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sábado, 26 de novembro de 2022

Despejo truculento de sem tetos em Manaus

FASCISMO – Governo despeja famílias em Manaus em meio à pandemia. (Foto: Jornal Hoje)
Lorraine Almeida

MANAUS – Há cinco anos, a população vítima do descaso do Estado realizou a maior ocupação urbana de Manaus, capital do Amazonas. Milhares de pessoas, sem ter onde morar, foram vítimas de mais um descaso do governo fascista de Wilson Lima (PSC), que autorizou a reintegração de posse do terreno na Zona Norte onde estava situada a Ocupação Monte Horebe. Segundo os dados oficiais, eram cerca de 500 famílias, mas, certamente, o número era bem maior.

No início da manhã do dia 02 de março, um efetivo de cerca de mil agentes policiais cercou a ocupação para iniciar o despejo das famílias. “[…] a tropa de choque da PM entrou… Com sprays de pimenta, os policiais dispersaram dezenas de moradores que entoavam cantos evangélicos, sem oferecer resistência física. Logo após a dispersão dos moradores com spray, uma escavadeira começou a destruir barracos e casas, sob proteção dos PMs”.

Este é o relato da reportagem do jornal Folha de S. Paulo, único veículo de comunicação que conseguiu entrar no local para fazer cobertura, já que todos os demais foram barrados pelo cerco policial. A versão da imprensa local de Manaus, aliás, é de que todo o processo de despejo aconteceu de forma negociada e “sem nenhum incidente”.

A ocupação era formada pela parte da sociedade que não tem seus direitos assegurados, como trabalhadores desempregados, imigrantes do Haiti e da Venezuela, que, sem solidariedade e apoio do Estado, permanecem, até hoje, desamparados. Também havia em Monte Horebe dezenas de famílias remanescentes do bairro Educandos, que sofreram com um incêndio, em 2018, e denunciam que ainda estão à espera dos aluguéis sociais, moradias e indenizações prometidos.

São pessoas trabalhadoras, que lutam diariamente para ter dignidade, como é o caso do ambulante Omar Barbosa, 49 anos, que morava na ocupação há seis meses com a esposa, a nora e a neta de um ano.

De olho apenas na especulação imobiliária, o Estado do Amazonas deixa grande parte da população à margem do direito à moradia. É o que revelam os dados da Fundação Getúlio Vargas: o Amazonas possui o maior déficit habitacional do Brasil. Enquanto o índice nacional é de 9,3%, a falta de moradia no Estado chega a 25,4% da população. Somente em 2018, foram contadas mais de 128 mil pessoas sem moradia em Manaus.

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