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Abandono é o legado do governo Luis Álvaro

Crimes eleitorais, farra para os “amigos do rei” e desrespeito com o povo são algumas das marcas deixadas pelo engenheiro que brincou de ser prefeito.

Guilherme Piva
militante da Unidade Popular (UP)

Legenda: Luis Álvaro fala em púlpito com logotipo da prefeitura

Toninho Andrada, prefeito de Barbacena na gestão 2012-2016, caminhava para ser lembrado como um dos piores chefes que o Executivo da cidade já viu. Desgastado após um governo higienista e corrupto, enfrentou manifestações massivas contra suas medidas (como a Lei Delegada, o projeto “Escola Legal” e o fechamento da Policlínica) em 2013, no contexto das jornadas de junho que tomaram o país, e só se salvou de um impeachment por ter a maioria da Câmara na palma de suas mãos.

Legenda: Manifestações de junho de 2013 levaram mais de 5 mil barbacenenses às ruas e abalaram governo de Toninho Andrada. Reprodução/Facebook

Escolheu como seu pupilo político o engenheiro Luis Álvaro, que trabalhou em sua gestão ocupando cargos no Sistema de Água e Saneamento (SAS) e na Secretaria de Obras. Com receio de que a associação à sua imagem manchada prejudicasse o sucessor, apostou em uma estratégia ardilosa. Lançou diversos aliados do clã Andrada ao cargo: além de Luis Álvaro, as candidaturas de Aloysio Marinho (que no vídeo abaixo pede voto para o candidato a deputado estadual Doorgal Andrada, sobrinho de Toninho), Dr. Tarcísio e o vereador da base de seu governo Sá Grise diluíram votos, o que prejudicou seu principal adversário, o vereador oposicionista Kikito (PT).

Legenda: Aloysio Marinho, candidato a prefeito em 2016 pelo PTC, apoiando sobrinho do ex-prefeito Toninho Andrada. Reprodução/Facebook

A estratégia do prefeito, somada a erros políticos de Kikito, deu certo: Luis Álvaro se elegeu com pouco mais de 600 votos de vantagem para o petista (por possuir menos de 200.000 habitantes, as eleições municipais de Barbacena são decididas sempre no primeiro turno).

Legenda: Luis Álvaro e Angela Kilson ao lado do ex-prefeito Toninho Andrada e o então deputado federal Bonifácio Andrada na festa da vitória. Vertentes das Gerais

Luis Álvaro havia se filiado ao PSB (mesmo partido que Toninho Andrada integrava) poucos meses antes, para se candidatar à prefeitura. Durante a campanha, apostou no discurso que se tornou moda na época. Dizia que não era político, mas sim gestor.

Ao longo de seu mandato, porém, Luis Álvaro deu uma cartilha de como não governar uma cidade: logo após a eleição, começou a circular um vídeo de uma reunião de Luis Álvaro e Toninho Andrada, no auditório da Faculdade de Medicina, com servidores da prefeitura. No vídeo (abaixo), o então candidato coloca como condição para a assinatura de um termo de compromisso com o funcionalismo que os servidores votem nele. “Tem que votar no 40”, diz. O vídeo virou prova documental e Luis Álvaro e sua vice foram denunciados por abuso de poder político e captação ilícita de sufrágio (compra de votos). Em primeira instância, ambos foram condenados e punidos com a perda do mandato, e Andrada com inelegibilidade por oito anos. No TRE, mesmo com um flagrante robusto do crime, os três foram absolvidos.

Legenda Luis Álvaro chantageando servidores. Reprodução/Facebook

Além do abandono absoluto, Luis Álvaro ficou marcado também por sua postura higienista e declarações dignas de Jair Bolsonaro. Chegou a propor como alternativa para reduzir o alto número de pessoas em situação de rua que se colocasse os sem-teto em um ônibus e os “soltasse” em cidades vizinhas. Em uma reunião com representantes de um órgão do governo federal para tratar sobre os remanescentes quilombolas da cidade, o prefeito afirmou que eles “precisavam evoluir”.

Marcou também seu governo como um governo inimigo da cultura. O tradicional festival de teatro do Instituto Curupira, incluído no calendário oficial do município, e que sempre reunia atrações do país todo, deixou de ser realizado por falta de incentivo da prefeitura. O carnaval também é cada vez mais elitizado: a prefeitura simplesmente monta um palco na Rua XV de Novembro, instala tendas pela rua para a venda de comes e bebes. Nada de povo ou blocos na principal rua da cidade. Houve até blocos que deixaram de compor o carnaval também por falta de apoio da prefeitura.

