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quarta-feira, 29 de junho de 2022

Belém sofre com alagamentos e falta de saneamento básico

Belém, capital do Estado do Pará, sofre com descaso dos governantes

Que temos um grave problema com o saneamento, não é novidade. Basta chegarmos às periferias das cidades brasileiras e rapidamente constatamos que faltam os serviços essenciais aos mais pobres. Mais de um terço dos brasileiros vivem em domicílios sem coleta de esgoto sanitário.

Segundo a Síntese de Indicadores Sociais (SIS), com dados de 2018, divulgada no final de 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do total de pessoas vivendo em casas sem esgoto, 63% (46,526 milhões de pessoas) moram no Norte e no Nordeste. No Norte, 79,3% dos habitantes moram em domicílios sem esgoto sanitário. Esses números em Belém, capital do Pará, são alarmantes: somente 13% das residências possuem coleta de esgoto.

Para piorar o cenário caótico na capital, a “Cidade das Mangueiras” está se transformando na “Cidade do Alagamento”, com constantes localidades alagadas mesmo com chuvas fracas, o que resulta em perdas de eletrodomésticos, móveis, utensílios e, em alguns casos, até mortes. Foi o que houve com Raimundo Batista, de 58 anos, que passou mal em casa, mas não pôde ser socorrido porque a rua estava alagada, o que impossibilitou o acesso do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Se essa situação é presente em chuvas fracas, nas chuvas torrenciais a situação se agrava, como a que ocorreu no dia 17, em que o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou, em três horas, 85 mm, ultrapassando o esperado para todo o mês de abril. Vários pontos da cidade registraram alagamentos e houve interrupção de energia elétrica e de sinal de internet.

Em contrapartida, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), aproximadamente 30% da população não possui abastecimento de água potável, sendo a 90º cidade dentre as 100 maiores cidades do país e, se analisarmos as capitais, está em quarto entre as mais distantes da universalização.

Se no saneamento Belém sofre, na saúde não é diferente. Unidades Básicas de Saúde (UBS) estão em condições precárias, faltam medicamentos e profissionais da área. Com a quarentena, que deveria ser acompanhada de um aumento na atenção básica, essa situação foi agravada com o colapso do PSM do Guamá e da UPA da Terra Firme. Além disso, falta Equipamento de Proteção Individual (EPI), como atestaram os servidores do Pronto Socorro Municipal, que realizaram um ato no dia 15, reivindicando melhores condições de trabalho para enfrentar o coronavírus.

Servidores da saúde protestam por condições de trabalho

Todavia, a cidade padece de prefeito e gestão, haja vista que Zenaldo Coutinho (PSDB) culpa a maré alta, o coronavírus, os preços e o que mais houver para negligenciar condições básicas à população. Todos estes elementos fazem com que o combate à Covid-19 seja mais difícil, principalmente entre a classe trabalhadora, que são os mais afetados pelas péssimas condições de vida.

Neste mar de dificuldades e incertezas, os trabalhadores mostram toda a sua solidariedade auxiliando os vizinhos, amigos, parentes e desconhecidos por meio de iniciativas, como a construção da Rede de Solidariedade do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), que arrecada alimentos, recursos e produtos que estão sendo transformados em cestas básicas para centenas de pessoas em Belém.

Somente os trabalhadores podem transformar essa situação. É possível vencer o coronavírus e o descaso com a cidade. Transformar o saneamento básico em um serviço universalizado faz parte da luta pelo direito de viver dignamente.

Welfesom Alves, Belém

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