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Natal sem fome e sem miséria é realizado no Carrefour em Porto Alegre

A atividade denunciou a fome e o aumento dos valores dos alimentos, além do assassinato de Beto

por Carla Castro*

Foto: Jornal A Verdade

Homens, mulheres, idosos e crianças participaram da campanha Natal sem fome e sem miséria em Porto Alegre. Organizada pelos Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), a ação foi realizada no dia 17 de dezembro, na loja do Carrefour Passo D’areia, local onde João Alberto Freitas, conhecido como Beto, foi brutalmente assassinado no dia 19 de novembro, após ser agredido por seguranças.

Priscila Voigt, coordenadora nacional do MLB, anunciou o início da ação: “Estamos aqui para denunciar que o lucro está acima da vida das pessoas. Está sobrando alimentos e tem alimentos vencendo nas prateleiras. Exigimos que sejam destinadas cestas básicas para as famílias sem teto. O salário mínimo no nosso país não dá conta de pagar aluguel e muito menos colocar a comida na mesa. A cesta básica na nossa cidade é a quarta mais cara do país”. 

Anualmente, o MLB garante que as famílias das periferias do Brasil tenham os alimentos da ceia de natal. Este ano, o movimento também denuncia a falta de renda em função da pandemia e da perda dos empregos. Outro ponto que foi destacado durante a ocupação do supermercado foi a violência contra negros nos estabelecimentos comerciais. De acordo com Carla Castro, coordenadora estadual do MLB, o Carrefour é conhecido por ter uma sala de tortura. “Lá, o Estado não manda. A regra que vale é a mesma que matou o Beto”.

O gerente da loja se apresentou para negociar com as famílias após mais de meia hora de andamento da ação. Ele aceitou conversar reservadamente com um integrante do movimento, que foi representado por Luciano Schafer, coordenador nacional do MLB. Ao retornar, depois de quase uma hora, Luciano apresentou a resposta do gerente da loja: “Ele disse que a loja não tem condições de retirar cestas básicas como estamos solicitando”. De acordo com o responsável pelo estabelecimento, a demanda deveria ser encaminhada para o setor de sustentabilidade avaliar.

Vale lembrar que o mesmo Carrefour que nega a doação de cestas básicas é o mesmo que em meio a pandemia teve seu lucro de 75% maior no segundo trimestre de 2020 se comparado com o mesmo período de 2019. De abril a junho, o grupo varejista lucrou R$ 713 milhões. Já o setor supermercadista bateu os R$ 380 bilhões no ano passado. 

As cerca de 40 famílias não aceitaram o retorno e decidiram permanecer no local e solicitaram nova rodada de negociação. Porém, não foram atendidas. Desta forma, o grupo resolveu bloquear  a entrada  dos clientes na loja. Algumas pessoas tentaram ingressar no local. Cerca de duas horas após a ocupação do Carrefour, a Brigada Militar e Força Tática foram chamadas ao local para tentar retirar o grupo. 

A coordenação do MLB conseguiu que o ofício que solicitava as 300 cestas básicas fosse protocolado e, assim, as famílias deliberaram sair após três horas e meia de ocupação. O Carrefour se comproeteu a dar retorno nos próximos dias sobre a entrega dos alimentos. 

Antes de sair da loja, os manifestantes fizeram uma homenagem a Beto e entoaram palavras de ordem como: “Beto, presente! Agora e sempre!

Além das famílias organizadas pelo MLB participaram da ação integrantes do Movimento de Mulheres Olga Benario, da União da Juventude Rebelião (UJR) e da Unidade Popular pelo Socialismo.

*Carla Castro é jornalista e militante do MLB

Confira as fotos da atividade:

Foto: Jornal A Verdade

Foto: Jornal A Verdade

Foto: Jornal A Verdade

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Foto: Jornal A Verdade

Foto: Jornal A Verdade

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