Sua estadia na Prefeitura Municipal também foi marcada pela corrupção. Foi alvo de uma operação da PF e da Receita Federal (Operação Desvia) que apurava desvios de verbas da saúde entre 2015 e 2016. Depois de mais esse escândalo, foi afastado do cargo e Angela Kilson chegou a cumprir a função de prefeita em exercício. Dias antes da operação, Luis Álvaro havia atacado a imprensa, culpando-a pela crise no município.

Sua equipe de governo protagonizou escândalos e despertou antipatia no povo. Um subsecretário foi exonerado após ser flagrado furtando uma camisa. Misteriosamente, a edição do jornal Expresso que trazia a notícia sobre a exoneração sumiu rapidamente das bancas um dia após a rodagem; a Secretária de Obras foi campeã de reclamações dos cidadãos, não só pelo mau serviço prestado, como pelo trato grosseiro com os munícipes. Ao ser cobrada pelos vereadores por explicações sobre a construção de diversos condomínios, a secretária tentou perseguir e retaliar o legislativo: a Secretaria Municipal de Obras Públicas (SEMOP) encaminhou ao MP um documento, assinado por ela e pelo assessor especial da secretaria, Sérgio Souza Júnior, requisitando “relatório individualizado de cada vereador com base no princípio de eficiência, demonstrando se os mesmos possuem capacidade técnica para exercer plenamente a função de legislar”.

Em março de 2019, o serviço da secretaria municipal de obras foi avaliado com insatisfação por 67% dos participantes de uma enquete realizada pelo jornal Folha de Barbacena em suas redes sociais, índice que em agosto do mesmo ano saltou para 87%. Entre as reclamações, burocracia, falta de transparência, atendimento rude, obras inacabadas e buracos nas ruas.

O prefeito que virou meme por seu hábito patético de dançar nos palcos das festividades locais (na tentativa de forçar uma imagem carismática por meio de um populismo rasteiro) também governou em causa própria. Sócio de empresas de engenharia, tentou, sem sucesso, aprovar na Câmara um projeto que pretendia modificar a Lei Orgânica Municipal para permitir que empresas em dívida com o município pagassem suas pendências prestando serviços à prefeitura. (Hoje, a LOM só permite que a dívida seja abatida pela cessão de imóveis de posse das empresas). Com isso, diversos vereadores pediram a exoneração da Secretária, até mesmo fiéis aliados do prefeito na casa.

Visando garantir o mínimo de sustentação política para uma segunda corrida eleitoral, aprovou na Câmara uma reforma administrativa que aumentou o número de cargos comissionados, abrindo o caminho para que vereadores da base governista e até alguns de partidos de direita da oposição (que já tinham pessoas ligadas a si como comissionados na prefeitura) indicassem assessores e outros aliados para ainda mais cabides de emprego. Com isso, Luis Álvaro mostrou que sua conduta contradiz seu discurso: o prefeito que sempre foi taxativo em dizer que a cidade estava quebrada e não tinha dinheiro para implementar medidas em prol da população fez uma reforma que aumentou os gastos da prefeitura com a folha de pagamento.

Reprovado pela imensa maioria da população e colocado por ela na disputa pelo posto de pior prefeito da história de Barbacena, Luis Álvaro, agora no DEM, aposta em viabilizar sua reeleição sangrando o povo, enviando à Câmara pedidos de empréstimos, que, se aprovados, seriam pagos às custas da população, e que certamente não seriam revertidos para o bem da cidade, mas sim para financiar sua candidatura em 2020.

Tenta se blindar das críticas com discursos cretinos de que todos os seus críticos conspiram para desestabilizar seu péssimo governo e de que estão contra a cidade. Até a Festa das Rosas virou palanque para seus xiliques. Tenta, dessa forma, ocultar o fato que o povo barbacenense já constatou: nos últimos três anos, o prefeito não fez nada pela cidade.

Nas especulações típicas de ano eleitoral, a própria vice-prefeita surge como possível pré-candidata ao Executivo, o que mostra que o desgaste de seu governo é tão grande que integrantes já pulam do barco. A ex-secretária de obras pediu exoneração do cargo há poucas semanas. O governo do bobo da corte Luis Álvaro vai caindo como um castelo de cartas. A não ser que fraude as eleições fazendo negociatas políticas baratas com dirigentes partidários e vereadores fisiologistas ou investindo pesado em compras de votos, ele não se verá em outro mandato tão cedo. Ao que tudo indica, em outubro, as urnas barbacenenses levarão o prefeito a fazer o que mais gosta: dançar.

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