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terça-feira, 5 de julho de 2022

Gabriela Torres é pré-candidata a vereadora da UP em Mauá

Foto: Jorge Ferreira

Redação São Paulo

Como proposta ao Diretório Nacional, os militantes da Unidade Popular de São Paulo decidiram indicar o nome de Gabriela Torres à vereadora na cidade de Mauá, no ABC paulista. Gabriela é integrante do Movimento de Mulheres Olga Benario e coordenadora da Casa Helenira Preta. Mauaense, é oriunda de uma família de caminhoneiros e trabalhadores da indústria da louça.

A VERDADE: Como está atualmente o processo de construção da UP?

GABRIELA: A Unidade Popular é resultado da união de diversos movimentos sociais, que há anos já travavam lutas no nosso país, e por causa disso, a UP tem atuações e uma dinâmica diferente. Nosso partido cumpre trabalhos como a barragem de despejo no bairro do Jaguaré com o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas; a greve de trabalhadores do telemarketing em empresas que não respeitam as condições de saúde dos funcionários, construção de casas de referência para mulheres com o Movimento Olga Benario e venda de centenas de jornais populares nas portas de fábrica e trens. Porém, essas e outras diversas vitórias não nos bastam! A Unidade Popular nasce a partir da necessidade de representação dos mais pobres na política tradicional, e para ser o instrumento de tomada do poder político pelos explorados. Hoje, temos um trabalho regionalizado, e os integrantes do núcleo de Mauá são moradores dos bairros mais marginalizados da cidade, de vários Zaíras, Itapeva, Cerqueira Leite, entre outros.

Gabriela, antes de ser expulsa por seguranças, confronta Átila Jacomussi em evento da prefeitura.

 

A VERDADE: Em quais lutas a UP está mais diretamente envolvida nesse momento?

GABRIELA: O trabalho da UP está muito ligado com as lutas reais que os movimentos sociais integrantes fazem nas cidades onde estão. Aqui em Mauá, nossa luta está muito voltada à realidade de opressão, abuso e violência que as mulheres sofrem. Graças à essa situação, o Movimento de Mulheres Olga Benario; assim como decidiu construir a Unidade Popular; resolveu construir a Casa Helenira Preta: uma ocupação que atende mulheres em situação de violência, que tem feito o atendimento de munícipes durante essa quarentena, e que cumpre o papel de espaço cultural e formação política da cidade.

Coordenação da Casa no projeto Helenira nos Bairros.

 

 

Outra pauta forte na UP de Mauá é a questão da cultura. Uma característica bem forte da juventude da periferia é sua capacidade artística impressionante. Nossa cidade possui diversos coletivos que, com o trabalho coletivo entre os moradores, promovem batalhas de rap, saraus de poesia, peças de teatro ao ar livre… Percebendo que as reivindicações desses coletivos eram as mesmas, a UP decidiu fundar o Comitê Popular de Cultura (CPC), uma organização composta por dez coletivos de arte da cidade, onde debatemos sobre a política municipal e o papel da arte na vida das pessoas.

Comitê Popular de Cultura de Mauá.

 

A VERDADE: O que a UP defende para sua cidade?

GABRIELA: O que nós, moradores de Mauá, precisamos é de qualidade de vida, com oportunidades de acesso, direitos respeitados e a garantia de serviços básicos para toda a população. A falta de água e saneamento básico ainda é generalizada; serviços essenciais como da saúde seguem sucateados, com casos de negligência e reutilização de seringas no Hospital Nardini. A educação se mantém no escanteio, com o fechamento da Biblioteca Cecília Meireles e de EJAs (Educação de Jovens e Adultos) que ficavam na região central da cidade, e o transporte privatizado segue caro, com condições injustas de trabalho aos motoristas e cada vez mais sucateado.

Em tempos de quarentena, a defesa deve ser pela vida: o mundo está diante de um vírus sem vacina, que está infectando e matando milhares de pessoa. Fábricas e empresas precisam ser fechadas sob a garantia de renda dos funcionários, e os serviços essenciais precisam receber mais investimentos – com aumento da quantidade de leitos disponíveis, melhorias nos aparelhos públicos de saúde, como as Unidades de Pronto Atendimento e Unidades Básicas de Saúde, plantões 24 horas nas Delegacias Da Mulher e garantia de água e recursos para toda a população.

As resoluções pros problemas do ABC paulista, e do estado de São Paulo como um todo, podem ser conquistadas a partir de uma política verdadeiramente popular. Isso significa que as demandas da maioria precisam ser a prioridade. Infelizmente, os partidos tradicionais que compõem a atual gestão da prefeitura, das secretarias e da câmara municipal não possuem a mesma defesa, já que estavam todos envolvidos em escândalos de corrupção por desvio de dinheiro público e mantém os moradores da cidade em condições de vida péssimas..

Banquinha na estação de Mauá denuncia prefeito corrupto.

 

 

A VERDADE: Por fim, o que mais você gostaria de falar para os nosso leitores?

GABRIELA: Diferente de Jair Bolsonaro, que possui facilitações no TSE, apoio de empresários e falsos profetas que se aproveitam da fé de nosso povo nas igrejas, a Unidade Popular pelo Socialismo conquistou sua legalização com sangue e suor derramado: sem nascer de racha de partidos já existentes e sem nenhum centavo de financiamento, apenas com a força de vontade de transformar o mundo, coletamos mais de um milhão e duzentas mil assinaturas de apoio no país. Uma alternativa política que nasceu nas periferias, das ocupações, e que eu, na época caixa de buffet, encontrei em um vagão de trem falando sobre uma sociedade mais justa, onde não exista discriminação, opressão, miséria e exploração para a maior parte das pessoas.

A política implementada em Mauá não serve para atender aos interesses das pessoas que vivem a cidade e constroem dia a dia as riquezas da região. Não tem como pensar em justiça, avanços sociais e transparência política quando somos governados por um prefeito preso duas vezes por desvio de verba pública em contratos superfaturados com empresas privadas. A cidade foi abandonada pelo irresponsável Átila Jacomussi e por 22 dos 23 vereadores da câmara que estavam envolvidos nos mesmos escândalos.

Jamais aceitaremos presidente da república fascista, governador do estado genocida e nem prefeito ladrão de merenda de crianças. O povo pobre deve ser quem define os rumos da nossa sociedade. Conheça a UP e venha com a gente lutar pelo poder popular!

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