militar de Israel sobre todo o território palestino. O povo árabe-palestino vive na região há milhares de anos, tendo sofrido e vencido as Cruzadas (1095-1272). Desde 1948, entretanto, quando começou a grande catástrofe (Nabka, em árabe), a maioria dos palestinos vem sendo morta ou expulsa de suas casas, em sucessivas guerras de conquista israelense (1948, 1967, 1973), além d do estabelecimento ilegal de colônias na Cisjordânia e de um regime de apartheid estabelecido por Israel. Tal situação é garantida por meio de prisões, torturas e assassinatos cotidianos de palestinos pelas forças armadas de Israel, que constituem uma ação permanente de limpeza ou faxina étnica.

Numa demonstração vergonhosa de servilismo, o governo Bolsonaro declarou apoio ao plano de Trump e Netanyahu É necessário que todos os trabalhadores deem todo apoio à causa palestina, formando uma ampla solidariedade internacional capaz de frear os planos imperialistas e sionistas. Não cabe ilusões, as armas e métodos desenvolvidos para assassinar palestinos são usados para matar os jovens negros das periferias das cidades brasileiras.

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