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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Pandemia econômica

Foto: AFP

Por Inocêncio Nóbrega, jornalista ([email protected]).

            Nas atividades econômicas as estatísticas apontam flutuações de seus negócios, comprometendo estabilidades políticas no mundo. Ao longo do tempo, mudanças são produzidas, em menor ou maior escala, que se resumem em períodos, consonantes às necessidades, teoricamente nacionais. J. A. Estey revela quatro situações cíclicas da economia: das “tendências seculares”, em face de crises contínuas, listando anos, como de 1847 e 1857, os quais particularmente afetaram países das Américas.

            Nos territórios emancipados do nosso Continente pouco mudou, quanto à qualidade e preservação da vida de seus povos. Regimes de governo, salvo exceções, não alteraram a rotina do descaso, mantendo a cultura capitalista como modelo, em detrimento à pobreza generalizada. Sem escolas, hospitais e liberdades condicionadas à acumulação de riqueza, sempre levando a melhor. Os resultados têm sido catastróficos, com ameaças irreversíveis à espécie humana.

 Em cima dessa realidade histórica o Império brasileiro não teve estrutura para deter os avanços da pandemia do cholera-morbus, que nos veio do rio Ganges, Ásia. Doença, a que chamam de colarina, reúne um conjunto de sintomas, ocasionando insanáveis problemas gastrointestinais, pela falta de higienização, pública e privada.  Em Portugal, onde se fez dona do território, o jornal “Diário de Notícias” polarizou 54% do noticiário. Devastadora em países da Europa, só em Londres 5.536 vítimas, no ano de 1832, resolve atravessar o Atlântico, alcançando o Pará, a partir daí só encontrando solo fértil.

            De marcha lenta atinge todo o Nordeste. Na Bahia, deixa rastro de destruição humana.  A profilaxia médica, à época, prescrevia o antídoto, na prevenção e tratamento da moléstia bacteriana. No primeiro momento, consistia no isolamento.  Na Paraíba, esteve presente duas vezes, 1856 e 1862. O vice-presidente da Província, dr. Flávio Freire, relata à Assembleia Provincial medidas tomadas, coesas com uma equipe de facultativos. Distribuem-se sanitários à população. Não evitou, porém, morte de 30 mil paraibanos. Nessa viagem macabra, hospeda-se no Rio de Janeiro, onde chacina 3.540 pessoas. Não poupa municípios gaúchos, seguindo a caminho da Argentina.

            De FHC à primeira fase do governo Lula, o projeto neoliberal reinou, impávido. Temer e Bolsonaro, o elegem como doutrina, gestões nas quais as relações economia e vida social nunca foram amistosas, prevalecendo o capital parasitário, de expressivas fortunas, não permitindo investimentos maciços na ordem da sociedade, provocando a debilitação física de grupos originários, quais são dos pobres e da classe média. O Covid-19 se soma a outras mazelas sociais, são sequelas de políticas econômicas equivocadas, nesse contexto globalizado. Deita e rola em cima das saúdes sucateadas, há décadas em quarentena, nos parecendo em velório, dado os escassos recursos a sua disposição. O Ministro Henrique Mandetta, corajosa e desesperadamente, tenta salvá-la, e o nosso povo, da ferocidade pandêmica, a que ora assistimos. Faltam-lhe, entretanto, hospitais, respiradores, UTIs, leitos a fim de aliviar sua agonia, perto do colapso se as portas do Tesouro não forem abertas, suficientemente. Sucumbem os brasileiros, talvez escapem os rentistas de maior sucesso, para contarem a história do genocídio que cometem.

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